//
você está lendo...
Política

Vocação para o desastre

O presidente Jair Bolsonaro está fazendo uma visita ideológica a Israel. Não por acaso, ela acontece às vésperas da eleição que seu amigo, o primeiro ministro Benjamin Netanyahu, vai disputar. Amigo, não: irmão. Essa forma de tratamento, adotada no discurso de chegada, revela o interior de Bolsonaro, o que é próprio dele como indivíduo. Ele só se esquece que é presidente do Brasil. E que está fazendo uma política pessoal, não uma ação de Estado. Atrás dessa expressão há milhões de cidadãos, milhões de interesses, milhões de detalhes. É muito para uma compreensão tão limitada, acanhada e inculta como a de Bolsonaro e sua equipe.

Questionado sobre os prejuízos que o Brasil terá pela visita exclusivamente a Israel, excluindo a autoridade palestina, o militar mais próximo do presidente, o general Augusto Heleno, saiu-se com esse primor de ignorância (tecnicamente falando, objetivamente, sem qualquer contaminação por juízo de valor). Para ele, querer que Bolsonaro fosse à Palestina seria o mesmo que obrigá-lo a dar uma parada na Argentina durante a sua viagem da semana passada ao Chile.

A destrambelhada afirmativa, que relaciona questões completamente desiguais, paralelos impossíveis sem negar a história daqui e do Oriente Médio, foi dada no mesmo momento em que o general da reserva repudiava com irritação a comparação de Bolsonaro a Lula, que foi a Israel e à Palestina, por ele considerada descabida. Contradição tão evidente quanto imediata dá uma medida do preparo do principal auxiliar do presidente da república.

Quanto à possibilidade de retaliação dos árabes, maiores compradores de frango do Brasil, o general respondeu que esse não era um problema dele chefe do gabinete institucional da presidência da república, mas do esotérico ministro das relações exteriores e do próprio presidente. Não citou o ministro da economia, Paulo Guedes, aparentemente o mais prejudicado por esse equivocado lance das relações exteriores mais incompetentes da história da diplomacia brasileira recente.

Ideologias à parte, a tolerância para a tendência natural ao erro do governo Bolsonaro chegou ao fim.

Discussão

7 comentários sobre “Vocação para o desastre

  1. Se sair o “pacote de maldades” que a Câmara está prometendo, Bolsonaro periga se transformar numa versão revista e piorada do Maduro.

    Piorada, porque Bolsonaro nem precisou de oposição pra se ferrar. Está sendo estraçalhado pelos próprios aliados.

    O que deveria ser seu principal opositor, o PT, está inerte, vendo o governo Bolsonaro desmoronar, vítima de si mesmo.

    Na velha imagen de Alfredo Sirkis, Bolsonaro é uma espécie de Prometeu ensandecido, que dispensa abutres e rói, ele mesmo, o próprio fígado.

    Curtir

    Publicado por Elias Granhen Tavares | 31 de março de 2019, 12:04
  2. O resultado dessa viagem será igual ao resgate prometido por Israel às vítimas no acidente de Brumadinho/MG…

    Curtir

    Publicado por Erick Matheus Vieira | 31 de março de 2019, 16:19
  3. Factoides…
    Enquanto o pessoal se distrai com esse papo de Israel, comemoração do golpe de 1º de abril, sexo com urina, etc., vai esquecendo a reforma da Previdência, com a qual Bolsonaro pretende sodomizar gerações presentes, passadas e futuras de contribuintes.

    E, de factoide em factoide, Bolsonaro vai se enterrando no buraco que ele mesmo cava…

    O problema é que, com ele, também se enterram milhões que votaram e que não votaram nele.

    Já vi esse filme. A gente morre, no fim.

    Curtir

    Publicado por Elias Granhen Tavares | 31 de março de 2019, 18:36
  4. Salvo engano,a Guatemala é um dos poucos países latino-americanos que, juntamente com o Brasil bolsonárico, cogita estabelecer em Jerusalém sua embaixada em Israel, fazendo o papel de rabo de cachorro da direita americana.

    Pois é. Juntamente com Honduras e El Salvador, a Guatemala forma a trinca de países centroamericanos para os quais Trump cortou toda espécie de ajuda econômica. A medida faz parte da política anti imigratória do governo americano.

    Depois da queda,o coice: ao noticiar o momentoso acontecimento, a trumpista Fox News ainda chamou o trio de enjeitados de “países mexicanos”.

    Agora tá pedindo desculpas, mas, como diziam as avós, palavras ditas e pancadas dadas, nem Deus tira…

    Curtir

    Publicado por Elias Granhen Tavares | 1 de abril de 2019, 07:13
  5. Depois que um urubu bateu num jato da Azul abortando a decolagem quando o mesmo já estava próximo da velocidade rotacional (seria um desastre depois deste ponto), a prefeitura de Belém voltou a acusar moradores e a instruir que só ponham o lixo na rua às segundas, quartas e sextas. Acontece que a visão privilegiada dos urubus não se importa se o lixo está na rua ou nos quintais das casas, e ao redor da pista do Val de Cans é o que mais tem. Aliás, nem a visão do urubu, nem a afinidade dos mosquitos transmissores de doenças. Lixo doméstico e entulhos chama rato, barata, mosquito… e urubu em qualquer lugar. Só o Zenaldo não entende isto.

    Curtir

    Publicado por J.Jorge | 1 de abril de 2019, 08:22
  6. … e acrescente ao seu excelente comentário, prezado jornalista, mais um item: o Bolsonaro faz ” a velha política do toma lá dá cá ” dele, pra ele e pros chegados. Privilégios maiores pra previdência militar, tomam-se mais privilégios do Civil que já são minguados…e declarações estapafúrdias dos seus auxiliares.

    Curtir

    Publicado por Alcebíades | 1 de abril de 2019, 08:33
  7. E a corrupta elite se esbalda com os serviços do milico embusteiro.

    Curtir

    Publicado por Luiz Mário | 2 de abril de 2019, 09:31

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: