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Ecologia, Minério

O crime da Vale

As imagens chocantes do desastre de Brumadinho não deixam dúvida: o Brasil não é um país civilizado.

Acidentes desse porte ou de dimensão equivalente já aconteceram e podem vir a acontecer em países inquestionavelmente civilizados. O que agrava o caso brasileiro é a reincidência.

São duas tragédias, da gravidade de Brumadinho e Mariana, num espaço territorial diminuto, em um mesmo Estado (Minas Gerais), numa zona de intensa mineração, num intervalo de apenas 38 meses. Essas características isolam o Brasil num restrito conjunto de nações que não conferem à vida humana o valor devido em função do seu grau de civilização. Em matéria humana, o Brasil continua bárbaro e selvagem.

Não há outra classificação para uma sociedade que negligencia ou ignora completamente o que aconteceu em Mariana: a maior agressão à natureza em todos os tempos.

Para que o acidente não se repetisse, as condições que levaram ao rompimento da barragem do Fundão, em novembro de 2015, deveriam ser eliminadas nas demais áreas de mineração. A obrigação se impunha especialmente à Vale.

A ex-estatal é a mineradora que possui a maior quantidade de barragens (mais de 170). É sócia da australiana BHP na Samarco, responsável pelo desastre de Mariana. É a segunda maior mineradora do mundo, a maior exportadora do Brasil, com o segundo principal produto do comércio exterior: o minério de ferro.

Se levasse a sério o desastre na bacia do rio Doce, a Vale teria imediatamente remanejado a sua base administrativa e logística na mina do córrego do Feijão. Mantê-la abaixo do conjunto de seis barragens, que continham bilhões de litros de lama e água, significava expor pelo menos 500 pessoas ao risco de morrerem debaixo de toneladas de uma lama compacta e densa, como aconteceu na sexta-feira, em Brumadinho.

Quanto custaria esse remanejamento? Algumas centenas de milhões de reais? Qualquer que fosse o valor, seria uma fração dos quase 12 bilhões de reais de dinheiro da companhia já bloqueados pela justiça para garantir o pagamento de indenizações e a ação de busca e salvamento.

A empresa deveria também acelerar a desativação da barragem, que deixou de receber rejeitos da mineração em 2015, drenando a água do depósito e procurando modernizar a própria lavra para economizar o uso de água na separação do minério.

Como nada fez desde então nesse sentido, a Vale cometeu um crime de lesa humanidade ao deixar que centenas de seres humanos fossem surpreendidos por uma morte coletiva, violenta e de surpresa.

A Vale precisa ser tratada como criminosa – e criminosos os que são responsáveis por ela.

Discussão

Um comentário sobre “O crime da Vale

  1. Bons costumes…..de bons-moços, filhos da Tradicional Família Brasileira.

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    Publicado por Luiz Mário | 30 de janeiro de 2019, 10:33

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