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Ecologia, Educação

Motosserra na Ufra

Os estudantes da Universidade Federal Rural da Amazônia estão se manifestando contra o machismo dentro da instituição e em outras universidades. Deveriam aproveitar para agregar mais um tema ao protesto: a presença, no campus, do escritório da Stihl, maior fabricante de motosserras do mundo, numa instalação de grandes dimensões. É um absurdo, tratando-se de uma universidade que oferece curso de engenharia florestal (além de agronômica), e que tenta dar um conteúdo ecológico ao ensino, preocupada com as agressões à natureza. Dentre as quais o desmatamento, do qual a Stihl é parceira. Desmatamento, aliás, que cresceu 40% no último ano.

Claro que no treinamento e mesmo nas aulas teóricas, os alunos vão precisar manejar o equipamento, que tem uso até nas cidades. É uma ferramenta necessária. Mas se essa lógica se generalizar, também os fabricantes de agrotóxicos, defensivos agrícolas, aviões de semeadura e outros mais poderão reivindicar o mesmo direito. Como se trata de negócio comercial, ele deve ficar fora do portão do campus da Ufra. Como o machismo.

Discussão

10 comentários sobre “Motosserra na Ufra

  1. A motosserra seria o símbolo do estupro da “mata”, virgem?

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    Publicado por Luiz Mário | 24 de agosto de 2018, 10:16
  2. E a empresa ainda está lá? Pensei que já tinham saido. A UFRA continua sendo a FCAP de sempre…

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    Publicado por Jose Silva | 24 de agosto de 2018, 12:28
  3. Caro LFP:
    O bisturi de um médico pode ser usado para salvar ou matar, assim como a peixeira pode ter várias funções.
    A motosserra é apenas uma ferramenta e não deve simbolizar nossa burrice e ignorância em não saber valorizar nossas riquezas, como a floresta.
    O manejo florestal e o reflorestamento não significam desmatamento predatório, podendo inclusive ser uma vantagem que não exploramos, pois se replantássemos com florestas uns 10% das áreas degradas a cada ano, poder-se-ia recuperar os estragos em 10 ou mais anos e, com manejo adequado, extrair ou colher dessas florestas madeiras nobres que enriqueceriam a região, mormente se unida a atividades como a indústria náutica, de móveis, esquadrias e de aglomerados, resinas, óleos, latex e essências como as do comaru e pau-rosa.
    Nesses casos dos cultivos do manejo florestal não predatório, a motosserra é um instrumento do bem.
    Agora, mais predatório é um Estado como o Pará, com grande vocação florestal e de produção de madeiras, trocar suas áreas nobres por capim e grãos, por favelas e áreas poluídas.
    Não há nenhuma política concreta para reverter isto, além de estudos antigos da enterrada Sudam, onde floresceram as ideias e estudos de Clara Pandolfo e outros luminares, que preconizavam a importância de florestas plantadas e manejo racional de florestas nativas. Se adotados desde de aquelas épocas, como foi o projeto dendê, hoje seríamos uma potência florestal, com muito mais valores agregados que a pecuária e a sojicultura, sem os impactos ambientais que a devastação por investidores pecuaristas de grandes grupos econômicos, com suas máquinas de arraste e não motosserras, cometem.
    Como o jornalista bebeu muito nessa fonte, é bom deixar registrada a memória da Dra. Clara Pandolfo, que muita falta nos faz.
    Onde jaz nossa “intelligentsia”?

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    Publicado por Jab Viana | 24 de agosto de 2018, 19:19

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  1. Pingback: Motosserra fora da Ufra? | Lúcio Flávio Pinto - 5 de janeiro de 2019

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