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Ecologia, Economia, Grandes Projetos, Minério, Multinacionais

O tamanho da Hydro

A Hydro faturou neste ano quase 8 bilhões de reais através das três empresas que controla no Pará – a Albras, que produz alumínio primário; a Alunorte, que é a maior produtora mundial de alumina, o insumo principal do metal; e a Mineração Paragominas, que lavra bauxita.  Em conjunto, a multinacional norueguesa conseguiu chegar a um lucro de R$ 30 milhões, embora tenha sido obrigada a reduzir a sua produção em 50%, como punição do governo pelo alegado acidente ambiental que teria provocado na sua operação em Barcarena, a 50 quilômetros de Belém.

Em 12 horas, entre os dias 16 e 17 de fevereiro do ano passado, a chuva atingiu mais de 231 milímetros em 12 horas. Moradores da região, constatando a súbita mudança na coloração da água dos rios e igarapés, que se tornaram avermelhadas, denunciaram o vazamento dos rejeitos da produção de alumina da Alunorte, na forma de lama vermelha, que tem componentes poluidores, principalmente soda cáustica.

No seu balanço, a empresa diz que mais de 90 vistorias, promovidas por 13 órgãos governamentais (federais, estaduais e municipais), entre fevereiro e maio de 2018, não detectaram “qualquer sinal de transbordamento” dos seus dois depósitos de rejeitos sólidos. Mas recebeu 13 autos de infração e 91 notificações, que a levaram a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta, no valor de 250 milhões de reais. Com isso, foi autorizada a retomar a plena produção das suas unidades de produção, em janeiro deste ano.

Com a redução da produção, a Alunorte caiu de um lucro de R$ 633 milhões em 2017 para um prejuízo de R$ 164 milhões no ano passado, com queda de faturamento de R$ 5,5 bilhões para R$ 4,1 bilhões, graças ao melhor preço do produto. A valorização do alumínio, de 31%, fez com que a receita da Albras (de R$ 2,8 bilhões) fosse apenas 9% inferior à de 2017, preservando lucro de R$ 126 milhões. O lucro da Mineração Paragominas diminuiu de R$ 159 milhões para R$ 68 milhões no período, com decréscimo do faturamento de R$ 1,2 bilhão para pouco menos de R$ 890 milhões.

Desde 2010, quando sucedeu a ex-estatal Companhia Vale do Rio Doce, em 2010, a norueguesa Hydro passou a controlar um dos mais importantes polos integrados de alumínio do mundo.

ESCLARECIMENTO

A assessoria de imprensa da Hydro enviou a seguinte nota, a propósito de texto que publiquei hoje no blog:

Gostaríamos de comentar com você alguns pontos da matéria publicada hoje (03/05), sobretudo a respeito do retorno da produção da Alunorte.

De início, a empresa continua com a produção embargada, aguardando decisão da Justiça para voltar a operar 100%. O status é de produção em 50% de sua capacidade.

Para esclarecimento, os embargos de produção e do uso da recém-desenvolvida área de depósito de resíduos sólidos de bauxita (DRS2) permanecem em vigor e o tempo de retomada das operações normais permanece incerto.

Em abril, a Justiça Federal em Belém realizou uma audiência conciliatória entre o Ministério Público e a Alunorte para discutir o embargo, momento em que foi entregue ao Tribunal uma petição conjunta para a retirada dos embargos de produção.

Mais informações constam no site da empresa, no link: https://www.hydro.com/pt-BR/imprensa/noticias/2019/ministerio-publico-e-alunorte-entram-com-peticao-conjunta-solicitando-ao-tribunal-federal-a-retirada-do-embargo-a-producao/.

Sobre o faturamento das empresas, as três tiveram quedas no ano passado, diferente dos valores de ativos, registrados nos balanços. Ou seja, o faturamento foi fraco. Caso você deseje mais detalhes, estamos à disposição.

______________________

A matéria registra as quedas nos faturamentos brutos. Mas mostra que a queda de receita não foi proporcional à redução da produção física, de 50%, porque os preços dos produtos se valorizaram, exercendo o fator compensatório. Foi perda absoluta, mas não relativa ao volume de produção.
Os balanços informam que o que faltava era liberar o DRS-2, ainda embargado pela justiça federal. Ou foi assim que li. Faço a correção neste aspecto: a liberação continua pendente na justiça.

Todas as informações que usei foram tiradas dos balanços das três empresas, submetidas à minha análise.

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