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Cultura

Arquivo JP (37)

A estrela antilógica

do poeta Ruy Barata

(Jornal Pessoal 241, agosto de 2000)

Durante alguns bons anos, entre os 70 e os 80, um dos meus mais agradáveis programas dominicais era desviar caminho para um subúrbio de Belém, onde remanesce o autêntico belenense, e sentar numa cadeira, na calçada, para longas horas de prosa solta com Ruy Paranatinga Barata. Meu brilhante interlocutor era, ao mesmo tempo, poeta, crítico literário, historiador, letrista de música, político, observador das coisas à volta, trocista, causeur– um paraense por inteiro, um caboclo educado sob as vistas severas do doutor Alarico e a ternura de dona Noca. Filho único, Ruy aparece em algumas fotos da juventude e da primeira maturidade como um verdadeiro dândi, com o melhor terno, a mais bem composta indumentária, a pose calculada, o ar de ironia.

Advogado, bem nascido e bem criado, podia Ter ido para a França, sua Segunda matriz cultural, e seguido uma carreira de playboy. Mas virou comunista, sem jamais deixar-se seduzir, entretanto, pelos dogmas catequéticos da seita. O que sempre causou confusão ou perplexidade entre os seus severos acompanhantes: uma hora Ruy vinha com um discurso panfletário, outra hora deixava-se levar pelo mundanismo, a joie-de-vivre que é o sal da vida. Contradição? Absolutamente: Ruy era vários, espalhando-se por vários domínios, detonando-os com sua recusa às limitações, desaguando como um rio-mar no estuário oceânico.

Integrou a mais brilhante geração de intelectuais paraenses do período republicano, que, para resumir, podíamos dizer que gravitou em torno da figura única de Francisco Paulo do Nascimento Mendes, desaparecido no cabalístico ano de 1999. Por ter vivido bastante, embora não tanto quanto desejávamos, Chico Mendes atraiu e revelou pessoas que, sociologicamente falando, integravam diversas gerações, não apenas uma ou duas. Todas elas foram marcadas por pelo menos um denominador comum: a felicidade de conviver com uma fonte de provocações tão rica e generosa como o professor Mendes, o tio Mendes dos filhos dos seus amigos e díscipulos.

Outro ponto em comum: ingressavam na vida consciente no vácuo da decadência da exploração da borracha, aquilo que (mais uma vez impropriamente) costuma-se definir como “a idade média amazônica”. A perda da condição de monopolista no fornecimento da hévea, seguida da perda de qualquer expressão nesse setor em escala mundial, fez a Amazônia perder interesse externo. Em contrapartida, aos seus habitantes foi concedida a trégua mais valiosa para uma colônia: eles podiam escolher o mundo ao seu gosto, sem a apertada cangalha do colonizador.

Juventudes que gravitaram em torno do professor Mendes puderam fazer suas opções, elegendo suas referências culturais, todas ao alcance do conhecimento do Ratinho. Podemos pensar na produção de pessoas como Mário Faustino, Paulo Plínio Abreu, Benedito Nunes, Haroldo Maranhão, Max Martins e Ruy Barata, para ficar só nesses exemplos, como derivadas dessa relativa liberdade de escolha, orientada por um espírito rigoroso e sensível. Sem o canto de sereia metropolitano.

Ruy, como a maioria, seguiu na direção apontada pelo mestre: buscou inspiração na cultura francesa, num ponto entre o romantismo e o simbolismo, chegando, depois, ao modernismo. Já aí com uma expressão de liberdade bem amazônica: ambivalente, maliciosa, anedótica, sensual e festeira, um elemento de identidade entre o homem e sua terra que livrou Ruy das escoras e muletas de inspiração francesa, francamente observável em seus sempre bons primeiros versos, como observou Antônio Cândido, quase 60 anos atrás, na primeira crítica nacional à poesia do paraense Ruy (infelizmente sem continuidade, nessa conspiração do silêncio através do qual o centro metropolitano tenta desfibrar a periferia).

Antilogia, livro que Tito Barata, ao mesmo tempo filho e editor, lançará no dia 28, em Belém, comemorando pós-morte os 80 anos de Ruy, contém a combinação dessas fortes raízes: um soberbo manejador de sonetos intercalando lirismo com humor, ironia e política, o amor em abstrato com o mais primitivo erotismo, rima e verso livre, história e cotidiano, mitologia e anedota. A palavra é uma argila que toma forma de acordo com a modelagem do artesão. Já no título da antologia, por ele próprio organizada, Ruy deixa a marca da sua paixão pelo jogo de palavras, na intimidade do pleno controle semântico, etimológico e sintático.

Ele opõe naturalmente palavra contra palavra, ideia ante ideia, numa sequência que é quase inversa à cronologia dos poemas. Cria sem artificialismo porque a sua arte é a expressão da sua vida, às vezes caótica, às vezes irregular, em conflito. As peças da sua vida, como da sua arte, entretanto, se compõem como uma ponderada colcha de retalhos. As peças não tiveram a unidade como intenção, mas, reunidas, formam uma totalidade, multicolorida certamente, mas cheia de energia e significado, uma arenga manhosa e doce como o olhar do poeta sobre o mundo.

O político que Ruy incorporou com a democratização de 1946 parecia vir para liquidar o flaneur e beletrista. Mas o político, embora intenso (há toda uma lenda em torno dos seus antológicos pronunciamentos parlamentares), foi breve. O iconoclasta de carteirinha, contudo, não se restabeleceria por inteiro. O bacharel em direito foi convocado, em 1976, a montar banca de advogado para defender pobres posseiros da antiga PA-70 (hoje BR-222, ligando Marabá à Belém-Brasília), enquadrados na sinistra Lei de Segurança Nacional pela infeliz coincidência de participarem de um conflito fundiário sangrento exatamente quando os Estados Unidos da América comemoravam os 200 anos da sua independência – e, justamente ali, entre Paragominas e Vila Rondon, no outro lado do conflito havia uma família americana instalada, súditos de Tio Sam.

Acompanhei a inteligente estratégia de defesa que Ruy montou com Gabriel Pimenta, jovem advogado cujo entusiasmo o condenaria a uma morte súbita e violenta na arena de Marabá, logo em seguida. Ambos estiveram à altura daqueles tempos sombrios, quando a prova dos nove da dignidade sempre se apresenta.

Toda essa Antilogia revela o diálogo crítico de Ruy consigo mesmo, com sua imperfeição e sua vontade de ir além, fazendo mais e melhor. Em diversos momentos ele tropeçou, caiu, sentiu o gosto rude da terra. Mas levantou, limpou-se e assumiu seu lugar na calçada de uma então poeirenta rua de subúrbio, montado em sua cadeira de embalo, atento aos cumprimentos dos passantes e à conversa do companheiro, transitando com desenvoltura e brilho pelo que foi o seu tema: a vida humana.

Forma de ver e revelar a vida que cresce à medida que o tempo passa e sua silhueta, recortada contra o horizonte da apreciação crítica, revela o contorno do grande poeta que ele foi – em tudo e acima de tudo. E do maravilhoso companheiro daqueles encontros dominicais nos quais só não se alcançava as estrelas porque, para elas, Ruy Paranatinga reservaria outro expediente.

Discussão

17 comentários sobre “Arquivo JP (37)

  1. Lúcio,

    Daqui a pouco vão te atacar porque republicastes um belo texto sobre um comunista. Como você sabe, um termo que não soa bem no mundo dominado pelos ditos liberais, que, na verdade, nem sabem o que o verdadeiro liberalismo, no sentido Popperiano, significa.

    Voltando ao tema da postagem. Você acredita que o livro publicado em 2000 ainda está disponível por aí?

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    Publicado por Jose Silva | 8 de agosto de 2018, 09:47
  2. E ele iria republicar um texto sobre quem, cabano Marat? De algum autor liberal com quem ele nunca andou na vida? Ora bolas, as pessoas escrevem sobre o mundo em que vivem, com quem andam, o que leem, com quem compartilham ideias… E isso é impossível a pessoa fazer quando tudo com que teve contato na vida foi com seus pares, TODOS militantes. Além do mais, àquela época do Ruy o movimento comunista era algo mais romântico, mais aceito, ainda não estavam sedimentados na sociedade brasileira seus efeitos deletérios na vida das pessoas ao longo prazo, pelo menos em países onde a elite conta com um populacho receptível a engodos populistas, especialmente os chatos metidos a letrados, os maiores idiotas úteis no jogo político.

    Ruy era um comunista rebuscado, de nível diferenciado, um homem inteligente a ponto de rever seus conceitos. Balançava entre um mundo e outro, sob o desconforto de ser visto como “um católico que não lê sua Bíblia”.

    Mas ainda dá tempo para o Lúcio “abandonar o barco”, ou melhor, o “movimento”, e deixar um legado de humildade, humano, de bom senso, digno de quem assume os erros pelas escolhas na vida. E até agora fez mais que Ruy pela sociedade do seu tempo.

    Lúcio tem suas convicções, já declarou que não se tornou um comunista, não é um limitado popperiano, mas está confuso, não abraçando mais a “causa” em sua totalidade, embora ainda cultive a paixão, o “sonho”. Desiludido com a maioria de seus pares, precisa conquistar outras praças e adequar-se aos novos tempos, sob risco de consolidar-se na pobreza material, num novo mundo que está a surgir.

    É muito difícil reconhecer-se que se foi enganado durante tanto tempo, que tudo aquilo em que sempre se acreditou resultou no mal a milhões de seres humano, contrariamente ao que se acreditava. Deve olhar para a Venezuela com enorme tristeza.

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    Publicado por Rosa Carla | 8 de agosto de 2018, 12:41
    • Como sempre, você começa rotulando as pessoas ao invés de tentar uma conversa decente. Como sempre também, você já começa errada. Isto não é mais novidade por aqui.

      Até onde eu acompanhei, o Lúcio já republicou textos sobre várias pessoas com quem ele interagiu na vida, sejam elas comunistas ou não-comunistas. Há inclusive um muito bom sobre o Jarbas Passarinho, que, até onde sei, nunca foi comunista. Deixo para o Lúcio te responder.

      Por sinal, você já fez o seu dever de casa e aprendeu o que é liberalismo, uma coisa que você tanto fala e pouco sabe? Espero que sim, porque até agora a tua falta de argumentos sobre o tema te colocam mais próxima de uma mini-aprendiz de Bolsonaro do que de uma liberal no sentido real do termo.

      Para te ajudar, a The Economist está publicando uma série sobre os pensadores liberais, os seus erros e acertos. O primeiro é sobre o John Stuart Mill. Vá lá e vê se aproveita. Quem sabe se com informação um pouco mais qualificada, os seus argumentos melhorem. Acredito que todos estão torcendo por isso.

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      Publicado por Jose Silva | 8 de agosto de 2018, 13:22
    • Não consigo associar o que você diz de mim do que fiz, pensei e escrevi. Encontre um texto meu favorável ao bolivarianismo de Chávez/Maduro. Um fato que seja capaz de me vincular a qualquer partido ou movimento, exceto o estudantil, na época certa e como pessoa absolutamente independente. Muitas das minhas causas não levaram à vitória ou à realização de ideais, mas não me arrependo de tê-las defendido. Realmente me tornei um desajustado ao tempo atual, tão ousider tenho sido há tanto tempo. Sei que é um preço alto, mas é o que tenho de pagar para ser coerente. Tenho sido derrotado, mas conquistei uma vitória: sempre foi uma luta digna e boa.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 8 de agosto de 2018, 15:34
      • Parabéns, Lúcio. E obrigada pela resposta, ao seu melhor estilo elegantérrimo. Você me destruiu em seis linhas, mas me cativou com sua sinceridade. Arrancou-me lágrimas, como muitas vezes desde os primórdios do JP. Minha grande ânsia na vida foi a busca pela verdade, e muitas (a grande maioria) encontrei no seu heroico Jornal Pessoal, os quais coleciono alguns exemplares em estante próxima à cabeceira da cama, aqueles que não consegui alguém para repassá-los ainda em tempo hábil das atualidades. Se você sentiu o mesmo ao sentar na cadeira de Marx, também senti muitas vezes ao relê-los, embora sabendo um adorador do diabo. Queria saber tudo isso. Queria escrever assim. Mas a idade, a memória e as responsabilidades com o trabalho e a família me toma o tempo. Mas ainda chego lá, se a vida me permitir.

        Coerente, profundo, com base em evidencias, fatos e provas, você sempre foi realmente muito cuidadoso em relação a tudo isso. Por isso quase unanimidade.

        Devo reconhecer também que tenho sido um tanto quanto ácida na crítica, e peço desculpas (mas só a você e aos outros comentaristas, excetuando esse jacobino atrevido aí). É que eu sou assim mesmo, EXPLOSIVA COM COMUNISTAS. rss

        Realmente não tenho como negar que não vi texto seu favorável ao bolivarianismo. Não diretamente. Mas se trata do teor. De subliminares. Da narrativa com viés ideológico. Do ranço contra a iniciativa privada (que aqui, em sentido lato, não quer dizer empresa ou ou pessoa jurídica, mas de iniciativa “pessoal” na busca pela sobrevivência).

        Da falta de uma visão pelo outro lado da história. Da falta de ceticismo em relação às causas da “agenda”. De uma interpretação sobre as origens de termos herdado um país tão belo e ao mesmo tempo tão maltratado em sua gente, sua terra…

        Da falta de resposta a comentários absurdos em defesa da “causa”, aquela que nos vem destruindo aos poucos, que contamina a gente mais simples (menos o jacó marinista já moribundo). Do apoio a certas pessoas que fazem parte dessa rede de destruição mental da nossa juventude, como se fossem gente legal, de boa estirpe, gente que não vai levar essas ideias malucas para o futuro, contaminando mentes afora, ajudando na manutenção de uma cultura que só nos traz atraso e desgraça.

        A Ásia cresce, e nós? Por que não diz? Por que não vê a relação de nossa desgraça com a cultura socialista? Por que não ataca esse mal pela raiz com o poder de análise e síntese que tem? Por que não combate essa gente? Isso de fato não é ser favorável ao bolivarianismo, mas a omissão permite que ele viceje, às vezes parecendo não querer contrariar.

        Você tem um poder que talvez nem mesmo você tenha se dado conta: credibilidade. Mas não ponha tudo a perder dando afago em comunistas.

        Obrigado pelo espaço e um forte desejo de mudança e sucesso. (mas só para você, não pára o jacó do bandolim de couro curtido de burro aí, esse incensado que se mete em tudo…, e adora levar uma peias) rsss

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        Publicado por Rosa Carla | 8 de agosto de 2018, 16:51
      • Sérgio Bittencourt, filho do Jacob do Bandolim, na única grande música que compôs, cantou, quase chorando (e chorou, quase cantando): “naquela mesa/ está faltando ele/ e a saudade dele/ está doendo em mim”.
        Abro meu coração, como você abriu o seu, para lhe dizer que sinto a falta da cordialidade, do tom civilizado, da tolerância, do desejo de aprender, da humildade, da vivência de princípios e de alguns elementos que compõem aquilo que o filósofo Paul-Louis Landsberg definiu como “pessoalidade”. Seríamos muito melhores e faríamos mais o bem se fossemos assim, não é mesmo?
        Apreciaria sinceramente se a cada crítica você a exemplificasse, assinalando onde eu disse ou fiz o que você crítica.
        Obrigado por suas belas palavras.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 8 de agosto de 2018, 17:47
      • Dona Rosa Carla, quer ver como eles ficam malucos? Pergunte ao Lúcio Flávio e a José Silva em quem eles votaram para presidente nas ultimas eleições. Duvido que respondam.
        Comovente sua resposta.

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        Publicado por Zé Carlos | 8 de agosto de 2018, 17:21
      • Anulei meu voto para presidente.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 8 de agosto de 2018, 17:38
  3. Adorei o texto sobre Rui, uma daqueles velhos comunistas. Um artigo importante sobre a cultura paraense,falando não só sobre o livro, mas a importância do Paranatinga. Antes que critiquem a enciclopédia digital, gostaria que lessem um pouquinho sobre o perfil até bem completo do poeta militante. Faltaria complementar mais com a informação que deste de 76 quando atuou como advogado nos interiores paraense. Depois faço mais algum comentário.

    Ruy Guilherme Paranatinga Barata (Santarém, 25 de junho de 1920 — São Paulo, 23 de abril de 1990) foi um poeta, político, advogado, professor e compositor brasileiro.
    Filho único de Maria José (Dona Noca) Paranatinga Barata e do advogado Alarico de Barros Barata. Recebeu o nome Rui em virtude da admiração paterna por Rui Barbosa. O indígena Paranatinga vem do lado materno, que significa rio (paraná) branco (tinga).
    Foi alfabetizado pelo pai. Aos dez anos veio para Belém para continuar os estudos. Primeiro, no internato do Colégio Moderno; depois, no Colégio Nossa Senhora de Nazaré, dirigido pelos Irmãos Maristas. Faz o pré-jurídico no Colégio Estadual Paes de Carvalho, onde tem como professor o intelectual Francisco Paulo do Nascimento Mendes, de quem se torna amigo para a vida inteira, e se inicia na poesia escrevendo na revista Terra Imatura. Em 1938, entra para a Faculdade de Direito do Pará.
    Em meio aos estudos jurídicos sente aumentar a paixão pela poesia. Mergulha fundo nos poemas de Maiakovski, Garcia Lorca, T.S. Elliot, Mallarmé, Rilke, Pablo Neruda, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Murilo Mendes, Jorge de Lima, entre outros. Abre-se ao pensamento de esquerda através da leitura do Manifesto Comunista de Marx e Engels.
    Em 1941, casa-se com Norma Soares Barata, com quem teve sete filhos: Maria Diva, Rui Antônio, Paulo André Barata (parceiro constante em várias canções, entre elas, as mais famosas, Foi assim e Pauapixuna), Maria Helena, Maria de Nazaré, Maria Inez e Cristóvão Jaques.
    Em 1943, forma-se em direito e, como orador da turma, em plena ditadura do Estado Novo, faz um discurso em que pede a volta do país ao Estado de Direito e defende teses avançadas no campo da justiça social. Nessa fase, prefere trocar o exercício da advocacia pela presença na redação do jornal Folha do Norte, de Paulo Maranhão.
    Passa a frequentar a roda de papo do Central Café, no centro de Belém, liderada pelo professor Francisco Paulo do Nascimento Mendes, onde convive e integra a mais brilhante geração de intelectuais paraenses republicanos, que gravitou em torno de Chico Mendes. Entre eles, Mário Faustino, Paulo Plínio Abreu, Benedito Nunes, Haroldo Maranhão, Waldemar Henrique, Machado Coelho, Nunes Pereira, Cauby Cruz, Napoleão Figueiredo e Raimundo Moura.
    Ainda em 1943, publica seu primeiro livro de poemas Anjo dos Abismos, pela José Olympio Editora, com o decisivo apoio do romancista paraense Dalcídio Jurandir.
    Nessa época, o pai de Ruy, Alarico Barata, exercia forte liderança política na região do baixo amazonas contra a violência do chamado Baratismo, liderado pelo caudilho Joaquim Magalhães de Cardoso Barata.
    Em decorrência dessa luta contra o autoritarismo de Magalhães Barata, Rui Guilherme Paranatinga Barata entra na política partidária e, aos 26 anos, em 1946, é eleito deputado para a Assembleia Constituinte do Pará, pelo Partido Social Progressista (PSP). Embalado pelo clima de explosão democrática que sucedeu a vitória dos aliados contra o nazifascismo na Europa, nenhum tema relevante aos direitos humanos escapou da percepção do jovem deputado naquela legislatura. A luta pela paz num mundo traumatizado pela morte de milhões de seres humanos nos campos de batalha, o horror da ameaça atômica que exterminara as populações de Hiroshima e Nagasaki, o respeito à autodeterminação dos povos, o Estado de Direito no Brasil, a defesa da soberania da Amazônia e a luta contra a pobreza foram temas caros a Ruy Barata.
    Foi reeleito em 1950. Em 1951, publica os poemas de A Linha Imaginária (Edições Norte, Belém). A partir daí e depois, como deputado federal (1957 a 1959), se afirma como a voz progressista no Pará em defesa do monopólio estatal do petróleo, das grandes causas nacionais e da paz mundial, nos momentos cruciais da chamada guerra fria.
    Em 1959, saúda a revolução cubana com o poema Me trae una Cuba Libre/Porque Cuba libre está. Nesse mesmo ano, entra para a militância clandestina do Partido Comunista Brasileiro, o Partidão. A filiação ao PCB tem reflexo na própria criação poética, que opta por evidenciar, nessa fase, um tom político. Sua poesia busca o caminho das palavras acessíveis à compreensão popular. Denuncia claramente a miséria e a injustiça social.
    Nessa época, provavelmente, dá início à construção de O Nativo de Câncer, poema inacabado com força épica a contar a história de uma cultura em face da invasão de culturas estranhas, um impressionante inventário das coisas e do homem amazônico, incluindo aí o inventário do próprio poeta, um nativo de câncer. O primeiro canto do poema foi publicado em fevereiro de 1960 no jornal Folha do Norte.
    Em 1964, com o golpe militar, foi preso, demitido de seu cartório (então 4º Ofício do Cível e Comércio da Comarca de Belém) e aposentado compulsoriamente do cargo de professor da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Pará,[2] com menos de 10% de seus proventos. Para sobreviver passa a exercer a advocacia no escritório de seu pai, Alarico Barata, e escreve artigos e reportagens com pseudônimos, como Valério Ventura, para os jornais Folha do Norte e Flash.
    A partir de 1967, Ruy Barata, que tinha, desde a juventude, uma estreita ligação com a música, passa a compor em parceria com seu filho, o então jovem músico e instrumentista Paulo André Barata.[3][4]
    Ruy mostra-se um exímio letrista para as melodias do filho. Compõem dezenas de músicas, de cunho rural e urbano, que se tornaram sucessos nacionais e internacionais.
    Em 1978, lança mais um capítulo do estudo sobre a Cabanagem, a revolução paraense de 1835, cuja publicação iniciara no ano anterior pela revista do Instituto Professor Sousa Marques (Rio de Janeiro): O Cacau de Sua Majestade, O Arroz do Marquês, A Subversão do Cacau e do Algodão, A Economia Paraense às Vésperas da Tormenta.
    Em 1979, com a promulgação da Lei da Anistia, Ruy Barata é reintegrado ao quadro de professores da Universidade Federal do Pará, e volta a ensinar Literatura Brasileira. Em 1984, é publicada a primeira edição do livro Paranatinga, um estudo biográfico do poeta escrito por Alfredo Oliveira.
    Ruy Barata morreu em 23 de abril de 1990, durante uma cirurgia, em São Paulo, para onde viajara a fim de coletar dados sobre a passagem de Mário de Andrade pela Amazônia.
    Pouco depois de sua morte foi lançada a segunda edição, revista e ampliada, do livro Paranatinga. Sua estátua está nos jardins do Parque da Residência, antiga casa dos governadores do Pará, que hoje abriga a Secretaria de Cultura do Estado. Empresta seu nome a uma avenida, ainda em construção, que vai margear as águas da baía do Guajará em Belém.
    Em 2000, foi lançado o livro Antilogia, uma coletânea de poemas organizada e revisada pelo próprio Rui entre janeiro e fevereiro de 1990, pouco antes de sua morte, cuja edição reúne catorze poemas e uma das correspondências que lhe foram enviadas pelo poeta Mário Faustino.
    O trabalho de Ruy Barata continua a inspirar músicas, poesias, vídeos, cinema, trabalhos escolares, teses, documentários, dança, artes plásticas e dezenas de outras manifestações culturais em todo o Pará, para reverenciar a memória do poeta que disse em uma canção: Tudo que eu amei estava aqui”.
    A poesia não se faz com idéias, mas com palavras
    —Ruy Barata
    (1943) Anjo dos Abismos (Publicado em 1943 pela Livraria José Olympio Editora, com capa de Luiz Jardim. Reúne vinte e quatro poemas trabalhadores entre 1939 e 1942. Constitui, portanto, o livro de estreia de Ruy Barata e foi dedicado a seu pai, Alarico de Barros Barata, e a Francisco Paulo Mendes, um de seus melhores amigos). Contém os poemas: Ode ao Mar; Anjo dos Abismos; É a Morte que Vai Chegar da Imensidão dos Mares; Lá Fora Está o Amor que Nos Espera; Não nos Afastemos do Mar; Os Seus Seios São Como Búzios; Poema dos Noturnos Caminhos; Poema; Poema; Poema; O Que Vai Subir aos Brandos Céus Iluminados; Não Vejo os Teus Cabelos Redentores; Poema da Amada Escurecida; Poema; Noturnos; Poema; Balada em Setembro; Poema da Galera Fantasma; Poema Schmidtiano; Balada Secreta; O Canto dos Sepulcros; Elegia; Balada para o Anjo dos Abismos; Escutei pela Noite as Trombetas Aladas.
    (1951) A Linha Imaginária (Publicado em 1951 pela Edição Norte. A coletânea de vinte poemas é dedicada à memória de Maria Hernandes Alavarez, nascida em Páramo-de-Sil, distrito de Leon, Espanha, e falecida em Santarém, Estado do Pará). Contém os poemas: Les Evenements; A Linha Imaginária; Ode; Auto Retrato; Homenagem a Leon Boy; Arte Poética; O Novo Jeremias; Poema; Vinte Sete Anos Quase Vinte e Oito; Acalanto para Maria Diva; Breves Considerações sobre o Amanhecer; Manifesto ao Povo Brasileiro no Cinquentenário do Poeta Murilo Mendes; Ode a Fanny Brawne; Poema; Salmo; Carta; La Plus Que Lente; Valsa para Thaisinha; Music Hall; Momento no Quarto.
    (1962) Violão de Rua (Publicado em 1962, pela Civilização Brasileira, a série Violão de Rua faz parte dos “Cadernos do Povo Brasileiro” lançado pelo CPC – Centro Popular de Cultura. O Violão de Rua é uma coletânea de poemas que, segundo manifesto redigido por Moacys Felix, almeja a “utilização em termos de estética, de temas humanos baseada na certeza de que tudo aquilo que é verdadeiro serve ao povo, de que o uso apaixonado da verdade é o instrumento por excelência da humanização da vida”. E ainda salienta: “O artista que pratica sua arte situando seu pensamento e sua atividade criativa exclusivamente em função da própria arte é apenas a pobre vítima de um logro tanto histórico quanto existencial”. Contém os poemas: Me Trae una Cuba-Livre; Canção do Poema Vigiado pela Polícia; Canto Fúnebre para Lumumba; Canção do Guerrilheiro Torturado; Canção dos Quarenta Anos; Primeiro de Maio.
    (1984) Paranatinga (Publicado em 1984, Paranatinga foi escrito por Alfredo Oliveira e editado pela Gráfica Falângola com o patrocínio do Governo do Estado do Pará, Secretaria de Estado e Cultura, Desportos e Turismo no dia 25 de junho. Paranatinga é uma coletânea de depoimentos e obra poética e musical de Ruy Barata. Em 1990, foi lançada uma segunda edição atualizada de Paranatinga (agora com o título Ruy Guilherme Paranatinga Barata), editada pela Gráfica e Editora Cejup, onde Alfredo Oliveira registra a vida e a obra de Ruy Barata.
    (2000) Antilogia (Publicado em 2000 pela RGB Editora e Secult. É uma coletânea de poemas organizada e revisada pelo próprio Ruy entre janeiro e fevereiro de 1990, pouco antes de sua morte, cuja edição reúne catorze poemas e uma das correspondências que lhe foram enviadas pelo poeta Mário Faustino). Contém os poemas: O Nativo de Câncer; Ode; Auto-Retrato; Poema Didático; Les Événements; Helena; Braços de Seda; ABC de Chico Sena ou A Morte do Caixeiro Viajante; Degrau do Inferno; Breves Considerações sobre o Amanhecer; Canção dos Quarenta Anos; Vinte Sete Anos, Quase Vinte Oito; Poema em Fuga em Ré Menor; Arte Poética; Carta de Mário Faustino a Ruy Barata, em 23 de março de 1962; Carta-poema a Francisco Paulo Mendes.
    Campos, Milton de Godoy. Antologia poética da Geração de 45. São Paulo: Clube de Poesia, 1966. 207 p. p. 145-146.
    Oliveira, Alfredo. Ruy Guilherme Paranatinga Barata. Belém: Cejup, 1990. 240 p.
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Rui_Barata

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    Publicado por Fabrício | 8 de agosto de 2018, 19:12
    • Obrigado, Fabrício.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 8 de agosto de 2018, 19:19
    • O velho Rui foi uma importante personalidade paraense sendo eternizado como um dos homenageados da Feira do Livro com o slogan “Eu sou de um país que se chama Pará”, no Carnaval Paraense, além de ganhar uma estatua segurando sua obra O Nativo do Câncer, tal qual a de Drummond, no Parque da Residencia. Mas isso tudo é pouco e não diz muito sobre Rui que deveria ser mais conhecido tendo importante contribuição na cultura e na politica. Este último é o menos conhecido e explorado, como a sua atuação politica, a militância pelo comunismo e seus escritos nos jornais como a Folha do Norte, que pouco se sabe e encontra. Como membro do partido comunista tinha boa relação com grandes personalidades como Raimundo Jinkings, Jocelyn Brasil, Alfredo Oliveira, entre outras tantos.
      A face que mais se conhece de Paranatinga é a boêmia, bebedor inveterado cheio de historias dos antigos bares de Belém. Mas Rui Guilherme também teve importância na cultura e da poesia circulando entre intelectuais e artistas paraenses. Teve grande influencia de Drummond que quem ganhou homenagem parecida com sua estatua. O Central Hotel era um local de encontro como o do Grupo dos Novos, do qual não participou, já não era tão novo assim, mas que mantinha grande influência. Recebeu varias criticas positivas de Benedito Nunes ou mesmo de Antonio Cândido.
      Deixou sua marca eternizando grande músicas, mas com aquele toque paraense. Teve como grande parceiro seu filho Paulo André tendo músicas gravadas por grandes interpretes e que foram sucesso em novelas da época, mas que até hoje estão na memoria de muitos paraenses. Rui teve teve muitas músicas mas o dicionário da MPB deixa marcado as principais: “Marcando a presença da música popular da região de Belém do Pará, é um dos seus compositores mais representativos. Teve as composições “Indauê Tupã” e “Esse rio é minha rua”, parcerias com Paulo Barata, incluídos no LP “Tamba Tajá”, primeiro disco da cantora Fafá de Belém, em 1976. No ano seguinte, teve gravadas pela mesma cantora as músicas “Pauapixuna” e “Foi assim”, essa última, um dos maiores sucessos da carreira da cantora. No LP “Banho de cheiro”, lançado por Fafá de Belém em 1978, teve gravadas as canções “Carta noturna”, “Baiuca’s Bar” e “Banho de cheiro”, que deu nome ao disco, parcerias com seu filho Paulo Barata.” Pra mim Pauapixuna é uma das melhores músicas paraenses, tendo Lucinha Bastos como interprete, Já que Lúcio já falou sobre isso e não tem opinião muito diferente.
      Sobre os livros e trabalhos sobre nosso Rui Guilherme temos poucas coisas. Nunca vi noticias do primeiro livro. O segundo parece que não teve quase distribuição o autor limitou por haver muitos erros. Mas teve a ultima edição pela secult em 2014. O violão de rua também não conheço. O paranatinga de 84 do Alfredo Oliveira Achei muito bom, excelente livro, tanto do autor quando o da historia do biografado, colocando poemas inéditos, como diz Alfredo, ele escrevia que ele escrevia mas não guardava, se perdendo muita coisa. Esse livro tem uma das capas mais bonitas que já vi, e teve uma segunda edição. Antilogia de 2000 é mais fácil de encontrar e foi relançado elo Diário do Pará.
      Lúcio, como avalias a obra dele e as obras mais desconhecidas?

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      Publicado por Fabrício | 8 de agosto de 2018, 20:48
  4. Parabéns, Rosa Carla. Parece que você finalmente descobriu o que é civilidade. Esta é uma excelente notícia para todos. Só por isso já valeu a pena eu ter gasto o meu precioso tempo te confrontando aos limites e exigindo argumentos melhores e mais qualificados. Parece que você aprendeu a lição.

    Espero sinceramente que daqui para frente você será mais construtiva, argumentará melhor e defenderá as suas idéias usando evidências. Está é a essência de ser liberal. Você não precisa ficar levando peias públicas para mudar :).

    Por fim, pare de xingar as pessoas. Parece coisa de criança mal-educada. Você é bem melhor que isso. Também seja mais seletiva com os factóides que circulam pela internet. A maioria não passa no teste da verdade. Portanto, evite passá-los adiante. Use somente a informação que você tem certeza que é boa e confiável. Isso ajudará a todos.

    Se queres ser liberal de verdade, então leia e releia Popper, o filósofo mestre dos liberais modernos, cuja principal contribuição foi dizer que o conhecimento somente avança se você colocar as suas teorias mais queridas à prova, todo o tempo e o tempo todo.

    Zé Carlos, sobre em quem eu votei nas últimas eleições presidenciais? E precisa ainda perguntar? Marina sempre. Nos segundos turnos, na ausência de gente honesta, anulei meu voto.

    E vocês? Quero ver vocês agora ficarem malucos…

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    Publicado por Jose Silva | 8 de agosto de 2018, 19:25
    • Limitado popperiano, aplicou o método da falseabilidade para a superioridade moral, característica de todo embusteiro para atrair simpatia. Por isso, dispenso qualquer elogio.

      Marina Silva é uma ex-petista, uma socialista inveterada, apenas com uma roupagem ‘light’, ‘soft’, tem nas raízes as mesmas ideias destrutivas, a exemplo da tal “função social da propriedade”, artifício constitucional criado pela “mentalidade”, para que o Estado e movimentos possam respaldar o roubo e a invasão de propriedades.

      Não mudaria nada na realidade brasileira: assistencialismo, aparelhamento, mais força ao Estado, mais poder a correligionários, loteamento obrigatório de funções de poder etc..

      O problema é tão profundo na estrutura política e econômica brasileira, que a única saída é afastar-se ao máximo da lógica socialista, da mentalidade esquerdista, e desmontar o estado interferidor. Marina não faria isso jamais, é socialista, populista, despreparada, fraca, e logo se aliaria ao que de mais nefasto existe na política brasileira, para poder governar. Mas, felizmente, vai passar para a história como promessa não cumprida.

      Socialismo é roubo.
      Roubar é imoral e crime.
      Logo, Socialismo é imoral, e crime em qualquer nível.

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      Publicado por Rosa Carla | 9 de agosto de 2018, 11:46
      • A propósito, votou em Lula, com a mais absoluta certeza. E se votou também no poste dele, a vergonha se impõe. Mas há dúvidas se de fato foi enganado, para dar poder ao que de mais nefasto aconteceu na política brasileira.

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        Publicado por Rosa Carla | 9 de agosto de 2018, 11:49
      • Com esta mensagem, está bem demonstrado que o Alberto estava completamente certo sobre a sua capacidade cognitiva.

        Você se diz liberal, mas é uma farsa. Liberal gosta de debater com evidências e está sempre disposto a mudar de opinião quando as evidências assim demonstram. Como você não faz isso, você não é liberal.

        No fundo, no fundo, hipotetizo, com base no que você apresentou até agora, que você é apenas uma menina birrenta e mal educada que ainda vive no mundo da guerra fria e que esconde os seus preconceitos diversos, que não são poucos tal como demonstrado nas suas várias intervenções recentes, sob uma manta anti-comunista.

        Certamente você não sabe que os países que possuem a melhor qualidade de vida do mundo chegaram a este ponto combinando idéias boas do capitalismo e do socialismo, mas sempre tendo a democracia como fundamento. Entretanto, não adianta te apresentar informações, porque você não é afeita a qualquer tipo de evidência de qualidade.

        Por favor, continue soltando em público as suas perólas preconceituosas desprovidas de fundamento. Por um lado serve para muita gente se divertir. Por outro, serve como motivo de tristeza, pois você representa uma vertente do grupo de extremistas que tornaram o Brasil infeliz e socialmente fragmentado.

        Para o seu desespero, repito o que já falei aqui várias vezes: nunca votei no Lula e nem no PT. Voto sempre em quem tiver o melhor programa de trabalho e que tenha uma historia íntegra. Nas últimas eleições, esta candidata foi a Marina.

        Como o Luiz Mário comentou: você quer saber mais das pessoas do que elas mesmas. Talvez seja o resultado do mundo bipolar onde tua mente reside.

        Por fim, em uma coisa você tem a mais absoluta razão: você não merece qualquer simpatia!

        Passar bem!

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        Publicado por Jose Silva | 9 de agosto de 2018, 14:16

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