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Política

O pesadelo

Jair Bolsonaro era o homem errado na hora certa no lugar certo.

A maioria do povo brasileiro queria um anti-Lula. Buscava uma alternativa à direita do que a esquerda vinha fazendo no poder. Era uma aspiração legítima e bem fundamentada. A parte amplamente majoritária da sociedade experimentara a consumação do desastre na primeira metade do segundo mandato de Dilma Rousseff. Evidentemente, ela não caiu por irregularidades formais de gestão da administração pública, que tantos outros antes dela praticaram também, Caiu porque deixá-la no poder significaria sujeitar o Brasil aos riscos do pior governo de toda história republicana.

Dilma não foi deposta por um golpe militar, mas por inviabilidade econômica utilizada pela maioria política no parlamento. As instituições continuaram a funcionar regularmente, na precariedade de sempre. Quem assumiu foi o vice-presidente. Azar do país que o jurista Michel Temer integrasse uma organização criminosa aboletada em parte da estrutura estatal. Não fora assim, ele teria feito a correção de rumos e a reforma à direita de que a nação carecia naquele momento.

Por mediocridade e pusilanimidade, Temer recebeu, em noite soturna, nos porões da residência oficial, Joesley Batista, um dos frutos do BNDES lulista e dilmista. Assinou ali sua sentença de morte. Ou melhor: a prova da sua culpa, que está sendo utilizada contra ele no devido processo legal, sem romper a ordem democrática vigente no Brasil.

Menos de cinco meses depois de eleito, Jair Bolsonaro se revela como uma versão direitista de Dilma Rousseff, ampliada e agravada, o que parecia impossível. Ele foi eleito por ser de direita. Não é isso o que importa. O que importa é que ele mão sabe o que diz, muito menos o que faz. O que importa é que ele não exerce o comando legal do Brasil.

Age através de um comando digital no exterior, destituído de coerência ou compromisso com a realidade, numa pantomima que contrasta com a gravidade da conjuntura nacional num momento extremamente delicado da história mundial. Delega competência de porta-vozes clandestinos aos filhos, que integram organizações informais e extra-legais de profundidade ainda insondável. Numa sucessão de organizações criminosas, o Brasil tinha que chegar a uma família criminosa.

Embaraçado nessa teia de urdiduras criadas por sua própria incompetência, com doses de insanidade e truculência, Bolsonaro & família ameaçam romper todos os elos da normalidade, sob a alegação de serem vítimas de uma conspiração corporativa e política armada contra sua ação salvadora e salvífica. Febril e irreal, a tese transforma num universo de reações amplo e diverso, que inclui empresários, atores políticos e personagens como a TV Globo e o jornal O Estado de S. Paulo numa milícia de esquerda.

Trama que já inclui bolsonaristas arrependidos e direitistas conscientes. Brasileiros que não querem voltar ao passado nem atos de voluntarismo malsão, como o impositivo Lula Livre, à margem da mesma apuração que atinge Lula e não inclui a desastrosa Dilma, certamente por não ter provas de que ela agiu pessoalmente como seu padrinho. O mal que ela fez é muito maior, sem ser da mesma natureza do antecessor.

Tomara que o Brasil sobreviva a esse pesadelo. Que a luz solar que cobre esta imensa nação prevaleça sobre as trevas projetadas pelo homem errado na hora certa no lugar certo.

Discussão

7 comentários sobre “O pesadelo

  1. Meu Caro Lúcio Flávio!
    Me perdoe, mas não concordo muito com essa sua colocação!
    O Governo Bolsonaro, apesar de pouco tempo, já fez significativas mudanças no País!
    A começar pelo desmantelamento de parte da estrutura arcaica e maléfica existente até então!
    A eleição de Bolsonaro foi vitoriosa, principalmente pela forma de se expressar perante aos eleitores brasileiros!
    Sem contar, que essa casta de políticos cafajestes , em uma grande maioria, indecorosa, que habitam o congresso exercem negativamente para atrapalha-lo.
    O tempo ainda é pequeno, para um julgamento mais preciso!
    Vamos dar tempo ao tempo….
    Forte abraço.
    Fernando Pereira

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    Publicado por Fernando Pereira | 19 de maio de 2019, 16:19
  2. Do ponto de vista da política econômica, 2019 já acabou. E já se sabe o resultado: PIB sem crescimento ou, na melhor das hipóteses — e bote melhor nisso! — andando de lado, feito desenho de catacumba egípcia da antiguidade.

    Tem a reforma da Previdência, claro… ela vai sair, lógico! Não exatamente como o governo a propôs, mas alguma coisa vai ser aprovada, jogando a conta nas costas de quem carrega a tralha. Mas nem o “Posto Ipiranga” diz que ela produzirá algum efeito na dinâmica da economia. De novo, segundo as otimistas expectativas do ministro, a reforma da Previdência dará mais “credibilidade” ao país, atraindo novos investimentos estrangeiros. Ou seja, coisa pra depois do dia 31 de fevereiro de 2025. Por ora, o que se tem são empresas estrangeiras de grande porte fazendo as malas. Não por causa da Previdência, mas por causa de um mercado que não só não se expande, como encolhe…

    Pra que servirá a reforma da Previdência, então? Pra aliviar o caixa do governo, claro! E, nas circunstâncias, aliviar do modo doentio, que é o lado da despesa. Reduzir despesa da Previdência não gera emprego. Diferentemente, gerar emprego reduziria o problema da Previdência, porque, com mais emprego, aumentariam as contribuições previdenciárias, o que aliviaria o caixa do governo de modo saudável.

    A Previdência Urbana deveria voltar a ser superavitária, como foi até 2015. Aí, sim, se iniciaria o debate sobre a reforma desse mastodonte. O regime de repartição puro, em uso no Brasil até hoje, é um regime arcaico e economicamente inviável. Do ponto de vista técnico, nada mais é do que um “Esquema Ponzi”, uma pirâmide financeira, algo que, se praticado pelo empreendedor particular, é considerado crime. Nos EUA, rendeu cadeia e expulsão ao próprio Carlo Ponzzi (que morreu pobre e tuberculoso no — adivinhem só… — Brasil, claro), e, mais recentemente, cana dura a Bernard “Bernie” Madoff.

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    Publicado por Elias Granhen Tavares | 19 de maio de 2019, 20:06
  3. Concordo Lúcio com a tua opinião,mas em relação à Dilma,vamos fazer uma correção: foi o pior governo do regime democrático.Colocá-la no mesmo patamar de ditadores como Vargas(que a esquerda burramente insiste em glorificar) e os generais da repressão pós-1964,é um enorme exagero.Qualquer governo autoritário vai ser sempre pior que qualquer democracia,por mais incompetente que seja o presidente na sua gestão.O respeito aos direitos humanos e à liberdade de expressão são valores que estão acima de qualquer progresso econômico e social.Não pensar dessa forma,nos faz cair na arapuca da defesa da intransigência institucional em detrimento do respeito aos valores já citados.Erro cometido por radicais à esquerda e à direita,acólitos da repressão de Fidel Castro e dos generais do milagre econômico,que obviamente não é seu caso,apenas quis fazer um reparo.
    Tenha uma ótima semana.

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    Publicado por Rafael Araújo | 20 de maio de 2019, 08:11
  4. Sugestão:

    Não se exaltem: o plano de Bolsonaro não é um golpe ou uma renúncia, ele é covarde demais para ambas hipóteses. Colocado contra a parede por 2 milhões de pessoas, Bolsonaro percebeu que sua base popular está ruindo, a força de suas Fakenews não é capaz de conter a oposição que, agora, além de trabalhar intensamente no Congresso Nacional, também ocupa as ruas e exige que compromissos constitucionais (como a educação) sejam respeitados, pois estão além de interesses de governos, são questões de Estado. Acuado e distante, a única resposta dada pelo presidente decorativo, diretamente de Dallas, foi a disseminação de um texto (bem mal escrito, diga-se) em tom bastante depreciativo contra as instituições e, justamente por isso, classificando o Brasil como “ingovernável”. Sabíamos desde as eleições (ou até mesmo antes) que, para um completo despreparado como Bolsonaro, seria impossível implementar qualquer política razoável ou de crescimento à frente do Planalto. Um amador chegou com mentiras e dinheiro ilegal para campanha à Presidência e sequer conhece os limites e poderes de um Presidente da República.

    Bolsonaro age como um estagiário que, ao se deparar com sua primeira experiência de emprego, se assusta ao perceber que o salário na conta ao final do mês somente é alcançado depois de intenso e árduo trabalho. As derrotas do capitãozinho são tão intensas que até mesmo um texto alternativo na Comissão Especial da Reforma da Previdência é pensado para substituir o que foi enviado ao Congresso Nacional pelo governo. Além disso, as relações de Fabrício Queiroz e Flávio Bolsonaro atingem a primeira-dama Michele Bolsonaro, beneficiária de cheques depositados em sua conta por Queiroz. O nepotismo da Família Bolsonaro é prática antiga e a ferida agora é explorada para barrar a tentativa de hipertrofia do poder executivo. Um corrupto que se elege sob a égide da moralidade não sustentou a mentira por sequer 5 meses e agora amarga severas derrotas em função de sua vida pregressa de reputação nada ilibada.

    No entanto, Bolsonaro não tem hombridade para tentar criar uma ruptura institucional ou renunciar. A carta lançada a sua fiel, cega e acrítica base eleitoral não tem outro objetivo a não ser acalmar seus eleitores para aceitarem o que virá: uma entrega completa, uma verdadeira imersão naquilo que Bolsonaro criticou em campanha, mas sempre fez parte: a velha política. Se compararmos o texto distribuído por Jair à atitude de Jânio Quadros, cometemos um erro grave. Jânio queria descobrir o real peso de seu apoio parlamentar, apostou e perdeu. Bolsonaro sabe que não tem apoio parlamentar que sustente uma ameaça de renúncia. O texto divulgado por WhatsApp, que sequer é de sua autoria, critica todas as estruturas no Brasil, mas não apresenta diagnósticos. Coloca o presidente em uma condição de inação que lhe resta apenas o golpe, a renúncia ou a imersão nos moldes políticos pré estabelecidos.

    A essa altura, como justificar a volta de 29 ministérios? Como mostrar a seus eleitores as falhas do decreto das armas? Como esclarecer todas as derrotas institucionais que sofrem por pura inabilidade política e por não conhecerem as funções e prerrogativas do Poder Executivo? Bolsonaro age como uma criança birrenta, que não reconhece seus erros e limites. Por covardia, sempre joga suas responsabilidades para outras pessoas e instituições e espera que, assim, o povo aceite suas rotas de fuga sem fazer críticas.

    (Articulação e Resistência
    18 de maio às 23:56 ·
    Dia137)

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    Publicado por Luiz Mário | 20 de maio de 2019, 09:54

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