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Educação, Violência

Um choque

Talvez nenhum país no mundo tenha condições de prever ou impedir que ocorram tragédias como a que aconteceu hoje em Suzano, na Grande São Paulo. Nenhuma pode passar incólume a um acontecimento desse significado. Todo seu território continental, habitado por mais de 200 milhões de pessoas, foi varrido por uma onda de choque e horror. “Antes, isso não acontecia no Brasil”, declarou o vice-presidente da república, general Hamilton Mourão.

Massacres em escolas são uma novidade. A última aconteceu quase 10 anos atrás. Mas o catálogo de selvagerias, barbaridades e abusos tem poucas realidades equivalentes ou assemelhadas em todo planeta Terra. Talvez as escolas só estejam sendo alcançadas por essa violência epidêmica por uma circunstância qualquer que desviou a criminalidade para outros locais antes impensáveis, como hospitais e igrejas. Mas certamente contribuiu para o início de um ataque como o de hoje a falta de investimentos públicos para melhorar a qualidade da educação, o cantochão comum no coro dos políticos e autoridades públicas que a proclama como indispensável ao desenvolvimento nacional.

A qualidade não se restringe a instalações físicas, material escolar ou mesmo segurança. Ela tem que incluir atenção, acompanhamento e intervenção em relação ao ser humano que vai às escolas como aluno. Equipes multidisciplinares de profissionais como psicólogos e pedagogos, com os equipamentos necessários para exercer seu trabalho e contingente proporcional aos desafios que a convivência atual impõe, precisam ser formadas.

Um elemento fundamental é a integração entre a escola e as famílias. Os pais não podem mais deixar que seus filhos sejam (des)educados pela internet, através dos seus celulares, invenção maravilhosa que traz consigo, se não for bem acompanhada e tratada, desvios e patologias psicológicos graves, que podem ocasionar tragédias como a de hoje. O governo e todo aparato institucional têm que ser cobrados, mas uma mudança em profundidade e intensidade que dê a resposta devida a este trauma só acontecerá se os pais redescobrirem os seus filhos, afastando da relação humana, quando necessária, essa máquina terrível.  Só assim impedirão que os quartos de crianças e adolescentes se transformem em laboratório do horror.

Discussão

2 comentários sobre “Um choque

  1. Laboratório de horror equipados com video games ultrarrealistas que permitem crianças e jovens protagonizarem chacinas; filmes norteamericanos com astros hollywoodianos (celebridades da juventude) “ensinando” a atirar, esfaquear, etc.; o assédio das redes sociais; a americanização no comportamento social das neocolonias culturais.

    E para “esquentar” o cenário, a proposta de flexibilização da posse e já sobre pressão de setores políticos e da indústria armamentista, o porte de armas também ser desburocratizado.

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    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 13 de março de 2019, 16:08
  2. Teria o Capetão K-Tita aberto a caixa de Pandora, somente com sua presença?

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    Publicado por Luiz Mário | 13 de março de 2019, 18:29

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