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Cultura, Política

A política no Pará (4)

(Dou continuidade aos textos publicados na edição de aniversário de 1982 de O Liberal)

Em 1947, votaram 120 mil eleitores em um colégio eleitoral de 200 mil (o Pará tinha um milhão de habitantes). Deveriam escolher o novo governador (o interventor federal era José Faustino), três senadores, nove deputados federais e 37 estaduais. O PSD, novamente sozinho, apresentou o nome do major Moura Carvalho, que foi deputado estadual em 1935, comandante da Polícia Militar, chefe de polícia civil e era deputado federal, eleito em 1945.

A oposição não conseguiu se unir mais uma vez. A UDN rejeitou o lançamento de candidatura única por todas as forças anti-baratistas, apoiando Prisco dos Santos. O PSP trouxe de volta a Belém o general Zacarias de Assunção para enfrentar o coronel Magalhães Barata.

Assunção fora comandante da 8ª região militar e assumira o governo do Estado durante três dias, em 1945, quando Getúlio Vargas caiu e Barata foi exonerado. Cumpria uma orientação do ministro da guerra: se fosse necessário à ordem pública, os comandantes militares deveriam assumir os governos estaduais. Nesse curto período, segundo a Folha do Norte, o jornal que assumiu a mais constante e feroz oposição a Barata, Assunção “libertou o Pará dos guantes do baratismo, operando de pronto sua ansiada redenção”.

O PSD tentou impedir a candidatura de Assunção, considerando-o inelegível porque assumira o governo no período de 18 meses antes da eleição, o que a legislação proibia. O PSP retrucou que o general não assumiu de fato a interventoria e que a sua presença no governo fora ato da sua função militar. O PSD lembrou que, mesmo assim, Assunção recebeu remuneração pelo cargo. Mas o Tribunal Regional Eleitoral, por quatro votos a três (com o voto de minerva do seu presidente, desembargador Arnaldo Lobo), mandou fazer o registro.

Alguns dias antes da eleição,  a Folha do Norte publicaria um elogio de Luis Carlos Prestes a Moura Carvalho, tentando demonstrar vinculação entre os comunistas e os pessedistas. O Liberal reagiu dizendo que não havia escândalo nesse elogio e que o PSD não rejeitaria os votos dos comunistas porque o PCB era um partido legal. Não apresentando candidatos, poderia apoiar qualquer um.

Em nota oficial, a Liga Eleitoral Católica anunciou que não iria indicar o nome de Moura Carvalho “por ser o candidato do Partido Comunista”, provocando outra resposta do PSD. Considerando ter havido “lamentável equívoco”, o partido afirmava que o seu candidato “não é, nem nunca foi, em absoluto, candidato do Partido Comunista, com o qual não tem, nem jamais teve nenhum compromisso, entendimento ou acordo, sendo, como é público e notório, radicalmente contrário aos postulados de sua doutrina, que não se conformam com a sua formação moral e tradição religiosa”.

O PSD e seu presidente, o senador Magalhães Barata, atribuía as acusações ao PSP, que estaria manipulando a LEC. A Liga pedira duas declarações a Moura, na qual ele devia negar plenamente qualquer acordo com os comunistas. O candidato respondeu, mas a Liga considerou reticentes suas declarações e manteve o veto à sua candidatura.

Mais uma vez, no entanto, o PSD teve uma grande vitória: Moura Carvalho recebeu mais de 68 mil votos, Assunção apenas 46 mil e Prisco dos Santos não chegou aos quatro mil. Dos 56 municípios do Estado, o PSD venceu em 51. Elegeu 23 dos deputados estaduais, ficando o PSP com nove, a UDN e o PTB com dois cada e o Partido Comunista com um, Henrique Santiago (mas teve apenas 3.800 votos, contra quatro mil na eleição anterior).

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