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Cultura, Imprensa

Uma trincheira do jornalismo

Reproduzo a seguir um post do meu irmão, Elias Ribeiro Pinto, apresentando sua página dominical na edição de hoje do Diário do Pará, dedicada ao meu mais recente livro. Agradeço ao Elias pela atenção, aplicação e generosidade.

 

A página deste domingo (29/7/18) apresenta um dos mais importantes lançamentos do ano de um autor paraense. Expressa a vivência de mais de meio século de jornalismo na Amazônia produzido pelo mais respeitado e persistente intérprete da região e que dela se tornou uma referência internacional.

“Na Trincheira da Verdade: Meio Século de Jornalismo na Amazônia” reúne textos que o autor escreveu “especificamente sobre jornalismo ao longo de uma década”.

Este livro revela um Lúcio que talvez passe despercebido ao leitor de seu “Jornal Pessoal” (um dos jornais alternativos de mais longa duração da história da imprensa brasileira): o de um intelectual público de seu tempo, como poucos hoje no Brasil.

Por sua riqueza e variedade de assuntos, entre a política e a cultura (de Paulo Francis a Lula, do antropólogo Eduardo Galvão a Lévi-Strauss, de Tinhorão a Vargas Llosa, de Millôr e Cony ao homem do povo), em meio a polêmicas e ao circuito amazônico, este maduro (e não menos combativo) “Na Trincheira da Verdade” me lembrou o primeiro livro do Lúcio, “Amazônia: O Anteato da Destruição”, publicado em 1977 (completou 40 anos de lançamento no ano passado). A mesma variedade de assuntos, a riqueza da visão jornalística, cultural, as polêmicas que ainda hoje (in)formam. De lá para cá, Lúcio concebeu uma bibliografia considerável.

A página traz uma entrevista com o Lúcio, da qual destaco este trecho sobre a intolerância presente nas redes sociais:

“Pouco tempo atrás me reuni em São Paulo com velhos amigos jornalistas. Alertas contra o saudosismo fútil e erradio, lamentamos o mundo ao qual temos que nos adaptar (ou sujeitar). Não corresponde aos fins que buscamos com tanto empenho, não coincide com nossos sonhos e utopias. Um mundo egoísta, minimalista, carreirista, pragmático, cínico e inculto. Não uma incultura qualquer, medida por livros consumidos. É a cultura vencida pela boçalidade, pela arrogância, pela superficialidade e pelo arrivismo. Um mundo de agressões primárias, de posições selvagens, de intolerância. Construímos nosso modo de ser através de muita leitura, do amor pelo conhecimento, da paixão pela descoberta e revelação dos fatos por dentro e por trás dos acontecimentos. Esse patrimônio cabe cada vez menos no mundo virtual e no mundo real de hoje. Mas ainda não perdemos a esperança nem nos deixamos tomar pelo niilismo imobilista. Ainda travamos nossos combates, tentando enriquecê-lo e rejuvenescê-lo. Mas sem muita esperança e, por isso, sem ilusão.”

TRECHOS DO LIVRO:
SOBRE PAULO FRANCIS:
“Talvez chegasse aos 80 anos como a negação do que foi de mais importante: um polemista notável e um editor como poucos. Basta lembrar sua trajetória por “Senhor”, a revista que esteve muito além do seu tempo (entre 1959 e 1962), o 4º Caderno do “Correio da Manhã” (1967/68) e a revista “Diner’s” (1969), três das melhores publicações da história da imprensa brasileira.
Este Francis ficará. O outro, o mais recente, morreu antes de destruir o que construíra, conforme o enredo da má ficção que forjou.”

SOBRE CONY:
“Só mesmo a admiração remanescente pelo escritor me fez voltar a ler Cony depois que ele reivindicou (e conseguiu) uma indenização milionária do governo, mais uma sinecura mensal até o fim dos seus dias, como vítima de perseguição política durante a ditadura.”

Discussão

Um comentário sobre “Uma trincheira do jornalismo

  1. Excelente artigo o do Elias. Parabéns pelo novo livro. Quem sabe a Polity não se interessaria em publicar a versão em inglês.

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    Publicado por Jose Silva | 29 de julho de 2018, 17:17

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