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Educação, Violência

A tragédia de Suzano

A tragédia de Suzano, com saldo de 10 mortos e 9 feridos, não aconteceu por um impulso – alucinado e de momento – dos assassinos. Sua origem mais remota deve estar nas famílias dos dois personagens principais. Só uma investigação mais demorada poderia remontar ao nascedouro desse ato de barbárie.

Pelas informações disponíveis, pode-se começar a contá-la a partir do momento em que Guilherme, então com 15 anos, decidiu abandonar a escola estadual de ensino médio e fundamental professor Raul Brasil. Uma escola destacável no panorama geral do ensino público brasileiro. Bem instalada, com quase 1,2 mil alunos, dispondo de um centro de línguas (espanhol, italiano, francês, japonês e alemão). Nada parecido há em Belém do Pará, que tem cinco vezes mais habitantes do que Suzano, na região metropolitana de São Paulo.

O aluno não voltou à escola em 2018. Só se apresentou neste ano. Aparentemente, foi bem recebido pela direção da escola. Mas não se tem notícia de averiguação sobre o motivo do abandono da escola no ano passado e das condições de Guilherme, já com 17 anos. Sabe-se que ele vivia sozinho na casa da avó, talvez porque os pais se tivessem separado.

A volta às aulas já integrava o projeto insano. Com seu colega no ataque à escola, de 25 anos, Guilherme e Luis Henrique se informavam sobre armas. Planejaram e ensaiaram o que iriam fazer quando invadissem a escola. Essa preparação deve ter durado muitos dias, o bastante, provavelmente, para que pais, parentes e amigos pudessem ter percebido alguma anormalidade no comportamento dos dois.

Eles amanheceram o dia com a estratégia definida. Pegaram um revólver calibre 38, com o registro raspado, munição e equipamento de recarregamento, mais uma besta (arma medieval) e arco e flecha, além de um machadinho. Foram à revenda de automóveis do tio de Guilherme e o balearam, matando-o. Roubaram um carro e seguiram nele para a escola. Estacionaram em frente ao prédio, desceram com tranquilidade e caminharam pausadamente pela entrada principal, que estava aberta na hora da merenda. Vestiram uma máscara de caveira. Encapuzados, começaram a matança. Só interromperam o massacre porque uma guarnição da Polícia Militar, chamada para atender o assalto à revenda e seguindo a pista, chegou à escola. Foi então que os dois se suicidaram ou um deles matou o comparsa e se suicidou.

Todos os cinco alunos executados eram do sexo masculino. Só eram mulheres as duas funcionárias assassinadas.

Informação que ilumina o caminho para uma investigação competente da tragédia de Suzano.

Discussão

2 comentários sobre “A tragédia de Suzano

  1. Depois que a gente lê tudo que escreveste sobre a TRAGÉDIA DE SUZANO, tudo o mais que se lê nos outros escribas/jornalistas e repetição e sem alma. Parabéns!

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    Publicado por Alcebiades | 24 de março de 2019, 01:16

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