//
você está lendo...
Imprensa, Polícia, Política, Segurança pública, tráfico de drogas, Violência

Chacina: final artificial?

A imprensa endossa a posição da polícia: está encerrada a investigação da chacina do dia 19, que resultou na morte de 11 pessoas. Depois que a secretaria de segurança pública anunciou, anteontem, que todos os oito assassinos foram identificados e estão presos, o assunto sumiu das sangrentas páginas dos jornais de hoje. A polícia diz que cumprirá o prazo legal, a terminar na terça-feira da próxima semana. Não pedirá prorrogação. O caso foi completamente – e satisfatoriamente – solucionado, mesmo envolvendo quatro policiais militares.

Talvez até o encaminhamento do inquérito à justiça, algumas perguntas, dúvidas e questões ainda venham a ser esclarecidas.

Afinal, o bar onde ocorreu a chacina era ou não ponto de venda de drogas? O oficial superior responsável pelo policiamento da área, o tenente-coronel Jorge Wilson de Araújo, afirmou que é. Seu superior, o comandante da PM, coronel Dilson Melo Júnior, o desmentiu categoricamente, no dia seguinte à declaração. Negou até que batidas tivessem sido feitas no local, como informou Araújo (que teria sido afastado do 20º batalhão).

O objetivo dos assassinos era matar duas das cinco mulheres que estavam no bar, incluindo a sua proprietária, por envolvimento no tráfico de drogas. Mas por que eles executaram também pessoas que estavam ocasionalmente no local? Por que liquidaram todas as pessoas que estavam à vista deles?

Se a ação foi para vingar colegas mortos, por que a operação foi tão ostensiva e despreocupada? Por que se reunir numa padaria situada tão perto do bar, sem preocupação em garantir alguma privacidade? Por que atacar o bar m plena tarde de domingo? Por que arriscar a carreira, a liberdade e a sobrevivência de suas famílias por solidariedade corporativa, numa ação desastrada, que começou a ser desmontada no dia seguinte ao seu cometimento? E se foi ação de milícia, a serviço de traficante, por que arriscar tanto por tão pouco?

Ou havia uma retaguarda de apoio e suporte, ainda oculta, que não existia de fato, falhou ou traiu os milicianos, quatro deles da PM, três deles cabos da ativa?

Muitas perguntas sem resposta. Ou resposta insuficiente para levar a imprensa ao silêncio, que trai seu compromisso com a informação a ser dada ao leitor.

Discussão

2 comentários sobre “Chacina: final artificial?

  1. são perguntas irrespodíveis dentro da estrutura social programada iníqua e consentida em que se encontra belém

    Curtir

    Publicado por felipe puxirum | 31 de maio de 2019, 18:11
  2. Nada cai do céu ou brota das profundezas do inferno. Ainda que a corrupta elite goze com o círio de nazaré.

    Curtir

    Publicado por Luiz Mário | 31 de maio de 2019, 19:19

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: