//
você está lendo...
Cultura, Política

A história política do Pará

Durante vários anos escrevi e editei um caderno especial no aniversário de O Liberal, em 15 de novembro. Quando a data coincidia com uma eleição, a política era o tema do caderno. Em 1978, por exemplo, o suplemento especial contou a história da primeira república no Pará, desde a proclamação, em 1889, até a revolução de 1930.

Na eleição de 1982, o governador voltou a ser escolhido pelo povo, depois de 17 anos de abstinência, quando os votos eram exclusivos de um restrito colégio eleitoral. Retomei a história a partir da revolução dos tenentes, que colocou Getúlio Vargas no poder, especialmente no período da quarta república, que renasceu das cinzas do Estado Novo, em 1945, até a última eleição direta para o governo do Estado, em 1965, com a vitória do tenente-coronel Alacid Nunes, e a consolidação da nova ordem política, em 1966, com a eleição do ex-governador, o coronel Jarbas Passarinho, para o Senado.

Disse, na apresentação ao caderno, de 16 páginas, em formato grande:

Essa reconstituição foi realizada apenas através dos jornais da época, que continuam sendo a melhor fonte de consulta [na época, era extremamente escassa a bibliografia a respeito] Não se trata de um levantamento exaustivo: o objetivo foi o de introduzir o leitor no conhecimento de uma fase tão pouco estudada. E a ajudá-lo a compreender melhor o próprio momento em que vive.

Uma reflexão sobre esse período da história paraense, isenta de passionalismo, mostrará justamente que as paixões nunca foram um bom critério para a ação política. E que esta só resulta em benefício coletivo quando é produto de uma participação mais ampla. Do contrário, o poder acaba sendo uma arma de retaliações entre grupos que se polarizam.

Como a história de mais de 30 anos girou em torno de Joaquim de Magalhães Cardoso barata, ela ainda está marcada pelo ranço dos que o apoiaram ou combateram, vendo-o ora como uma personalidade quase divina, ora como um tirano estereotipado. Barata, porém, é o exato reflexo de uma época marcada pela decadência da borracha (que até provocou uma redução na população) e pelos reflexos da Segunda Guerra Mundial. Alguns poderiam denominá-la a “Idade Média Paraense”, mas, como o próprio modelo, a realidade não cabe nesse conceito. É preciso iluminá-la com a força da razão.

Este trabalho só foi possível graças à prestimosa ajuda dos funcionários da Biblioteca e Arquivo Público do Pará, que permitiram e facilitaram a consulta às coleções de jornais.

A partir de hoje, quando se registram os 60 anos da morte de Magalhães Barata, estimulado pelo fotógrafo e amigo Paulo Santos, que cobrou pela minha manifestação em comentário neste blog, vou reproduzir os textos do suplemento especial que escrevi e editei em O Liberal 37 anos atrás. Espero que seja útil a quem se interessa pela história paraense.

Discussão

11 comentários sobre “A história política do Pará

  1. Bravo, quiçá os textos gerem livro (didático)

    Curtir

    Publicado por igor silva | 29 de maio de 2019, 21:21
  2. Excelente e oportuna iniciativa. Poucos conhecem a história do Pará, até por conta de uma bibliografia rarefeita. Terminei de ler, com muito agrado, “O Pará Republicano” de Ricardo Borges. Presentemente releio “Depoimentos Para A História Política do Pará”, do esforçado Carlos Rocque, cuja falta de método nas perguntas não prejudica a qualidade das respostas. Recompenso com um livro a quem me disser o nome do assassino de José Avelino. Nem o principal acusado- mas logo inocentado- Agostinho Monteiro fazia idéia, segundo o neto Francisco Brasil Monteiro (excelente advogado, um dos mais competentes de sua geração). O episódio me intriga desde criança.

    P. S. – Vê se não fica só na promessa.

    Curtir

    Publicado por Alcides | 30 de maio de 2019, 02:39
    • A identidade do assassino de João Avelino é um mistério que desafia o tempo. Avelino, um baratista, atacou o médico Agostinho Monteiro, político da oposição a Barata, armado de revólver e punhal. Dois tiros foram disparados de dentro da confeitaria Serra, em frente à qual os dois brigavam, pois o velho Agostinho (que conheci pessoalmente), forte e alto, reagira. Avelino foi atingido na nuca e nas costas,. Caiu já morto. Ou todos protegeram o dr. Agostinho, hipótese já desmentida, ou o assassino teve cobertura e saiu. Uma das testemunhas não revelou o nome do personagem a pedido do médico. Até onde sei, é a história. Tenho uma hipótese, mas não posso prová-la. Estiu atrás dessa informação.

      Curtir

      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 30 de maio de 2019, 11:09
      • Sim, não José, mas João. Também conheci o dr. Agostinho Monteiro mas não tinha intimidade para esse tipo de pergunta.

        Curtir

        Publicado por Alcides | 30 de maio de 2019, 11:31
      • Sim, João. Uma forte rinite alérgica está me deixando meio “zuruó”.
        O dr. Agostinho foi vice do Jarbas Passarinho, quando ele se tornou governador, em junho de 1964. Mas divergiram. No gabinete de Milton Trindade, desabafou comigo, que era um “foca” adolescente, sempre acompanhado pelo também médico e oficial do exército Agostinho Monteiro Filho (fui amigo de seus filhos e colega de turma da linda e delicada Ivete). Tinha uma estampa impressionante.

        Curtir

        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 30 de maio de 2019, 17:25
      • Quando você a obtiver ( a informação) compartilhe comigo.

        Curtir

        Publicado por Alcides | 31 de maio de 2019, 00:15
      • Se a versão oficial é verdadeira, a outra hipótese talvez envolva um jornalista.

        Curtir

        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 31 de maio de 2019, 08:01
  3. O Movimento das Mulheres de PMs:

    Violência só gera violência. Policiais matando bandidos, como fazia o cabo Peti livremente no bairro do Guamá, são aplaudidos pela sociedade, a mesma que se omite totalmente na hora do revide. Quem acha que a polícia deve tomar para si o papel que não é desempenhado pela justiça e o executivo – o de investigar, prender, julgar e aplicar penas longas em presídios modernos e diferenciados, onde os monstrinhos não se misturem a jovens desorientados, nestas horas nenhuma visita vai fazer para confortar a dor de familias de PMs mortos neste bang-bang entre polícia, milícia e crime organizado.

    Parem todo o bilionário investimento com campos de futebol e começem a fazer prisões modernas. A criança e o adolescente em risco não podem ser misturados a estes monstros que ganham dinheiro aliciando e matando as pessoas através do horror das drogas. Chefões do tráfico e do crime organizado deveriam morar para o resto de suas vidas em prisões obsessivamente limpas e humanizadas, com todos os suportes a uma vida saudável e com assistencia religiosa total; porém sem nenhum contato com o meio externo; sem a mínima possibilidade de fuga ou comando de grupos armados que estão lá fora. Um isolamento essencial para a reflexão e o arrependimento dos seus atos.

    Curtir

    Publicado por J.Jorge | 30 de maio de 2019, 07:47
  4. Lúcio,
    Esses cadernos deveriam mesmo ganhar formato de um livro. Seria muito importante para a compreensão daqueles e destes momentos da política paraense.

    Curtir

    Publicado por Nélio Palheta | 1 de junho de 2019, 23:47

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: