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Cidades

Guerra ao lixo

O repórter Dilson Pimentel observou e registrou, na edição datada de hoje de O Liberal (que circula desde ontem), o início da reação espontânea dos moradores de Belém contra a transformação da cidade em um imenso lixão a céu aberto. O alvo inicial é o descarte clandestino – e ilegal – de entulho, feito por carroceiros. Por enquanto, a reação é pacífica, pedagógica e até bem humorado. Os locais de despejo estão sendo ocupados  com plantas, placas e arranjos destinados a desestimular os carroceiros e proteger os locais, que ficaram fétidos, um grave atentado à higiene e à saúde pública.

Inevitavelmente, porém, a prefeitura terá que fazer a sua parte – e logo, para prevenir os efeitos agravantes do período das chuvas mais intensas, que está chegando. A secretaria municipal de saneamento identificou 500 pontos de descarte espalhados pela cidade, dos quais fechou 60 (pouco mais de 10%). A interdição de parte dessa rede de depósito de lixo é necessária, mas também há a preciso regulamentar alguns locais.

Para isso, a prefeitura teria que assumir o serviço de coleta permanente desse material, cadastrando quem pode fazer o descarte. A fiscalização dessa atividade e do lixo em geral seria feita por patrulhas de guardas municipais treinados especificamente para cumprir a tarefa. Eles circulariam em motocicletas, em grupos de três guardas, num total de seis agentes (dois por moto), autuando, multando e, eventualmente, detendo os infratores.

Talvez Belém, uma das capitais mundiais do barulho, ficasse mais habitável sem tanta sujeira e entulho pelas ruas.

Discussão

9 comentários sobre “Guerra ao lixo

  1. Lúcio, os carroceiros de entulho podem ajudar a prefeitura se esta montar postos de coleta em várias regiões da cidade. Eles são muito úteis e já recorri a eles várias vezes (por causa da ineficiência da prefeitura). São geralmente homens de meia idade pobres e que vivem em baixadas; vários apresentam sinais de alcoolismo crônico. A remuneração é pequena e por vezes ainda é dividida com o dono do carrinho, pois muitos são alugados. Sem essa de “patrulhas de guardas treinados…” por favor.

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    Publicado por J.Jorge | 6 de janeiro de 2019, 16:51
    • Como já venho fazendo há alguns anos, propus a regulamentação da atividade do carroceiro no carregamento de entulho e a oficialização de locais para o depósito desses rejeitos. A fiscalização, que é vital, não é para reprimi-los, no caso. É para verificar se estão cadastrados, se usando apenas os locais regulamentados. A ação punitiva (porque a fase educacional já passou) é contra quem é flagrado atirando lixo na rua ou nos igarapés, causando sérios problemas coletivos. O treinamento é para que saibam ligar com o problema e com as pessoas.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 6 de janeiro de 2019, 17:13
  2. O Saneamento Básico e Ambiental – que inclui a limpeza pública – é obrigação da Prefeitura em co-responsabilidade com o governo do estado . Se ambos não estão cumprindo obrigações , penso que cabe a Câmara Municipal e aos Ministérios Públicos , agir e agir com rigor .

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    Publicado por Marly Silva | 6 de janeiro de 2019, 22:45
  3. Acho que o problema maior é a falta de política pública de tratamento dos rejritos sólidos. Não existe política de coleta seletiva. Na verdade não existe coleta seletiva. Deveria ser obrigatório a separação entre lixo seco e úmido. Mas parece que isso é sonho. Se separo meu lixo em casa, quando vai pra rua, vai tudo para o mesmo lugar. A devolução de vasilhames de vidro é outro problema, houve a tenta de um morador de entregar para a reciclagem, ele não conseguiu. Acontece a mesma coisa com outros tipos de lixos. Fica difícil. As autoridades não se pronunciam e fica por isso mesmo.

    https://www.oliberal.com/noticias/regiaometropolitana/MjQ1NjY=/Belem-nao-tem-reciclagem-para-o-vidro-e-Prefeitura-se-explica-Entenda-aqui!

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    Publicado por Everaldo | 7 de janeiro de 2019, 09:51
  4. Em São Paulo existem os chamados Ecopontos, ou seja, locais específicos para descarte de entulhos, onde gente treinada faz a separação e a destinação correta. Apesar de não resolver o problema lá devido às dimensões, em Belém penso seria um enorme avanço. Os próprios carroceiros e demais catadores poderiam tirar do lixo seu sustento separando, encaminhando e reciclando resíduos, ou até mesmo fazendo a capilaridade do recolhimento de lixo. Paralelo a isso uma campanha intensa de coleta seletiva destinada á população em geral.

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    Publicado por Antonio Carlos Teles | 7 de janeiro de 2019, 15:16
  5. Em dezembro de 1996, com Hélio Gueiros ainda titular da PMB, um monte de gente passou a descartar lixo na calçada da casa do prefeito, na Almirante Barroso entre Humaitá e Vileta. Hélio Gueiros não mandou retirar o lixo, porque não quis ou não pôde. A imensa pilha de lixarada podre e fétida só foi retirada nos primeiros dias de governo do Edmílson.

    Tomara que essa moda não pegue. Afinal, ainda temos 2 anos de lixo — i.é., de Zenaldo — pela proa!

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    Publicado por Elias Granhen Tavares | 8 de janeiro de 2019, 12:01
    • Tenho um depoimento parecido. Quando trabalhava em O Liberal, fazendo a minha coluna e matérias especiais, além da parte de cima do Repórter 70 (e participações na TV Liberal), de vez em quando o Romulo Maiorana pai me chamava para uma conversa no gabinete dele, no jornal. Num desses encontros ele investiu contra o Almir Gabriel, que era então prefeito de Belém, nomeado pelo governador Jader Barbalho, em substituição ao Sahid Xerfan, que destituíra. A razão: RM estava convencido de que Almir não gosta dele e se vingava deixando lixo se acumular na praça da República em frente à residência do cap” do grupo de comunicação.
      Disse-lhe que não acreditava nisso. O Almir era turrão e autoritário, mas não a esse ponto. Contei a história a um amigo, que trabalhava na PMB. De volta, ele me disse que o prefeito desconhecia o fato e ia tomar providência. Encerrei minha participação. Dias depois, o Romulo me chamou e disse que seu lixo começara a ser recolhido e que eu tinha razão. Nunca lhe contei o que aconteceu. Ele deixou de tratar o Almir como inimigo pessoal.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 8 de janeiro de 2019, 12:14

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