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Petróleo, Política

Obstrução da justiça

(Publicado no blog em 5 de maio de 2015)

Richard Nixon (1919/1994) foi um dos mais populares e poderosos presidentes dos Estados Unidos. Ele teria sobrevivido ao escândalo de Watergate e concluído em glória seu segundo mandato se não tivesse gravado todas as conversas que travou no mítico Salão Oval da Casa Branca, em Washington, enquanto comandava a escuta clandestina na sede do Partido Democrata, seu oponente, e a ocultação das provas da sua participação nesse episódio.

Quando a existência das fitas se tornou conhecida, a justiça e o parlamento exigiram que o presidente as entregasse. Ele relutou e tentou manipular a divulgação das gravações, mas foi cercado de tal maneira que não teve alternativa. Produziu as provas que o levaram a renunciar para não sofrer o processo de impeachment, em 1974. Saiu pela porta dos fundos da sede do governo americano, carregando uma dúvida bem hamletiana: por que fez as gravações?

Esse precedente me veio à memória ao acompanhar, ontem, a entrega à CPI da Petrobrás das gravações das 12 últimas reuniões do seu Conselho de Administração, que aprovou decisões pesadamente prejudiciais à estatal, com a participação da então ministra e hoje presidente Dilma Rousseff.

Os registros de áudio e vídeo remontam até setembro do ano passado. Por coincidência, foi quando a Operação Lava-Jato começou a identificar os corruptos que roubavam a Petrobrás, dentro e fora da empresa.

A Petrobrás diz que todas as gravações anteriores a setembro de 2014 foram destruídas. E que essa destruição é autorizada por norma do regimento interno do Conselho de Administração. Não explicou quando essa norma entrou em vigor. Nem deu maiores explicações sobre a destruição do material.

Nixon só cedeu as fitas que o comprometiam de vez quando foi ameaçado de se tornar réu pelo crime de obstrução da justiça. A que ponto de chegará no episódio brasileiro, com a aparência de vir a se tornar um Petrobrásgate?

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2 comentários sobre “Obstrução da justiça

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