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Política

O voto da esperança (ou ilusão)

É cruel uma eleição da qual boa parte do eleitorado votará num candidato esperando que ele não venha a ser o que parece ser ou tem sido. São os eleitores que votarão em Jair Bolsonaro não porque ele afastará o PT do poder, combaterá os esquerdistas em geral, o movimento reivindicatório das minorias de todos os tipos, restabelecerá o império da ordem e dos valores tradicionais, baterá firme nos bandidos, acabará com a corrupção ou outros motivos equivalentes.

Esses eleitores esperam que o truculento candidato, com seu primarismo e ignorância, seja abençoado por uma luz súbita quando se sentar no trono do Palácio do Planalto e refaça a sua biografia negando o seu passado tão assustador aos democratas. Que, consciente da oportunidade única que as ironias e volteios da história lhe possibilitou, se submeta às regras democráticas, controle seus impulsos autoritários e renegue a sua razão bruta, ouvindo bons assessores para dar significado real à sua retórica de mudança, que ninguém conseguiu identificar c. Ou seja: que Bolsonaro deixe de ser o Bolsonaro que tem sido (ou vinha sendo, até a primeira queda nas pesquisas) até agora.

Também há eleitores que votarão em Fernando Haddad na esperança de que ele não seja um menino de recados de Lula, não se submeta às suas ordens, não o livre artificialmente (por um ato de vontade, personalíssimo) da cadeia e dos processos judiciais a que está sujeito, não repita o voluntarismo econômico de Dilma Rousseff, não se submeta ao apparatchick petista, com sua fome por cargos públicos, por hegemonia política, por monopólio ideológico e os favores do Estado.

Esses eleitores esperam que Haddad se lembre do boicote que sofreu dos seus companheiros de partido, que contribuíram para a sua derrota na tentativa de reeleição para a prefeitura de São Paulo, derrotado por esse boneco tucano chamado João Dória. Esses eleitores apostam também que a esposa do candidato, a médica Ana Estela, não se deslumbre pelo cargo de primeira dama e chame à honra e à fibra o marido, para que ele não seja fantoche de Lula e do PT.

O Brasil é um país da esperança – e da ilusão. Onde, como todos estão cansados de saber, Deus nasceu.

Discussão

11 comentários sobre “O voto da esperança (ou ilusão)

  1. É inegável que, com o PT, muitas coisas foram reveladas, sugerindo um certo amadurecimento da sociedade. Ou não?

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    Publicado por Luiz Mário | 27 de outubro de 2018, 15:28
  2. Bem, desde 2004 me afastei do PT e passei a criticá-lo, me associando a movimentos sociais como, por exemplo o Luta Popular, em SP.
    Ontem um homem me ameaçou no meio de uma apresentação do meu grupo de samba. Perguntou se eu não tinha medo de me expor na rua e disse que era meu fã. Na mesma madrugada um casal de amigas foram agredidas quando voltavam para casa. Já não é uma questão de PT ou não PT, é uma discussão sobre diretos, democracia, possibilidade de ser oposição ou fascismo e silenciamento.

    Abraços

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    Publicado por Paloma Franca Amorim | 27 de outubro de 2018, 15:50
  3. Os mesmos infalíveis, percucientes e oniscientes analistas que hoje dizem que o Haddad é um “poste” do Lula, diziam em 2010 que Dilma também era um “poste” do mesmo Lula.

    Ao se fazer uma análise infalível e percuciente, cheia da mais pura verdade, como é bom ter uma só palavra mágica, que seja capaz de dizer tudo sem a necessidade de explicar nada. Basta dizer a palavra mágica: “poste”! Se for do Lula… aí é que não precisa dizer nada, mesmo! É como “Shazan!” para o Capitão Marvel (que, agora na DC, nem mais é “Marvel”… é “Shazan” só).

    E, embora tenha se pendurado no Lula pra ser eleita e reeleita, no fim Dilma nem era tão “poste” dele assim…

    Antes fosse. Talvez não tivesse dito e feito tanta besteira.

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    Publicado por Elias Granhen Tavares | 27 de outubro de 2018, 16:45
    • Dilma foi um poste que se impôs no segundo mandato. Haddad foi um poste no primeiro turno, mas tenta se “desenpostar” no segundo turno, mas, tudo indica, sem sucesso. Dom Lula queria o Bozo na final, pois achava que seria fácil ganhar. Talvez isolado em Curitiba ele não tenha percebido o que estava vindo.

      Agora sabemos que o Bozo é poste da UDR, que pagou as contas da sua campanha desde o primeiro momento. Agora veremos como ele conciliará (se for eleito) o liberalismo radical do Guedes com o corporativismo movido a subsídios da FIESP e UDR. A previsão é uma enorme confusão!

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      Publicado por Jose Silva | 27 de outubro de 2018, 17:56
  4. Isso!
    Além de Haddad ser um “poste”, foi Lula quem colocou Bolsonaro no 2º turno.

    A incompetência das demais forças políticas não teve nada com isso.

    Como é bom fazer análise usando palavras mágicas…

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    Publicado por Elias Granhen Tavares | 27 de outubro de 2018, 18:01
    • Bem. Foi isso que os estrategistas do PT falaram no início da campanha. Pode fazer a busca que você encontrará. Acreditavam que usando palavras mágicas teriam um retorno fácil ao poder. Veremos amanhã se eles estavam certos. Elias, você já jogou a toalha, foi?

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      Publicado por Jose Silva | 27 de outubro de 2018, 20:40
  5. quanto mais eu leio o Lúcio Flávio mais tenho convicção que vou votar no Bolsonaro

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    Publicado por luiz carlos | 27 de outubro de 2018, 18:44
  6. Concordo plenamente c/ Paloma. Minha solidariedade. Vamos c/ a esperança e a eterna vigilância, muito mais pro-ativa. Abraço
    #ImprensalivreEstadoDeDireito

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    Publicado por Amelia A. Oliveira | 27 de outubro de 2018, 21:09

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