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Colonização, Minério, Polícia, Violência

Castelo dos Sonhos

A história de Castelo dos Sonhos, uma “corruptela” que nasceu à margem da rodovia Santarém-Cuiabá, no início dos anos 1980 e se transformou em distrito de Altamira, é suficiente para um livro, um filme ou um vídeo. Para mim, proporcionou várias reportagens no Jornal Pessoal. Em duas viagens conheci os dois principais personagens pelo controle da região e suas riquezas florestais e minerais: Márcio Martins da Costa, conhecido por Rambo, por motivos óbvios, e o fazendeiro Léo Heck.

Márcio encerrou sua carreira como a manteve ali: à base da violência. Foi morto numa aparatosa manobra da Polícia Militar à sua fortaleza, no meio do agredido mato, a pretexto de acabar com o reinado do Rambo goiano, que era como um senhor feudal. Léo Heck morreu de morte natural em março, aos 84 anos. No dia 10 deste mês, seu filho, João, que era piloto de avião  e dono de garimpo, foi morto a tiros, quando saía da sua casa para o trabalho, em Castelo dos Sonhos.

O atentado teria sido cometido por dois homens, que chegaram em uma motocicleta. Foi suscitada a hipótese de uma disputa familiar pelo patrimônio deixado pelo fundador da cidade. Sua filha e o marido foram provisoriamente para não atrapalhar nas investigações.

Histórias características de um lugar que, só por ironia involuntária, se chama Castelo dos Sonhos.

Discussão

12 comentários sobre “Castelo dos Sonhos

  1. O Pará ainda é o faroeste caboclo. Naquela região o mais longe que cheguei foi em Novo Progresso, e uma curiosidade: na época que estive lá pela última vez o Grêmio estava na final da Taça Libertadores da América e o que se via era a cidade vestida de tricolor gaúcho, carros passando com a bandeira do Grêmio, os bares lotados pra ver o grande jogo. A presença de sulistas na cidade é notável. No dia seguinte o Flamengo jogou pela Copa Sul-Americana, tinha gente nos bares interessadas no jogo mas bem menos que no dia anterior. Foi a única vez que notei o Flamengo levar menos público nos bares do interior do Pará do que outro clube nacional.
    Coisas do nosso Pará, com realidades nos rincões que o paraense desconhece.

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    Publicado por Gleydson | 31 de maio de 2019, 21:52
  2. Em Novo Progresso tive a oportunidade de conhecer o seu Mané do Ouro, uma figura lendária naquela região e que me deleitou com muitas histórias interessantíssimas sobre a época áurea do ouro na década de 1980, naquela região, não sei se você ouviu falar do Mané do Ouro, Lucio.

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    Publicado por Gleydson | 31 de maio de 2019, 21:57
  3. Em dezembro de 2016 Léo Heck lançou sua biografia: “Léo Heck, a história. Editado por uma empresa de publicidade de Guarantã do Norte.

    O nome distrito é grafado no livro como Castelo de Sonhos, conforme a canção de Walter Basso.

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    Publicado por igor silva | 31 de maio de 2019, 22:10
  4. Heck lançou sua biografia em dezembro de 2016: Léo Heck, sua história; editada por uma empresa de publicidade de Guarantã do Norte. Ofertava o livro aos “estrangeiros” que passavam por seu escritório em Castelo.

    No volume o distrito é grafado como Castelo de Sonhos, conforme a canção de Walter Basso.

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    Publicado por igor silva | 1 de junho de 2019, 08:33
  5. Mais um “western tucupi”.

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    Publicado por J.Jorge | 1 de junho de 2019, 15:43
  6. Lúcio, nem as poucas coisas boas que Bolsonaro fazia no congresso funcionam agora. Mais um medicamento da tradicional farmacinha caseira da família nos anos 80s foi proibido: os novos frascos de ATROVERAN são vendidos agora com dipirona no lugar do extrato de planta opiácea. Não entendo esta irracionalidade. Será que os brasileiros não percebem essas coisas? Os americanos consomem 56 vezes mais opiáceos que nós e isto debaixo de um rigoroso controle da vigilância sanitária de lá. Os brasileiros têm de curtir dores terríveis pela falta de morfina, que não existe nem para quem padece de um câncer terminal.

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    Publicado por J.Jorge | 1 de junho de 2019, 15:57
    • Jorge, foi algum imbecil da Anvisa que implicou com o remédio, um dos mais eficazes que já vi. Acho que o Bolsonaro não teve nada com isso. Essas agências reguladoras, foco permanente de disputa política e corrupção, parece que foram criadas com o propósito de também atrapalhar e prejudicar suas vítimas: nós todos.

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      Publicado por Alcides | 2 de junho de 2019, 20:38

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