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Ciência

Onde está a pedrinha?

Desde o incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro, quase três semanas atrás, cada novo dia é angustiante e opressivo para Maria Elizabeth Zucolotto. Ela é a responsável pela coleção de 400 meteoritos da instituição. O Bendegó, o maior e mais volumoso deles, com cinco toneladas de ferro e níquel, popularizou a sua fama por ter resistido ao calor violento das chamas. Mas não é a mais valiosa peça da coleção. O Angra dos reis é 76 mil vezes menor. Pesa menos de 70 gramas. Mas veio do espaço muito tempo antes. Tem mais de 4,5 bilhões de anos. Em números mais exatos: 4 bilhões 560 milhões de anos.

A pedrinha não tem o poder atrativo da rocha que resistiu no seu lugar ao fogo do inferno em que o museu se transformou naquela traumática noite de domingo. O Angra é disforme. Sua superfície é irregular e porosa. Mas ele é uma fonte de pesquisas sobre a origem do sol e dos planetas, numa era em que tudo era nuvem de gás e poeira. Localizado em 1869, na belíssima Angra dos Reis, cientistas de todo mundo vão atrás dele. Foi o primeiro do total de 28 desses fragmentos, que começaram a ser coletados na década de 1990, todos identificados como angritos.

A curadora tenta, a cada novo dia, entrar na sala destruída, onde ainda tem esperança de encontrar, sob os escombros, a pedrinha valiosa para a humanidade. Teme por seu desaparecimento no meio da algaravia do rescaldo do incêndio. O Angra dos Reis vale três milhões de reais, um terço da verba excepcional que o governo federal liberou para o início da recuperação do museu, que levará pelo menso 10 anos para ser concluída.

Mas não é essa perda material o que mais deve estar fazendo sofrer a curadora. É a dolorosa lembrança de que, por não saber cuidar do seu patrimônio, o Brasil não se faz merecedor de mantê-lo. Essa integridade pode estar ameaçada por piratas estrangeiros e n~ações imperialistas. Mas eles são menos perigosos do que o dono do patrimônio, a quem, impropriamente, chamamos de nosso.

Discussão

3 comentários sobre “Onde está a pedrinha?

  1. Este é o Brasil que sempre conhecemos. É muito rápido para assimilar coisas inúteis e muito demasiadamente lento para valorizar e cuidar das coisas que realmente importam.

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    Publicado por Jose Silva | 22 de setembro de 2018, 19:09
  2. Gostei muitos das informações sobre as pedrinhas de Angra dos Reis, não conhecia e fiquei animado por saber sobre elas, conhecer um pouco sobre a riqueza de nossa historia.
    Não sobre o mesmo assunto, mas para falar sobre arte e o mercado obscuro compartilho um documentário. Cartas para um Jovem Ladrão de Livros foi uma co-produção da Globo News que já gerou bastante polemica na ideia de produção. O documentário conta a historia de estudante de biblioteconomia que roubava importantes livros das bibliotecas públicas brasileiras e revendia no mercado negro. Os estudantes de biblioteconomia e muitas instituições foram contra o filme por achar que glarimozaria esta pratica e poderia provocar um estimulo. O filme centra na vida do ladrão Laéssio, grande conhecedor de obras, passando desde o inicio dessa pratica, sua volta a cadeia como reincidente, sua vida fora da cadeia, as galerias e os compradores. O filme acompanha Laéssio que vai descrevendo sua atividade e sempre questionando o que pensa sobre o assunto, mostra uma mente ainda assim reflexiva e fértil, conhecedor das obras e até sabedor das consequências de suas atividades. O filme trás uma grande reflexão sobre o assunto e não deixa de fora a visão de outras pessoas e instituições como a policia e as bibliotecas roubadas.
    O descrição na internet: O filme conta a história de Laéssio, o maior ladrão de livros raros do Brasil. De simples balconista de padaria, ele acaba mergulhando no mercado negro das artes e se torna um criminoso incomum.

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    Publicado por Fabrício | 23 de setembro de 2018, 23:20

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