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Ecologia, Minério

Dinheiro e lama

Não se sabe ainda se a Vale vai conseguir  atenuar, compensar ou indenizar integralmente os profundos danos provocados pelo rompimento da barragem de Brumadinho, que se tornará o mais grave em perdas humanas da história mundial da mineração se vier a resultar em mais de 300 mortes. Mas está recuperando para si própria o prejuízo.

As ações da companhia registravam forte valorização no final da manhã de hoje na bolsa de valores de São Paulo, a mais importante do país. A valorização foi de 7,35%, sendo negociadas a 45 reais. As ações da Bradespar, holding da mineradora, também operavam em alta de 6%, aos 28 reais.

Efeito do anúncio feito ontem pelo o presidente da mineradora, Fábio Schvartsman, sobre a paralisação d da produção em áreas onde estão instaladas 10 barragens a que se rompeu, provocando uma enxurrada com 12 trilhões de litros de resíduos de ferro misturados a solo e água.

A produção a ser suspensa, toda em Minas Gerais, representa 10% da produção total da companhia, a segunda que vai produz minério de ferro no mundo. As minas permanecerão fechadas ao longo de três anos, prazo necessário para desativaras barragens, tecnologicamente anacrônicas, ao custo de 5 bilhões de reais. A Vale se comprometeu ainda a absorver os 5 mil trabalhadores das barragens.

A reação da empresa ao desastre de Brumadinho foi melhor do que na tragédia de Mariana e pode assinalar uma mudança de paradigma e de ação da mineração em todo mundo. As grandes companhias terão que abandonar os seus métodos envelhecidos e ultrajantes, aceitar investir na implantação e na operação das suas minas, decidir de verdade por um tratamento mais humano para os seus funcionários e vizinhos, reduzindo a margem de lucro direto nas suas operações.

O novo procedimento da Vale, à custa de tantas vidas e prejuízos, parece estar ensinando que essa mudança não atinge a mais valia relativa, o lucro indireto e quase invisível. Afinal, o que significam cinco bilhões de erais (ou 10 ou 15 bilhões) diante da recuperação do valor da Vale graças a essa mudança, exatamente num momento em que o preço no mercado internacional está aquecido?

Como diz quem entende do assunto: trata-se de bussiness as usual.

Discussão

3 comentários sobre “Dinheiro e lama

  1. Santa Casa:
    Contam que Simão Jatene se sentia tão satisfeito entre as suas “meninas da Santa Casa”, que em uma de suas ultimas visitas àquela fundação teria levado um violão e cantado um “samba-tema” de sua autoria, para festejar, entre doces e salgados, o anúncio da liberação de uma verba de 23 milhões de reais para recuperação geral do prédio centenário.
    Contam que a obra começou, depois desacelerou e … ninguém sabe o que foi ou vai ser mexido; e que devido a erros de engenharia, duas paredes estruturantes foram demolidas, criando criando situação de risco de desmoronamento, o que vem sendo evitado com escoras tubulares, e a obra segue suspensa até que resolvam o impasse.
    A Santa Casa seria hoje um dos órgãos mais indefinidos do estado, dúvidas sobre o término das obras, sobre a permanência da diretoria do governo que saiu, sobre o que será feito em futuro próximo e principalmente: o que vai mudar. Dizem que há quem faça graça dizendo que em muitas salas ainda será mantido o retrato do ex na parede, até que…

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    Publicado por J.Jorge | 30 de janeiro de 2019, 17:04
  2. Barragens:
    Ao contrário da maioria, faz tempo que eu me conscientizei que barragens atingem pessoas neste país – e que causam muita desgraça na vida destas. Os casos não mudam muito quanto ao fundo. Lembro ainda da nada usual previsão de “Maju”, durante o JN, de que “temporais e deslizamentos de terra poderiam ocorrer no leste do Pará”. Era véspera da tragédia em Paragominas, onde uma barragem irregular construida por um poderoso fazendeiro, inundou parte da cidade e matou duas crianças. Aliás, barragens particulares em fazendas já causaram muitos estragos ambientais no Pará. E ninguém nunca deu importância a estes fatos; pior, há uma tendência de a sociedade associar o “movimento dos atingidos por barragens” aos sem-terra, a “comunistas vagabundos”, a militância petista, etc. São gente igual aos de Brumadinho, que foram soterrados também pela indiferença e o esquecimento das gentes.
    Assisti a um ato público do MAB no Centur, contrário a Belo-Monte, e que terminou com o bloqueio da Av.Gentil Bittencourt e a reação enfurecida de condutores de veículos, os mesmos que devem agora estar consternados pelo caso Brumadinho.

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    Publicado por J.Jorge | 30 de janeiro de 2019, 17:42
  3. O Oscar do Cinismo vai…
    Para o prefeito Pedro Coelho, do município de Castanhal, que decretou que o salário dos professores vai ser reduzido em 30% para equacionar o crescimento das despesas – melhor seria dizer da demanda – por educação pública na cidade modelo.
    Para quem tem mais de um neurônio na cabeça e possa formar uma rede, isto quer dizer que a prefeitura está se desobrigando a custear parte da educação pública, e que a diferença será “garfada” do salário dos professores, que são apenas os mais próximos do problema, mas que nada têm a ver com a falta de condições da sociedade para pagar educação privada e com a falta de competência do gestor municipal para resolver os problemas de arrecadação e orçamento público.
    Já disse em comentário anterior que este país precisa definir uma cara: ou socialista e com altos impostos, ou capitalista puro e aí muitos pobres perderão a abastância da educação e da saúde gratuitas.

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    Publicado por J.Jorge | 30 de janeiro de 2019, 19:08

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