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Saúde

A morte à espreita

Elder Mescouto Brito, de 23 anos, cursa o último ano de enfermagem na Famaz [corrigido]. Ontem, ele foi internado no Pronto Socorro Municipal da 14 de Março, com púrpura. Para conseguir o diagnóstico, foi preciso telefonar para um hematologista que estava fora de Belém (nenhum está na cidade neste fim de semana; todos viajaram). O médico orientou seus colegas do PSM sobre como tratar do paciente. Telefonicamente.

Em situação grave, Elder precisa com urgência de sangue e plaquetas. O problema é que o Hemopa suspendeu suas atividades às duas da tarde de ontem e só as retomará na quarta-feira. Se havia estoque de sangue e plaquetas, do que se duvida, ele estará inacessível por todos estes dias, simplesmente porque o fornecedor oficial fechou as portas neste fim de governo.

O pessoal do Pronto Socorro está mobilizando médicos e enfermeiros para atender Elder. Ele está correndo risco de morrer. Ele e outros pacientes na mesma situação.

ACRÉSCIMO

Os acompanhantes de Elder estão tentando interná-los em um dos dois hospitais de referência, o Phyr Loyola e o Barros Barreto. Sua condição de saúde permanece estacionada. O Hemopa vai continuar fechado até quarta-feira. Espera-se que ninguém precise de sangue. Ninguém do governo se manifestou.

Discussão

18 comentários sobre “A morte à espreita

  1. O pior é que se alguem quiser doar sangue para o rapaz, não terá como fazer, pois o Hemopa está fechado. Parece uma brincadeira de muito mau gosto, mas é descaso com a vida alheia. Precisamos dar sorte até quando adoecer, porque se for próximo de feriado corremos o risco de morrer, afinal, os médicos estão de folga.

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    Publicado por Marilene Pantoja | 30 de dezembro de 2018, 22:25
  2. Antes de mais nada, gostaria de lhe dizer que não tenho o menor interesse em responder para um anônimo. Talvez se você se identificasse (não sei porque não o faz), o diálogo fosse mais interessante. Contudo, já que demonstrou interesse acerca do tema, vou lhe responder: em 1984, fiz uma cirurgia cardíaca e tomei sangue, numa época em que não havia nenhum teste para doenças infectocontagiosas. Por essa razão, fiquei impossibilitada de doar.
    Além disso, em 2005, descobri um câncer de mama, com recidiva em 2013. Acho que não preciso explicar a você o porquê de não poder doar sangue. Mas isso não me impede de mobilizar amigos que sempre estão disponíveis para fazê-lo; eu sei o que é encarar a morte de perto. Espero ter respondido a sua pergunta e satisfeito a sua inusitada curiosidade, enquanto alguém está lutando pela vida, sem poder contar com o serviço público de saúde.

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    Publicado por Marilene Pantoja | 31 de dezembro de 2018, 08:58
    • É triste e lamentável que uma pessoa se abrigue sob a proteção do vil anonimato num blog democrático, tolerante e pluralista como este, que sequer exerce o seu direito de moderação ou, na forma danosa, de censura. Ainda mais por se tratar da sobrevivência de um paciente cuja vida depende do suprimento de sangue e plaquetas; Ao escrever a nota, meu propósito era atrair pessoas de boa vontade e solidariedade humana para salvar a vida de um rapaz de 23 anos que não conheço. Talvez até um servidor do Hemopa, à falta de qualquer dos seus dirigentes e da desatenção das autoridades superiores, incluído o governador Simão Jatene. Mas a única pessoa a se manifestar preferiu destilar veneno. Já que a própria Mailene aplicou a devida vacina, retornemos à pauta: o fechamento do Hemopa por quatro dias, numa momento em que a sua existência é ainda mais exigida, durante as comemorações do fim de ano.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 31 de dezembro de 2018, 09:09
      • Meu veneno deve ser meu sangue, fazendo doação há mais de 30 anos, sem alarde, sem criticar o Hemopa, e quem sabe você tenha recebido ao menos uma plaqueta minha. E agora uma ingrata se sentindo ofendida com uma pergunta. ..

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        Publicado por Anonimo | 31 de dezembro de 2018, 13:09
      • Infelizmente, é difícil aceitar a declaração de uma pessoa que não se identifica. Qual a razão superveniente ou superior para se manter como anônimo, sendo tão generoso e de espírito humanitário?

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 31 de dezembro de 2018, 13:39
      • No começo da década de 1980, o HEMOPA era onde hoje é a Delegacia de Homicídios, esquina de Magalhães Barata com a Castelo. Foi onde doei pela primeira vez.

        Durante esses 30 anos, devo ter doado algumas dezenas de vezes. Meu sangue é do segundo tipo mais comum (O+), o populacho (o mais comum é o O-). Mas dizem que o meu serve. É povão, mas serve. Doa para quase todo mundo, mas recebe só de si mesmo.

        Também estive, quando jovem, numa cama de hospital, por causa de um acidente grave que sofri. Também precisei de sangue para uma cirurgia de altíssimo risco. No começo, quando resolvi de livre e espontânea vontade doar sangue, fiz como uma forma de retribuição. Depois, passei a doador oficial de meu meio social. Alguém precisava…, era só chamar. E lá ia eu. Mas também fiz doações esporádicas, confesso, em que meu interesse era mais na sopa e na salada de frutas e suco que o HEMOPA oferecia aos doadores (hoje uma banana, uma sopa no copinho e umas torradas de ‘antontem’, quando muito uma Creme Cracker).

        Passei a doar por doar. Cansei de atender a pessoas ingratas, que me ligavam desesperadas por uma doação, porém, após se curarem, passavam por mim na rua como se eu fosse uma pedra; e um simples cumprimento era o mínimo que eu esperava. Houve caso em que socorri e doei, em caráter de absoluta emergência, a uma famosa dona de academia da década de 1980, esposa de um também festejado cirurgião plástico de Belém. Em suma, presenciei o acidente de moto que a vitimou gravemente no Mosqueiro, a socorri, a trouxe no carro da minha família ainda de madrugada para Belém, se esvaindo em sangue. Não havia ambulância na Ilha e o caso requeria cuidados médicos urgentes. Seu rosto ficara deformado.

        Ela e uma filha dela já me conheciam. Sabiam o quanto eu havia ajudado a salvar sua vida (?). Mas pouco tempo depois não responderam a um bom dia que dei quando nos encontramos em uma loja na Brás de Aguiar – a acidentada já perfeitamente recuperada. Nunca mais falaram comigo, sabe-se lá por que, o que tenha eu feito depois de tão mal para ser ignorado. É apenas um caso ilustrativo dentre muitos outros, em que os que receberam minha doação sequer me cumprimentaram quando comigo encontraram. Foram inúmeros.

        Foi quando percebi que deveria passar a doar para gente desconhecida, no anonimato, sem alarde, sem critério de solidariedade em público – apenas doar, receber o meu lanche na cantina, e, claro, um checkup básico. Eram os enfermos que deveriam ser prestigiados, não eu por reconhecimento ou confete de quem quer que seja.

        Penso que as ações solidárias mais genuínas não se prestam a atrair a simpatia de quem quer que seja. Não devem se tornar jamais um ato político em prol da própria imagem. Faço não mais pelas “vítimas”, mas por mim mesmo.

        Dou minha contribuição para ajudar na saúde de quem não teve a sorte de tê-la como eu tenho. Em silêncio, vou lá, passo pela triagem e estendo o braço. Sempre tem alguém precisando.

        Também acho absurdo qualquer recesso no HEMOPA. Embora a instituição seja uma espécie de centro coletor para servir aos hospitais, juntamente com o IHEBE – Instituto de Hematologia e Hemoterapia de Belém, não deveria fechar nunca, como nunca fecham os hospitais. É absurdo realmente. Mas penso também que deve haver estoques permanentes nos hospitais. Muitas das doações são para a reposição de seus estoques. Mas isso não implica em afastar a responsabilidade dos agentes do estado pela manutenção ininterrupta de um serviço essencial.

        O governo do estado tem sim sua parcela de responsabilidade. Manter o centro aberto para receber doações é o mínimo do mínimo que deveria fazer. Mas não há mais nada de ruim que se possa esperar desse governo que termina.

        Vou seguir a vida doando até quando a triagem me barrar e a idade avançada chegar. Aí, também em silêncio, vou cuidar da minha saúde. Anonimamente, pois o que se vive hoje em nosso país é uma paixão desacerbada transformando tudo em ato político, e até mesmo o que digo, se lido por pessoas poderosas que decidem as vidas das outras “pela cara”. Alguém lê esta minha declaração e, pronto, aumentaram exponencialmente minhas chances de ser vilipendiado pelo poder. O Lúcio sabe bem como é. Não vale a lei neste estado; vale quem você é.

        Esperei de Marilene Pantoja apenas um sim ou não, uma explicação como a que fez, mas sem transformar tudo em um ato político no esquadro do “politicamente correto”. Desejo-lhe saúde, sem me importar com altruísmo.

        Se meu anonimato é vil, digo que sinceramente não me importo com isso. O que realmente importa é o que está dentro do coração das pessoas, e que eu não tenha veneno correndo nas veias. Chamem-me de anônimo doador.

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        Publicado por Anônimo | 31 de dezembro de 2018, 17:48
      • Muito obrigado pelo seu rico e respeitável depoimento. Já que não pode assumir sua identidade, passe a se chamar anônimo doador, como devem ser os doadores, sem que a veia do lado direito sabe do que você drena pela veia do lado esquerdo. Feliz ano novo.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 31 de dezembro de 2018, 20:21
  3. Fechar o Hemopa de forma integral por quatro dias é um ato criminoso. Por outro lado, os hospitais devem ter estoques para emergência, não? Quem é o responsável por tal balbúrdia?

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    Publicado por Jose Silva | 31 de dezembro de 2018, 11:08
    • O impressionante é que um alerta de tal gravidade fica circunscrito a este espaço por uma conspiração de silêncio. Se eu fosse o governador Jatene, mandava abrir imediatamente o Hemopa. Se fosse o Helder, entrava em contato com Jatene e faria o pedido. Ou será que o bando de sangue do Hemopa está vazio?
      Se eu fosse jornalista e tivesse um blog, estaria repercutindo a denúncia, a mais grave neste fim (ou ocaso) de governo. E início da (des)esperança no novo governo, se não responder às demandas com a urgência que elas eventualmente exigem.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 31 de dezembro de 2018, 11:20
  4. Que lógica, será que a “Morte”,encostou sua gadanha, e está de recesso?

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    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 31 de dezembro de 2018, 12:26
  5. Desde já esclareço que o anonimato é um direito que me cabe. Não pretendo atacar ninguém, mas fazer uma crítica construtiva ao Jornalista que por várias outras vezes nos serviu tão bem, nos deixando bem informados, mas dessa vez prestou desinformação e alardeou de forma perigosa uma situação inexistente.

    O HEMOPA está fechado de domingo (30/12) até hoje, terça-feira (01/12), para doação de sangue. O atendimento às solicitações de sangue continua acontecendo normalmente, pois existe um setor do HEMOPA que funciona 24 horas por dia, independente de feriado e/ou final de semana. Além disso, se o paciente tem diagnóstico de Púrpura, e suponho que seja púrpura trombocitopênica, via de regra, não há indicação de transfusão para ele. O tratamento deve ser realizado de outra forma.

    Sugiro ao Jornalista, apurar melhor a informação antes de simplesmente publicar.

    Obrigado!

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    Publicado por Anônimo Doador | 1 de janeiro de 2019, 08:19
    • A página oficial do Hemopa informa o horário para o período de feriado. No sábado, 12, a sede do Hemopa e a estação de coleta Castanheira funcionaram de 7,30 às 14 horas. No dia 31 e hoje, todas as unidades fecharam. O anúncio ressalta: “Ressaltamos que o atendimento transfusional é ininterrupto”. Não diz onde é feito o atendimento transfusional. Nada sobre o atendimento à demanda. A informação que divulguei foi fornecida pelo por quem atendia o paciente e quem se mobilizou para ajudá-lo.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 1 de janeiro de 2019, 11:38
  6. Bom dia..
    Sou um dos amigos de Elder Mescouto, e venho até aqui mostrar a minha indignação perante ao Hemopa, pois abraçamos a campanha eu e muito a amigos e conhecidos para ajudá-lo, mais desde segunda queremos fazer a doação, não só pra ele, mais SIM pra outras pessoas que precisam, chegamos lá e batemos de cara com as portas fechadas, gente…é uma falta de respeito com a VIDA.
    Não e pelo meu amigo, mais também por outras pessoas que necessitam de sangue, o mais engraçado é que sempre aparece campanha do próprio Hemopa informando a falta de estoque.
    Tenham mais respeito a VIDA …

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    Publicado por Anderson Flávio Damasceno | 1 de janeiro de 2019, 13:07
  7. Lamento por seu amigo, Anderson.

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    Publicado por Marilene Pantoja | 1 de janeiro de 2019, 14:59

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