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Política

Ciro esquenta o ar

Imediatamente após não ter conseguido passar para o 2º turno, Ciro Gomes, candidato do PDT, que teve a terceira maior votação para a presidência da república no 1º turno, de 13 milhões de votos, viajou para a Europa. Ontem, quase um mês depois, ele fez suas primeiras declarações públicas à Folha de S. Paulo, que publicou hoje a entrevista.

Embora tenha anunciado que deixaria a vida pública se Jair Bolsonaro vencesse a eleição, ele disse que a decisão foi tomada “comovidamente”. Ficou perplexo com o resultado da votação, o que lhe recomenda não querer ser mais intérprete do que é o Brasil.

Atendendo a  “um milhão de apelos de gente muito querida”, vai continuar na luta, o que significa que poderá vir a ser candidato novamente, já que “o país ficou órfão”. Pensar nisso, porém, seria “um mero exercício de especulação, porque a adrenalina não pacificou. Só essa cúpula exacerbada do PT é que já começou a campanha de agressão”. Ele acha que o melhor é aguardar: “o país precisa se renovar”.

O ex-governador do Ceará acha que em outubro aconteceu “uma reação impensada, espécie de histeria coletiva a um conjunto muito grave de fatores que dão razão a uma fração importante dessa maioria que votou no Bolsonaro”.

Esse estado de ânimo teria relação direta com o “lulopetismo”. que virou “um caudilhismo corrupto e corruptor que criou uma força antagônica que é a maior força política no Brasil hoje. E o Bolsonaro estava no lugar certo, na hora certa”. Contra ele, agora, “o petismo fanático vai chamar os 60% do povo brasileiro de fascista”.

Declarando-se traído pelo PT, Ciro diz que, “se eu puder”, não quer mais fazer campanha para o Partido dos Trabalhadores. Dessa forma, manifesta uma intenção sem garantir que a seguirá. Em meio a um mistério, sugere que votou em Fernando Haddad, sem enfrentar a especulação dos petistas sobre sua opção por Bolsonaro.

Responde no mais genuíno estilo “cirogomes: “Eles podem inventar o que quiserem. Pega um bosta como esse Leonardo Boff [que criticou Ciro por não declarar voto a Haddad]. Estou com texto dele aqui. Aí porque não atendo o apelo dele, vai pelo lado inverso. Qual a opinião do Boff sobre o mensalão e petrolão? Ou ele achava que o Lula também não sabia da roubalheira da Petrobras? O Lula sabia porque eu disse a ele que, na Transpetro, Sérgio Machado estava roubando para Renan Calheiros. O Lula se corrompeu por isso, porque hoje está cercado de bajulador, com todo tipo de condescendências”.

Bajuladores como Gleisi Hoffmann, Leonardo Boff e Frei Betto. Não dizem a Lula “que não pode fazer o que ele fez” ou que “não pode fraudar a opinião pública do país, mentindo que era candidato”.

O ex-ministro da Fazenda de Itamar Franco inclui nessa fraude o convite que Lula lhe fez para ser vice na candidatura para presidente. ‘Esses fanáticos do PT não sabem, mas o Lula, em momento de vacilação, me chamou para cumprir esse papelão que o Haddad cumpriu. E não aceitei. Me considerei insultado”. E também “miseravelmente traído”: “Aí, é traição, traição mesmo. Palavra dada e não cumprida, clandestinidade, acertos espúrios, grana”. Traição praticada por Lula “e seus asseclas”.

Para Ciro, o PT elegeu Bolsonaro. Uma das formas de provocar esse feito teriam sido as visitas semanais de Haddad a Lula na prisão em Curitiba. “Quem acha que o povo vai eleger pessoa assim? Lula nunca permitiu nascer ninguém perto dele. E eles empurram para a direita, que é o querem fazer comigo”.

Ciro rejeita uma dessa aglutinação de esquerda contra Bolsonaro: “Isso sempre foi sinônimo oportunista de hegemonia petista. Quero fundar um novo campo, onde para ser de esquerda não tem de tapar o nariz com ladroeira, corrupção, falta de escrúpulo, oportunismo. Isso não é esquerda. É o velho caudilhismo populista sul-americano”.

Uma amostra dessa outra postura é o entendimento de Ciro sobre a ameaça à liberdade de imprensa. “Não acho que tem havido nenhuma ameaça à liberdade de imprensa até aqui. Por isso que digo que uma das centralidades do mundo político brasileiro deveria ser um entendimento amplo o suficiente para cumprir a guarda da institucionalidade democrática. E um dos elementos centrais disso é a liberdade de imprensa. A imprensa brasileira nepotista e plutocrata como é parte responsável também por essa tragédia”.

A entrevista de Ciro Gomes, com acertos e erros, ponderações e exageros, revelações e ocultações, é extremamente útil: estimula a reflexão sobre a eleição antes que ela esfrie.

Discussão

24 comentários sobre “Ciro esquenta o ar

  1. Notícia velha. Chega, Lúcio. Aceita que dói menos. Tá ficando feio pra ti.

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    Publicado por Ex-leitor do JP | 31 de outubro de 2018, 12:35
  2. Lúcio, qual a sua análise da entrevista do Ciro?

    Tudo indica que ele não faz o que promete: se aposentar se perdesse. Como é esperto, ele sabe que há uma lacuna enorme a ser preenchida na centro-esquerda.

    É este o plano dele daqui em diante: ser o Anti-Bozo!

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    Publicado por Jose Silva | 31 de outubro de 2018, 13:16
  3. Ciro não menciona o que realmente faltou para que ele tivesse uma votação tão mixuruca.

    Faltou voto! Ele não venceu nem no Ceará.

    Desde 2002 que ele tenta, e o eleitorado dele cresce feito rabo de cavalo: cada vez mais perto do chão.

    Nessa entrevista à FSP, Ciro faz um exercício de raciocínio amalucado, pra culpar Lula e o PT pelo insucesso dele. Por terem os petistas “impedido” que o PSB o apoiasse. A julgar pelo que ele disse, o PSB é pouco mais que um aglomerado de macacos amestrados, prontos a obedecer as ordens do domador (o PT, claro…).

    Ora, o PSB atendeu ao que o PT propôs, atentando aos seus próprios interesses políticos, que são tão legítimos quanto os de Ciro, com sua ideia fixa de se tornar presidente da República. E o PT construiu sua tática, partindo do princípio de que seria impossível conciliar as pretensões políticas do partido com as de Ciro. Sem Lula na disputa, a primeira vaga no 2º turno já estava mais do que definida: era de Bolsonaro. Todos os demais candidatos estavam disputando a segunda vaga. Só uma egolatria patológica e carente de tratamento especializado explicaria por que Ciro Gomes acha que o PT deveria se sacrificar, e colocar azeitona na empada dele.

    A referência que ele faz ao PSB só pode ser considerada desonesta, porque ingênuo a gente sabe que o Ciro Gomes não é. O PSB não é um partido. É uma sigla, um escritório eleitoral, que atua segundo conveniências locais. Não tem uma linha nacional de atuação. Isso é típico de um sistema político-partidário falido, como o do Brasil.

    O estado de São Paulo é emblemático. Lá, o candidato do PSB ao governo do estado, apoiou o candidato do PSDB à presidência. O candidato do PSDB à presidência, apoiou o candidato do PSB ao governo do estado, CONTRA o candidato de seu próprio partido. E este, apoiou a candidatura do Bolsonaro à presidência, também CONTRA o candidato tucano.

    Onde é que Ciro Gomes entra, nessa história? Não entra! Essa a questão. Ele jamais teria o apoio “do PSB”. No máximo, ele teria o apoio de partes do PSB, onde e quando isso parecesse conveniente aos interesses locais.

    E por que ele próprio, Ciro, não conseguiu esse apoio parcial, sem a ajuda de ninguém? Simples: porque ele não tinha o que oferecer, como contrapartida. Ele queria que o PT, seu concorrente, proporcionasse essa contrapartida. Pura demência!

    Logo, logo, vão aparecer os “gabaritados analistas” de sempre, dizendo que Lula e o PT são culpados da vitória de Bolsonaro, do esfrangalhamento do PSDB, da evaporação da Marina, e sabe-se lá mais o quê…

    Ou seja: o Lula e o PT, em vez de carregar o “poste” do Haddad, deveriam ter carregado o “poste” do Ciro, o “poste” do PSDB…

    Ora, pessoal… Isso já é problema médico! O melhor que vocês fazem é tomar os tarja preta de vocês no horário certo. E comparecer ao consultório nas datas e horários mercados.

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    Publicado por Elias Granhen Tavares | 31 de outubro de 2018, 14:12
  4. Ciro fala que o PT está chamando de “fascistas” os 55 milhões de eleitores que votaram em Bolsonaro.

    Mentira! A orientação de Lula e da direção do PT é cuidar das questões organizativas, e deixar a atuação oposicionista pra fevereiro de 2019.

    Eu acrescentaria: pra depois do carnaval.

    Agora, o governo Bolsonaro não tem nem uma direção para ser criticada. Um exemplo disso é o bate-boca público de Guedes com o Lorenzoni. De Bolsonaro com os empresários industriais, etc.

    Só na cabeça do Guedes, cabe esse papo de aprovar a reforma da previdência ainda em 2018. Um monte de gente está de aviso prévio na Câmara e no Senado. Se o Bolsonaro negociar com esse pessoal agora, loteando cargos, por exemplo, ele vai gastar munição escassa com um único alvo. Em 2019, quando ele for negociar com os novos deputados e senadores, boa parte do que ele poderia oferecer já terá sido gasto.

    O Bolsonaro jamais faria algo assim. Ele é um político pra lá de esperto. Se não fosse, não teria obtido 7 mandatos consecutivos de deputado federal, num dos colégios eleitorais mais complicados do Brasil: o do RJ. Ele prefere deixar as negociações pra 2019, quando, pelo mesmo preço, ele poderá comprar muito mais que uma reforma de previdência meia sola.

    A simples insistência do Guedes, numa conduta tão flagrantemente burra, dá a medida da utilidade política que ele terá, no próximo governo.

    Bolsonaro já demonstrou que joga no primeiro time das raposas políticas do país, tal como Lula, Jader e uns quatro ou cinco mais. Nesse time, Guedes não entra nem como gandula…

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    Publicado por Elias Granhen Tavares | 31 de outubro de 2018, 14:28
  5. Não sei exatamente se foi um insucesso pleno de Ciro, de que não teria chances nenhuma de chegar ao final da corrida presidencial. Mil desculpas, mas acho hipocrisia chamar Ciro Gomes de eterno pretendente a presidente sem chances reais sem olhar para Fernando Haddad. Foi apresentado só como ex-ministro da educação por que não conseguiu se manter no governo em São Paulo. Cumpriu um papelão uma vez que era só mais um indicado não do partido, mas do próprio Lula, como muitos postes que surgem e tem apenas na campanha o maior marketing o nome do partido. Como já era apontado pelo Lúcio, poderia ser Jacques Wagner, Gleise Hoffman, ou qualquer outro nome do PT de dentro ou de fora, mas que Lula não deixa ninguém crescer ao seu redor, pra candidato ficaria com seus bajuladores.
    Para o partido os movimentos de negociação com o PSB podem ser minimizados, que foi democrático e totalmente natural a venda e compra de candidaturas para fechar um acordo nacional. No inicio da campanha não apenas isolou a candidatura de Gomes como a considerou o que chamas agora, mais um pretendente sem chances reais. Talvez ele tenha levado a sério demais, quem faz não vê importância, mas quem sofreu realmente se sentiu traído e armou sua metralhadora. E depois de feito tudo, quando precisou veio exigir apoio das mais diversas justificativas com assertivas que antes desprezava.
    Tanto era a pretensão de representar as esquerdas brasileiras que achavam que iriam ganhar sozinhos, e deu nome a tal hegemonia petista ao que realmente são, oportunistas. Ruim foi que mesmo a oportunidade não era favorável, pois fizeram parte desse descredito.
    Acho que Ciro Gomes fez certo em se manter quieto com alguém que não concordava e dizia que ia fazer oposição também de qualquer forma. Ninguém era obrigado a escolher entre o ruim e o péssimo se é oposição aos dois. Não há nos manuais que os vencidos devem obrigatoriamente escolher uma posição entre os finalistas, apesar da maioria ter se posicionado. O que fez era fruto que apontava desde o inicio.
    Partidos maiores e de centro se omitiram e liberaram o partido com a justificativa de não ter de apoiar o pt, isso foi uma brecha para novos dirigentes, sem uma carga ideológica grande e antigos caciques, se valerem do oportunismo de poder crescer apoiando o mais forte. FHC, já sendo isolado no partido cobrava uma volta a antiga posição de centro esquerda, além de sem poder apoiar o petista demonstrou mais simpatia do que as propostas do outro candidato.
    Houve uma sucessão de erros, que não são de agora, que levaram o pt ao buraco onde se encontram. Pode se culpar Gomes e chama-lo de traidor ou omisso, mas não houve promessa anterior. Que sim, o pt chama os demais de facistas quando em seus encontros gritam “facistas não passarão” e passaram. O que está na frente concordo plenamente ser, os que vão atrás, não, apenas vão seguindo. Também pode-se olhar outras milhões de causas que levaram a isso, só sei que a consequência foi triste e drástica. Tens razão que a cada dia as medidas anunciadas se superam, uma pior que a outra. Que também em diversos estados apareceram tantos novatos, literalmente, que nunca tiveram contato com o setor público e a maior propaganda e diminuir o mesmo, implodir o governo por dentro, veremos onde iremos.
    Mas também espero o Lúcio falas das noticias regionais. Massacre, fuga de presidio, noticias do governador já querendo estancar operação. Por aqui as coisas não andam muito boas também.
    triste.

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    Publicado por Fabrício | 31 de outubro de 2018, 15:41
  6. Ciro mitou. A referência à Folha ao final foi impagável.

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    Publicado por jjss555 | 31 de outubro de 2018, 18:40
  7. Elias, o Ciro ganhou no Ceará sim, é ao meu ver, se o PT não fosse o partido que se tornou deveria ter apoiado.

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    Publicado por Boss | 31 de outubro de 2018, 22:51
  8. Finalmente o Bozo anunciou alguma coisa boa: recriar o MCT, que tinha sido extinto pelo Temer, transferir o ensino superior da educação para o MCT e nomear o astronauta para o ministério. Ele pode não ser cientista, mas no período na NASA ele aprendeu a como gerenciar ciência e tecnologia.

    Parece também que ele está voltando atrás da ideia ridícula e primária de fundir agricultura com meio ambiente. Parece que avisaram para ele que isso traria prejuízos enormes para a agricultura brasileira por causa das tarifas não-alfandegarias.

    Não gosto da ideia da indústria ir para perto da fazenda. Não faz sentido do ponto de vista operacional. Se ele quiser fundir coisas ele poderia colocar indústria, agricultura, Minas (mas não energia) e turismo juntos como ministério da produção. Por outro lado, faz sentido juntar transporte, energia (mas não minas) e desenvolvimento regional como parte do ministério da infra-estrutura. Também faz sentido juntar educação (sem o ensino superior), cultura e esportes.

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    Publicado por Jose Silva | 1 de novembro de 2018, 06:57
  9. José Silva,
    No dia 7 de setembro você escreveu o seguinte comentário:
    “Apesar dos fatos recentes, não há a mínima chance do Bolsonaro ser eleito. No primeiro turno é impossível, dada a sua altíssima rejeição. Se ele passar para o segundo turno, ele perderá para a coligação da centro-esquerda que se formará. Em caso de segundo turno, ele poderia comprar o centrão, que parece já estar pulando da canoa do Alckmin, mas isso seria ir contra o que ele prega. Veremos. Não acho que ele tenha muita margem para crescimento, até porque a população brasileira se dividiu em relação ao atentado.”
    Agora que o Bolsonaro venceu você o chama de Bozo. Espere pelo menos um ano para criticá-lo. Ok?

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    Publicado por Bernard | 1 de novembro de 2018, 08:34
    • Bernard,

      Obrigado por trazer esta mensagem novamente. Eu já dei a mesma resposta para o anônimo (segue ela novamente):

      1. Disse que ele não seria eleito no primeiro turno tal como queriam os bolsonaristas. Ponto para mim.

      2. Disse que no segundo turno ele perderia para a coligação de centro-esquerda que se formaria. Pois bem, a coligação não foi formada, pois nem o Ciro e nem o PSDB apoiaram o Haddad. Por isso o Bozo ganhou. Ponto para mim novamente.

      3. Disse também que a estratégia do Bolsonario no segundo turno seria comprar o centrão, coisa que não combinava com o que ele falava, por isso não acreditava na vitória dele. Entretanto, o que aconteceu? Depois do primeiro turno o centrão e os ruralistas foram em peso apoiar o Bozo a um custo muito alto. O preço será cobrado depois. Pode ir se preparando. Ponto para mim novamente.

      4. Sobre o atentado, a polícia federal disse que o cara trabalhou sozinho. Até agora não encontraram nenhuma evidência contra esta hipótese. Ponto para mim novamente.

      Sobre o Bozo, é assim que muitos apoiadores dele (dos quais eu não me incluo) chamam o presidente eleito. Eu não tenho culpa do sobrenome que ele recebeu.

      Qual a razão de esperar um ano? Qualquer presidente eleito ao redor do mundo é monitorado e alvo de críticas e elogios a partir do final das eleições. Bozo foi eleito dizendo que tinha um plano bem estruturado e uma equipe pronta e selecionada para colocar o país nos eixos. Agora, sabemos que este não era o caso.

      Como bem apontou o Ronaldo: depois das eleições vêm as consequências!

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      Publicado por Jose Silva | 1 de novembro de 2018, 11:02
  10. Boss,
    Tem razão! Ciro venceu no Ceará. Pelo menos isso.

    Fabrício,
    Eu não disse que Ciro é o “eterno candidato”. Eu disse que ele vem tentando desde 2002, e, de lá pra cá, não capitalizou nada. Aliás, nem ele nem a Marina.

    Ciro não estruturou uma proposta nem um partido político, não criou uma base de apoio própria, etc. Ele quer que outros façam esse trabalho e, depois, coloquem-se a serviço das ambições pessoais dele. E, se os outros se recusarem, ele endoida!

    Mas, nada de “eterno candidato”. Até porque é questionável se ele segura a barra a ponto de se tornar viável em 2022. Provavelmente não. Acho que Ciro vai derreter, e, ao que parece, ele próprio acha isso. Daí porque está rosnando e mordendo feito um desesperado.

    Agora, se tu disseres, como Vinicius, “enquanto dure”, então Ciro terá sido “eterno” até 2018.

    No momento, ele parece tomado por uma carga avassaladora de SMD. Mas, pra quem consegue ver um palmo adiante do nariz, já está mais do que claro. Ciro está desesperado, porque sabe que está derretendo.

    Na entrevista à FSP, ele disse que Lula é prevaricador, desonesto, que Lula sabia da roubalheira na Petrobras, que ele próprio avisou Lula disso, etc., etc.

    Mas não disse por que não denunciou publicamente a roubalheira na Petrobras. A se dar crédito ao que ele disse, só fica claro é que, ele, Ciro, sabia da roubalheira na Petrobras, e não à denunciou à Justiça, nem mesmo aos órgãos federais de controle interno e externo. Não é possível provar que ele disse alguma coisa a Lula, mas já está confessado por ele, que ele sabia da roubalheira na Petrobras. E pode ser facilmente provado que ele não denunciou a quem de direito: ao Judiciário, à CGU (controle interno), e ao TCU (controle externo). Isso faz de Ciro, pelas próprias palavras dele, um cúmplice da roubalheira na Petrobras.

    Também Ciro parece ter esquecido de que, há alguns meses, ele bradou em altas vozes pela inocência de Lula, e propôs ao PT que Lula fosse “sequestrado” e levado a uma embaixada estrangeira, onde se pediria “asilo”, a fim de que Lula pudesse exercer livremente o direito de ampla defesa, que estaria sendo negado pelo Judiciário.

    Esse aí é um dos maiores problemas do Ciro e do irmão dele. Ambos tendem a se portar como desequilibrados. São instáveis. Parecem dois psicóticos. Não dá pra escrever o que eles dizem. À menor contrariedade, eles mudam radicalmente de opinião a respeito de qualquer coisa.

    Imagina isso aí eleito presidente da República… Eu passo!

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    Publicado por Elias Granhen Tavares | 1 de novembro de 2018, 09:06
    • Perfeito, Elias. Obrigado pela resposta.
      Acho Ciro destemperado e por vezes um tanto quanto incoerente no que diz, como tantos outros políticos. É alguém qualificado e de ideias, seria alguém preparado se suas pretensões a ditador e destemperos, somados a toda sua passionalidade por vezes não ofuscassem isso.
      É popular na internet justamente pelo que fala, na cultura que cultivam do tal mitou, ganhei a discussão com as melhores respostas, nem sempre os melhores argumentos. Essa cultura é sempre no ganhou e pronto a discussão acabou, uma vaidade de apenas se mostrar em público como vencedor, o que cultiva intolerâncias e grosserias. Imagens e paginas de fans de uma cultura artificial que geralmente é manipulável tanta em respostas que existem, criadas em montagens intencionais, quanto na própria facilidade de disseminação, tornar isso popular. Mas deixemos essa análise pra outra hora.
      Fora da internet ou de um palco politico, diferentemente ele não era noticiado em gabinete público com alguma noticia de boa gestão da administração, apesar de sempre falar do local, o Ceará. Pode se debitar a isso o isolamento e a falta de alianças, ou nem tanto, como realmente pode não ter sido. Já é um nome nacional e conhecido de muitas eleições, pessoalmente acho que não conseguiu muitos votos por ser um disputa acirrada com tantos candidatos e de um eleitorado de esquerda que se dividiu. Sabemos que o eleitorado do pt é grande e manteve unidade, mesmo diante do caos. Apesar de não ter ganhado eleição foi uma votação ainda expressiva, mas as previsões são de que também degenere.
      De todos os nomes o que realmente perdeu força foi Marina Silva, foi alguém que, errou como Ciro, sumiu do cenário politico. Nunca sentou na cadeira como chefe do executivo e não tem forças no próprio Acre onde os irmão Viana tinham hegemonia, e nem ocupou espaço mesmo agora quando eles perdem força. Sem posicionamento firme e ideias concisas não criou empatia em meio a tantas candidatos e derreteu completamente. Ele pode ser líder e comandar o partido, mas se tornou bem menor que ele. Para sobreviver precise talvez se unir ao PV partido com ideias mais próximas.
      Acho que a posição de Ciro é de oportunidade, oportunismo se quiserem, ainda que inconsciente. Característica de sobrevivência politica em meio ao seu degenerar, realmente ele está derretendo. A posição de anti petista é de tentar cativas um eleitorado, afinal o anti-petismo venceu a eleição. Essa estratégia perigosa e arriscada, uma vez que defendeu mesmo Lula e foi um critico ferrenho de Bolsonaro. Outra coisa é que essa própria critica petista ele adquiri antipatia desse eleitorado, de uma esquerda que era mais próxima dele, que de raiva o acusa de omissão e mil e uma culpa. E tomando posição como centrista tenta capturar um eleitorado como os de que elegeram Bolsonaro e não são tão afeitos a ele, vai ter trabalho em tentar se mostrar qualificado, conquistar esse público e não cair nos mesmos erros.
      O ambiente do cenário mudou, os ânimos são outros, se espera muito com poucos recursos, a imagem é radicalmente diversa ao que se tinha, cabe ver como os personagens se comportarão, mas na mesa de jogo tá o país.

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      Publicado por Fabrício | 1 de novembro de 2018, 12:01
    • Ainda que Ciro não tenha conseguido uma votação expressiva e um dos poucos políticos de nome, já conhecidos, que tem capacidade para se candidatar e concorrer a presidência. Fora ele temos uns outros que para ser real a possibilidade teriam de ter muito trabalho. Bolsonaro é só uma imagem distorcida de tudo de ruim que vem antes, uma pretensão (enganação na verdade – falseamento) de herói.
      Quando falei em degenerar me referi ao Partido dos Trabalhadores, mas que também vale a Ciro.
      Perdão pelo uso incoerente dos artigos definidos. Quando fala de Marina me deve ser tratado a Ela, e não erroneamente Ele, como coloquei, que pode fazer pensar ser Ciro, de quem falava, mas digredir para exemplificar também Marina Silva na situação.
      Alckmin nem se fala, este sim é só uma promessa de campanha em meio ao eterno eleitorado plutocrático e anti-petista paulista em sua eterna imagem da dinâmica de trabalho e dinheiro, de roda da economia, que tenta passar a anos em cada eleição ao resto do Brasil. O PSDB totalmente perdido vai encolhendo, tal como o antigo PFL que disputava com o PMDB alguma posição, encolheu e mudou de nome meio a impopularidade para não sumir. Nem mudar de nome para voltar as tais origens, como o PMDB que agora é MDB, pode.
      Fora isso, achei uma ótima análise e muito bom o debate.
      Forte Abraço.

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      Publicado por Fabrício | 1 de novembro de 2018, 12:18
  11. É verdade que Haddad era um desconhecido do eleitor, que tinha apenas 6% das intenções de voto, etc.

    Mas também é certo que o PT contava — como de fato contou — com a capacidade de Lula de transferir voto. Tanto que transferiu. Haddad passou por cima dos concorrentes, foi ao segundo turno e conseguiu endurecer o jogo. Ele e o PT não conseguiram conquistar a simpatia de pelo menos uma parcela — um terço, p.ex. — dos 42 milhões de eleitores que votaram em branco, nulo ou não compareceram às urnas. Como sempre, para o PT, era esse o campo de batalha. Em 4 oportunidades, o PT foi em cima e faturou. Agora, não deu.

    E Ciro? Ciro não era um desconhecido. Foi governador, foi ministro por mais de uma vez… e desde 2002 tem sido candidato à Presidência da República. Por que ele não conseguiu o 2º lugar?

    Simples: porque Ciro não tem voto. O texto do Lúcio foi escrito de modo a criar uma falsa impressão de desempenho. Ciro ficou em “3º lugar”. O terceiro, como se sabe, vem logo depois do segundo.

    Mas, não tão rápido, em se tratando de eleição. Ciro teve 13 milhões de votos, o que representa menos de um terço da votação de Haddad, e menos de um quarto da votação de Bolsonaro. Não se trata, portanto, de um “3º lugar”, apenas. Foi um DISTANTE 3º lugar.

    Em 2018 Ciro foi, apenas, um pouco mais que nada. Alckmin, Marina e Meirelles foram nada, mas eles estão pagando o preço pelas canoas furadas em que embarcaram em 2014 (Marina), e 2016 (principalmente Alckmin e Meirelles). Ciro não aderiu a esse mergulho suicida e está em campanha desde 2002. Mais d
    e uma década e meia! Antes de entrar voluntariamente na arapuca do PSDB, a Marina cravou 20 milhões de votos. E Ciro ficou em 13 milhões… um tremendo fracasso!

    O que Ciro queria é que Lula e o PT o carregassem nas costas. Depois de ter errado com Dilma, Joaquim Barbosa e tantos outros mais, seria muito esperar que Dom Ignácio Calamar colocasse no seu passivo esse desequilibrado…

    Não. Melhor que ele não tenha feito isso. E o Ciro que vá tomar seus tarjas pretas e ache alguém pra se consolar da SMD.

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    Publicado por Elias Granhen Tavares | 1 de novembro de 2018, 09:37
    • Elias está certo. A função do PT é escolher candidato, disputar as eleições e conseguir votos. Os outros candidatos e partidos que façam o mesmo.

      O que o Elias não pode reclamar é da estratégia digital de fake news adotada pello Bozo e correligionários, pois esta foi adaptada da estratégia adotada pelo PT na campanha de 2014. Efeito bumerangue, portanto.

      No final das contas, o PT não se saiu tão mal e a vitória do Bozo não foi avassaladora tal como ele queria. Faz bem para a democracia ter uma oposição organizada e estruturada para frear e denunciar políticas que possam prejudicar a população e o país.

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      Publicado por Jose Silva | 1 de novembro de 2018, 11:08
  12. Ciro está se saindo mais que um perfeito oportunista, Tenta usar a estratégia de Jânio Quadros: “renunciar” para retornar nos braços do Povo.

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    Publicado por Luiz Mário | 1 de novembro de 2018, 10:16
  13. Ciro Gomes é a melhor opção para presidente pela gestão qualifica, experiência e projetos e é ficha limpa, mudar de idéia todo mundo muda, que crime ele cometeu se falou que deixaria a política e agora resolveu rever a decisão?? Nem PT e nem Bolsolixo o melhor para o Brasil é Ciro Gomes

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    Publicado por Ronaldo Martins | 1 de novembro de 2018, 13:51
  14. José da Silva, fugindo um pouco do lero-lero de alguns colunistas:

    1 – A interpelação judicial feita pelo PT e pelo PDT, a partir de notícia veiculada pela FSP, tem como objeto a participação de pessoas jurídicas no financiamento da campanha do Bolsonaro. É de importância secundária se são falsos ou não, os conteúdos que essas empresas impulsionaram.

    2 – Mesmo que os conteúdos fossem verdadeiros — e é perfeitamente possível que vários desses conteúdos sejam verdadeiros — ainda assim o processo seria movido, e seria perfeitamente cabível: pela atual legislação eleitoral, considera-se crime a participação de empresas no financiamento de campanhas eleitorais, sendo irrelevante se essas empresas estão ou não disseminando conteúdos falsos.

    O esforço que alguns jornalistas têm feito, no sentido de atribuir maior importância à veracidade ou não do conteúdo, é, apenas, uma estratégia para desviar a atenção dos mais ingênuos. Chama-se a atenção para o que é irrelevante — e que, de resto, pode ser atribuído também ao reclamante — e silencia-se sobre o que realmente importa, que é o cometimento de crime eleitoral.

    Ninguém sabe, ainda, precisar a importância que as “fakes” efetivamente tiveram, na formação da opinião do eleitor em 2018. Em grande medida, as “fakes” circulam no interior de grupos de pessoas que só integram aqueles grupos, porque comungam das mesmas opiniões que os demais componentes. Nesses casos, as “fakes” somente fazem chover no molhado.

    Nos grupos plurais, as “fakes” tendem a ser desmentidas, e acabam desmoralizadas. Foram nesses grupos que, em 2018, explodiram as porradas homéricas entre velhos amigos, pessoas da mesma família, etc. Conheço mais de uma família em que os irmãos, cunhados, pais, primos, etc., se desentenderam por causa de notícias impulsiondas nas redes sociais. Pra isso as impulsionadas serviram. Mesmo nesses casos, não sei de ninguém que tenha alterado sua intenção de voto por influência de alguma “fake”. Bem que gostaria de ser algum estudo sobre o assunto.

    No assunto dos desentendimentos entre parentes e amigos nas redes sociais, por causa das eleições, tem até uma anedota sobre o “churrasco da reconciliação”: os eleitores do Haddad dariam a carne; os do Ciro, as cervejas; do Meirelles, vinhos; do Alckmin, refrigerantes; da Marina, sobremesa, e assim por diante. Os eleitores do Bolsonaro… não serão convidados!

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    Publicado por Elias Granhen Tavares | 1 de novembro de 2018, 13:57
    • Pois é..ainda falta ver o que o TSE falará sobre os contratos de impulsiobamento de notícias. Para mim não acontecerá nada dadas as circunstâncias.

      As fakes servem para disseminar boatos e manchar reputações. Elascrem sim um impacto sobre o voto é as atitudes do eleitor. Como fui mesário nestevano, vi um bocado de eleitores do Bozo chegando nervosos para votar porque tinham ouvido pelas fakes que a eleição estava sendo fraudada.

      A coisa foi feia mesmo, O mais interessante é que os acusavam a urna eletrônica de fraudulentas antes da eleição agora ficam quietos com o sucesso da democracia.

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      Publicado por Jose Silva | 1 de novembro de 2018, 23:05

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