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Imprensa

Jornalista, profissão: perigo

Ontem, no penúltimo dia do ano, a cadeia de televisão turca A-Haber exibiu algumas das mais chocantes imagens de 2018, símbolo de uma era de atrocidades, cuja sucessão e agravamento fazem temer uma eclosão de amplitude mundial.

São as imagens de câmeras de segurança que mostram homens transportando sacos, dentro dos quais poderia estar o corpo desmembrado do jornalista Jamal Khashoggi, assassinado, em outubro, no consulado saudita em Istambul.

Três homens transportam cinco malas e dois sacos grandes e escuros para o interior da residência do cônsul saudita, situada perto do consulado, onde o jornalista entrara para legalizar o seu casamento. As câmeras registraram sua chegada, mas não a sua saída. Seu corpo ainda não foi localizado.

Citando fontes turcas, a A-Haber garante que dentro dos sacos e das malas está o corpo desmembrado de Khashoggi. As partes do seu corpo teriam sido levadas para um micro-ônibus, que estava inicialmente parado em frente ao consulado e depois entrou numa garagem da casa do cônsul.

As autoridades sauditas rejeitaram um pedido de extradição de um grupo de suspeitos, feito pelo governo da Turquia, incluindo dois funcionários próximos do príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, acusado por Ancara de ter participado no plano do assassínio. A execução teria sido uma represália pelas constantes críticas do jornalista aos dirigentes saudistas e pelo seu profundo conhecimento da política local. Khashoggi vivia nos Estados Unidos e trabalhava para o jornal Washington Post.

No mesmo dia, a Federação Internacional de Jornalistas anunciou que o número de jornalistas e outros trabalhadores da imprensa mortos em 2018 cresceu de 82 para 94. O crescimento ocorre após um declínio verificado nos últimos seis anos, segundo noticiou ontem a agência Associated Press com base no relatório anual da entidade, divulgado hoje.

Os jornalistas e seus colegas de trabalho foram mortos em assassinatos seletivos, bombardeamentos e durante diversas situações de conflitos armados. Antes ds redução nos seis últimos anos, 121 pessoas que trabalhavam para organizações ligadas à imprensa foram mortas. O pior ano foi em 2006, quando 155 profissionais abatidos.

No Afeganistão, onde foi registrada a mais alta mortalidade no mundo neste ano, as baixas somaram 16 pessoas. A seguir, o México, com 11, o Iêmen, com nove, e a Síria, com oito, contabilizou a federação, que faz este relatório anual desde 1990.

O Iraque, onde 309 profissionais foram mortos nos últimos 25 anos, há muito tempo se encontra no topo da lista da federação. Em sexto lugar na lista, os Estados Unidos da América, com cinco mortos.

Outros fatores que afetam a atividade dos jornalistas em busca de notícias, são, segundo a entidade, o aumento da intolerância à informação independente, populismo, corrupção, crime, e o colapso da lei e da ordem em alguns territórios.

“A estatística mais chocante é que nove em cada dez casos de mortes de jornalistas ficam impunes”, disse Philippe Leruth, presidente da entidade.

Além de causar a trágica perda de vidas, estes ataques afetam a busca de notícias em várias comunidades e países, observou, Leruth. “Os jornalistas são um alvo porque eles são testemunhas. E o resultado disto é um aumento da autocensura”, alertou, em declarações à Associated Press.

Um alerta de importância planetária, para o qual os jornalistas e a opinião pública devem considerar com atenção.

Discussão

5 comentários sobre “Jornalista, profissão: perigo

  1. Triste. Fica asté díficil imaginar qual seria o número de mortos se o número de jornalistas investigativos de verdade não tivesse declinado significativamente ao longo dos anos.

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    Publicado por Jose Silva | 31 de dezembro de 2018, 11:35
  2. O Estado árabe é mundialmente conhecido por julgar e sentenciar a mutilações públicas qualquer criminoso, ou a concepção que os mesmos conforme sua cultura, adote como infrator de suas leis milenares.Mas não é julgado pela Anistia Internacional, por apoio a grupos terroristas no Oriente Médio e circuvizinhança.

    Seguindo o exemplo do jornalista árabe, a reflexão que fica, é, “exercer o ofíco, é tão insalubre como a medicina ou tão vitimante quanto agentes de segurança pública”.

    Graças a Deus, o front do Lúcio, além dos sortilégios destacados nesse ano, apenas recebe como efeito colateral a revolução da natureza, com as enchentes ou a maritimidade.

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    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 31 de dezembro de 2018, 12:42
  3. Boa noite. Lúcio, aguardo seus comentários sobre o péssimo tratamento dado a imprenssa na cobertura de posse do Presidente Jair B., conforme relatado em artigo de hoje da Folha. Grande abraço.

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    Publicado por walderney cruz | 1 de janeiro de 2019, 18:07

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