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Grandes Projetos, Minério

O que a Vale redescobre?

A Vale, dona da província mineral de Carajás, no Pará, a maior do planeta, faz há meses uma campanha institucional através da mídia, talvez a maior em curso no Brasil. O mote da campanha é a expressão (re)descobrir, que definiria a natureza da companhia, desestatizada no governo Fernando Henrique Cardoso, em 1997. Diz o texto de abertura:

“Questionadores, inquietos, desafiadores, somos redescobridores.

Porque, para nós, redescobrir é sinônimo de evolução. Acreditamos que não existe nenhuma ideia no mundo que não possa ser reinventada, repensada e melhorada. Porque é possível, sim, fazer melhor, de maneira mais eficiente e sustentável. E é assim, redescobrindo soluções para essas questões, que vemos novas formas de enxergar o futuro”.

Uma pergunta coerente com esse desafio que os paraenses podem fazer é: a Vale pode redescobrir um papel não colonial para o Estado do Pará? Pode redescobrir um meio de dar aproveitamento industrial ao seu minério de ferro, o mais rico do planeta?

Com a resposta, o redescobridor, se a possui ou está disposta a procurá-la, com seu faro inventivo.

Discussão

17 comentários sobre “O que a Vale redescobre?

  1. Devemos sim é redescobrir o que a Vale faz por Nós alem de dano ambiental e migalhas.

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    Publicado por Almir | 17 de dezembro de 2018, 12:57
  2. Já não sei mais o que pensar sobre a vocação colonial que a Vale nos impõe e que aceitamos tão pacificamente. Na verdade a única ideia que me resta é a respeito de nossa incapacidade de organização, aliada a um completo alheiamento da realidade somada a um voto de pobreza do inconsciente coletivo muito bem traduzido no velho conhecido poema de Maiakovsky, onde ele diz que “… arrancaram a voz de nossa garganta e já não podemos mais falar…”, algo assim.

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    Publicado por Fernando | 17 de dezembro de 2018, 13:35
  3. A Vale redescobre todo dia uma nova desculpa para continuar explorando o que precisa ser explorado sem precisar prestar contas para a sociedade paroara.

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    Publicado por Jose Silva | 17 de dezembro de 2018, 17:02
  4. O que a Vale precisa redescobrir o quanto antes é como tratar (de fato) as questões socioeconômicas.
    Parar de oferecer projetos mirabolantes e de fato discutir como criar uma cadeia de valor compartilhado, colocando-se legitimamente como um ator (mas não o central) deste processo. Até hoje ela se diz vítima de ser confundida como governo, e ter sobre sí responsabilidades de gestão pública, mas no dia a dia ela mantém ações de perpetuação disso. Até hoje a Vale é quem define os projetos sociais que desenvolverá, ao invés de criar fundos com participação social ( ela até mantém alguns, que são migalhas frente ao montante total investido).
    A Vale e seus funcionários (principalmente da área social) adoram falar em comunidades do entorno, se colocando no centro da dinâmica territorial, e dando uma impessoalidade as relações de vizinhança e convívio harmônico. – Não tenho vizinhos, mas sim, coisas à minha volta. É o que parece que ela tenta nos dizer.
    No fim, flerta com os gestores públicos e líderes comunitários que convém, isolando os mais questionadores e críticos. Só ajuda quem concorda com seu ponto de vista, e chama isso de desenvolvimento territorial. Mas no fim, o que ela mais tem feito é quebrar o tecido social do sudeste paraense, enfraquecendo lideranças legítimas e legitimando lideranças fracas, omissas e tendenciosas.

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    Publicado por Bernard Torres | 17 de dezembro de 2018, 22:02
  5. Vou trazer uma reflexão embasada em alguns números para tentar sensibilizá-los da questão exploração/verticalização mineral no Pará:
    -Se menos de 1% (isso mesmo, menos de um por cento) do minério explorado aqui fosse transformado em aço dentro de nosso estado, daria uma produção talvez superior a 1.000.000 ton de aço. Isso levaria a milhares de empregos diretos.
    -Acredito que já produzimos (Pará) mais minério de ferro do que MG, mas não temos nenhuma siderúrgica aqui. Lá existe Belgo, Acesita, Usiminas, Açominas e umas menores pertencentes à Gerdau. Como é possível não existir pelo menos uma aqui? Como?
    -Ceará tem siderúrgica (chama CSP) com participação da VALE (50%). Como o estado do Pará sendo a fonte de minério não tem uma siderúrgica? Como?
    -Nosso estado está crescendo. Hoje temos que importar aço para atender às necessidades diversas de nossos guerreiros empreendedores, que de sol a sol lutam para manter o estado vivo. Porque importar aço se podemos produzi-lo aqui? Perdão, isso não é razoável!!!
    Fica a reflexão!

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    Publicado por Pedro Pereira | 21 de dezembro de 2018, 00:24
  6. Algumas vezes me pego a pensar se acreditam que não temos a mínima capacidade analítica. Me desculpem, mas tudo tem limite! Me recordo há alguns meses de uma entrevista do Governador que nos deixa agora, onde ele dizia com muita serenidade que estava sensibilizado com um PEQUENO projeto apresentado pela VALE, chamado por ele de ACIARIA para Marabá. Confesso que fiquei boquiaberto. Vou explicar: que lógica mundana permitiria aceitar um projeto de ACIARIA ELÉTRICA (quer dizer, fazer aço a partir de sucata), numa região que não tem suficiência de sucata (vão importar dos EUA?) e que está sobre a maior e mais rica reserva de minério de ferro do mundo. E pior, passando a ferrovia praticamente em frente à área destinada à futura ALPA. E para agravar, produzindo um produto que não atende mercado regional.

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    Publicado por João Augusto | 21 de dezembro de 2018, 00:29
    • Muito bem, João Augusto. Os paraenses já deveriam ter se conscientizado sobre a necessidade de estudar a fundo o setor mineral do Estado, tendo como pano de fundo a economia nacional e internacional. Estudando a partir do primeiro contato com Carajás, mais de 50 anos atrás, e procurando bibliografia e especialistas, sugeri que se integrasse os dois maiores projetos em andamento dos anos 1970 para 1980, Carajás e Tucuruí, com uma siderúrgica em Marabá com redução direta a energia elétrica. Assim, se reteria o maior volume de energia da hidrelétrica, não permitindo que o Pará se tornasse o maior exportador de energia bruta do Brasil. Se essa tecnologia fosse cara demais, se partiria para o gás. Quem sabe, até o carvão da Colômbia. Nunca usando carvão vegetal. Ao invés, guseiras a carvão vegetal (saudadas com rojões), a maior ferrovia de carga do mundo levando o melhor minério de ferro do planeta principalmente para a Ásia.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 21 de dezembro de 2018, 10:46
      • Sr Lúcio Flávio, muito lúcida e lógica sua abordagem. Acredito muito que haverão mudanças na consciência paraense e surgirão ações efetivas para começar mudar a vocação do estado. Pelo menos essa esperança encontra algum espaço em minha mente. Mas essa solução (ACIARIA) parcialmente digerida pelo governo que se despede, me assusta. Pará precisa conectar minério ao aço. Simples assim!
        A experiência com a CEVITAL ensinou muito o que não se deve fazer. Apesar das sequelas, algum aprendizado se criou. Houve muita especulação sobre fatos sem sustentação. Infelizmente! O todo me parecia ser discutido com superficialidade técnica o que é crucial para projetos complexos. O resultado, todos conhecem. O estado e principalmente sociedade de Marabá não suporta outro ciclo especulativo desse. NÃO MESMO!

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        Publicado por João Augusto | 21 de dezembro de 2018, 20:33
      • Você tocou na pedra que está no caminho da transformação do minério de ferro de Carajás: a superficialidade técnica das abordagens. Pergunto-lhe: como morador de marabá, qual a influência da escola de minas daí na formação de um conhecimento técnico sobre o tema?

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 22 de dezembro de 2018, 09:53
      • AMIGO LÚCIO FLÁVIO, VOU TENTAR EM POUCOS LINHAS, TRADUZIR UMA DÉCADA DE ACOMPANHAMENTO DO TEMA MINERAL:
        -PARÁ É UMA ABERRAÇÃO DA NATUREZA (RIQUEZA INIMAGINÁVEL) EM TERMO DE RECURSOS MINERAIS.
        -A EXPLORAÇÃO É BEM VINDA ESTÁ ACONTECENDO. O TEMA É POLÊMICO, PRINCIPALMENTE PARA LEIGOS, MAS A MINERAÇÃO É BEM VINDA E PRECISA ESTAR ALINHADA AOS PILARES DE SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL E SOCIAL. ESSA É A BASE!
        -VERTICALIZAÇÃO PRECISA ACONTECER E URGENTEMENTE. DEVERIA CONSTAR NUM TIPO DE PLANO ESTRATÉGICO DO ESTADO. PRECISAMOS COMEÇAR AGREGAR VALOR À ALGUM PRODUTO.
        -RELAÇÃO EMPRESA-SOCIEDADE É NECESSÁRIA, PREVISTA NAS MELHORES PRÁTICAS DE GOVERNANÇA CORPORATIVA E É UMA RELAÇÃO GANHA-GANHA. SOCIEDADE DESENVOLVIDA OFERECE MÃO DE OBRA BEM PREPARADA. LEMBREM-SE: EMPRESAS SÃO PESSOAS.
        -EXISTE SIM UM PASSIVO SOCIOECONÔMICO ENTRE VALE E SOCIEDADE. A ORIGEM NÃO É PORQUE A VALE FEZ ALGO DE ERRADO NA EXPLORAÇÃO E ISSO TENHA QUE SER RECOMPENSADO AGORA. ISSO JÁ ESTÁ PREVISTO NOS PLANOS (INICIAIS OU ATUALIZADOS), PROGRAMAS AMBIENTAIS E SOCIAIS, PROJETOS DAS MINAS (ABRIR, OPERAR, FECHAR E MITIGAR DANOS), AUDIÊNCIAS ETC. ACREDITEM, ISSO ESTÁ NO PAE. O ACOMPANHAMENTO DO CUMPRIMENTO DO PAE E/OU COMPROMISSOS FIRMADOS É QUE SE FAZ NECESSÁRIO SIM, MAS ISSO É OUTRO TEMA. A SITUAÇÃO DA QUAL FALAMOS AGORA É MAIS SIMPLES, EXISTEM INCENTIVOS FISCAIS CORRETAMENTE CONCEDIDOS QUE PRECISAM SER REVERTIDOS EM PARTE PARA O BEM DA SOCIEDADE. O COMPROMISSO É MUTUO E FORMAL, OU SEJA, CONCESSÃO PRIMEIRO E RETORNO EM SEGUIDA.
        -SIDERÚRGICA ALPA É O EXEMPLO DESSA RELAÇÃO GANHA-GANHA ACORDADA. SÓ ISSO! MAS PRECISA SER BEM PENSADA. A CONCEPÇÃO PRECISA OLHAR SIM PARA A SINERGIA COM MINÉRIO (NÃO É CRÍVEL PENSAR IMPORTAR AÇO PARA UMA ACIARIA ELÉTRICA) E PARA O AÇO QUE O MERCADO REGIONAL PRECISA (QUANTIDADE E TIPO DE PRODUTO FINAL). ISSO OTIMIZA RESULTADOS, OXIGENA INICIATIVAS DIVERSAS NA REGIÃO E REDUZ O RISCO DO NEGÓCIO. PRECISA-SE DE COISAS PERENES E SÓLIDAS. O RESULTADO DISSO É SUSTENTABILIDADE.

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        Publicado por Eduardo Feng | 22 de dezembro de 2018, 09:16
      • Obrigado, Eduardo, por enriquecer o debate.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 22 de dezembro de 2018, 10:08
  7. Caros, que bom que este tema veio à tona. Estamos mudando de Governo e que isso possa ser determinante. Trago apenas uma contribuição: Não temos tempo, fôlego e paciência para mais uma promessa do tipo CEVITAL!!!!!

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    Publicado por Eilo Nordik | 21 de dezembro de 2018, 00:33
  8. Não sei o que a VALE redescobre mas posso falar do que vejo e descobri. Eu tenho uma presença forte na região de Marabá. Tenho a sensação que este projeto ALPA gerou um mix de sentimentos regionais estranhos: EXPERANÇA X DESCRENÇA.
    O novo Governo precisa se dedicar a esta pendência. Precisa resolver isso. Não limitando à região, todo o estado vai cobrá-lo muito sobre uma resposta e, sendo bem franca, esse retorno à sociedade já passou da hora de ser dado.

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    Publicado por Lea | 21 de dezembro de 2018, 07:31

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