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Economia, Petróleo, Política

Corrupção na Petrobrás

Talvez por estar na linha de tiro de petistas e bolsonaristas, o jornal O Globo vasculhou seu acervo para uma matéria com a qual espera demonstrar que a corrupção na Petrobrás, maior empresa e símbolo nacional, é antiga. Nunca deixou de ser grave, mas só se institucionalizou em 2003, no primeiro governo Lula.

Não por acaso, o centro dessa corrupção sistemática foi batizado de Departamento de Operações Estruturadas, pela principal empreiteira do cartel que se formou para sugar dinheiro da estatal, a Odebrecht.

Resultado: em 2014, ano da reeleição de Dilma Rousseff como presidente da república, a Petrobrás teve um prejuízo de R$ 21,58 bilhões de reais, dos quais R$ 6,2 bilhões provocados pelos desvios de recursos identificados pela Operação Lava-Jato. O balanço anual só foi divulgado depois de uma longa celeuma, já quando as contas da estatal brasileira se haviam transformado em escândalo internacional.

Segue-se a matéria de O Globo.

Um dos principais alvos da Operação Lava-Jato da Polícia Federal (PF), a Petrobras — a maior estatal do país — já enfrentou outras investigações de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados. Dirigentes da companhia foram convocados, desde a década de 50, para prestar esclarecimentos a parlamentares. No dia 24 de maio de 1958,

O GLOBO informava que o coronel Janari Nunes [paraense, que foi governador do Amapá, quando território federal], presidente da empresa, prestava depoimento para desmentir acusações feitas pelo “Diário de Notícias”. Entre elas, estava a de ter ocultado do presidente da República — na época, Juscelino Kubitschek — que o mandato de um dos diretores, Nazaré Teixeira Dias, estava encerrado desde 1956. Janari Nunes, na ocasião, defendeu-se culpando a imprensa. Alegou que se tratava de uma campanha do jornal contra ele e a diretoria.

Na década seguinte, uma nova polêmica envolveu outro presidente da empresa. “Só cego não vê que o que acontece na Petrobrás está acontecendo no Brasil”, afirmava o general Albino Silva, presidente da “Petrobrás” (à época com acento) na CPI sobre Assuntos do Petróleo, no Palácio Tiradentes, segundo reportagem publicada em 28 de janeiro de 1964.

Aos parlamentares o executivo disse ainda que alguns diretores mantinham compromissos “que não eram específicos aos cargos que ocupavam”. Eram tempos do governo de João Goulart, dois meses antes do golpe que o depôs da Presidência da República. Além disso, o general ressaltou que havia um “anel de ferro” transformando a empresa “num organismo impenetrável” e que estabelecia um clima de terror em diversos setores.

Outro lado da história foi publicado pelo jornal no dia seguinte. Nessa edição, Jairo José de Farias, ex-diretor da estatal, acusava Albino Silva de ser agente de cartéis internacionais. Ainda assim, segundo o jornal, o diretor não possuía provas para culpar o general.

Símbolo nacional, a estatal tem na sua biografia outros episódios que afetaram a sua credibilidade. “Petrobrás passa pelo maior escândalo de sua história”, noticiava O GLOBO no dia 13 de dezembro de 1988. A edição destacava que o escândalo, na subsidiária Petrobrás Distribuidora (BR), era o maior dos 35 anos da companhia, criada em 1953 no governo do presidente Getúlio Vargas após a campanha nacionalista “O petróleo é nosso”, que mobilizara setores da sociedade brasileira desde os anos 40.

De acordo com as informações, sete banqueiros haviam procurado, em novembro de 1987, o presidente da Petrobras, Armando Guedes Coelho. Eles estavam sendo pressionados por funcionários da BR para obter vantagens e benefícios para manter e até aumentar depósitos da estatal nas instituições financeiras. A cobrança das comissões, segundo denúncia da época, atingia a cifra de US$ 2 milhões mensais. Quem governava o país era o presidente José Sarney, e a crise na empresa culminou com o pedido de demissão de Armando Guedes, noticiado no dia 17 de dezembro de 1988. Quatro anos depois, um novo escândalo envolveu a empresa no governo Collor.

Em 20 de março de 2014, a Operação Lava-Jato, desencadeada pela PF três dias antes com a prisão de 17 pessoas, entre elas o doleiro Alberto Youssef, chegava à maior empresa estatal brasileira. Naquele dia, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa foi preso com R$ 1,1 milhão guardado em sua casa. Além de Costa, outros três ex-diretores da Petrobras foram presos na Lava-Jato: Nestor Cerveró (Internacional), em 14 de janeiro de 2015, Renato Duque (Serviços), em 16 de março, e Jorge Zelada (também da Diretoria Internacional), em 2 de julho.

Durante as investigações, o Ministério Público Federal denunciou à Justiça 36 pessoas suspeitas de participar no esquema de corrupção da Petrobras, sendo 25 ligadas a grandes empreiteiras. A mais recente CPI da Petrobras para investigar o esquema de corrupção na companhia, revelado na Lava-Jato, cujos processos são conduzidos pelo juiz federal do Paraná Sérgio Moro, foi anunciada no dia 5 de fevereiro de 2015 pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, posteriormente acusado de também estar envolvido no esquema de propinas.

Foi em depoimento à CPI, em março daquele ano, que o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, delator do esquema, afirmou que recebia pagamentos de forma pessoal desde 1997, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Porém, segundo ele, somente a partir de 2003, já no governo Lula, é que a propina foi “institucionalizada”.

A PF identificou 16 empreiteiras que se organizavam — numa espécie de “clube do cartel” — para fraudar licitações, corromper agentes públicos e desviar recursos da estatal. Entre as acusadas estão grandes empreiteiras, como Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Odebrecht.

Na 14ª fase da operação, realizada em 19 de junho de 2015, a PF prendeu executivos ligados aos principais grupos empresariais supostamente envolvidos, entre eles o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo.

Em meio aos escândalos de corrupção, a Petrobras divulgou o seu balanço, com cinco meses de atraso, em abril de 2015. O resultado foi um prejuízo de R$ 21,58 bilhões em 2014. Do total, a própria empresa reconhece R$ 6,2 bilhões provocados pelos desvios de recursos.

Discussão

6 comentários sobre “Corrupção na Petrobrás

  1. Tem que privatizar esta roubalheira e livrar o dinheiro público desta atividade que não deve ser estatal.

    Concorrência logo!.

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    Publicado por juina | 14 de abril de 2019, 20:07
  2. Durante a ditadura militar, a Petrobras criou a Interbras, pra operar no comércio exterior. A sede da Interbras ficava ao lado da sede da Petrobras, na Av. Chile, centro do RJ, e era luxuosa tanto quanto, embora sem os jardins suspensos do petrossauro.

    Do outro lado da rua, ficava a sede do BNH, que não deixava por menos, em termos de luxo…

    Os três imensos prédios formavam um triângulo, logo apelidado pelos cariocas de “Triângulo das Bermudas”, porque ninguém sabia (nem jamais saberia), qto de dinheiro público sumia ali, sem deixar vestígio.

    Roubalheira institucionalizada? Ora… Só porque ninguém podia denunciar abertamente, tendo que se contentar em “murmurar pelas pregas”, não significa que não existia, ou mesmo que era menor do que se viu nos tempos petelhos.

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    Publicado por Elias Granhen Tavares | 14 de abril de 2019, 22:49
  3. No Brasil, a roubalheira sempre foi privatizada. O que nunca deixou de ser público (embora nem sempre notório), é o prejuízo provocado pela roubalheira privada.

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    Publicado por Elias Granhen Tavares | 14 de abril de 2019, 22:54
  4. A corrupção sempre foi a Acrópole das elites…

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    Publicado por Luiz Mário | 15 de abril de 2019, 11:32
  5. Lúcio, estás sabendo que o STF mandou a revista Crusoé tirar do ar uma revista que mostra a conexão entre Toffoli e Lava Jato? Alem disso, chamou os jornalistas para deporem na Polícia Federal. Parece que a liberdade de imprensa no país está em perigo.

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    Publicado por Jose Silva | 15 de abril de 2019, 17:34

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