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Política

El brujo-ps

Olavo de Carvalho queria ser o PF (Paulo Francis) da direita. Quase conseguiu. Virou o PS (post-scriptum) da direita, na tradição de decadência dos convertidos políticos. Só num governo do padrão Bolsonaro podia se tornar o ideólogo e influir na subida ou descida de integrantes da administração pública, teleguiando a república pela internet a partir dos Estados Unidos.

O Brasil tem o Hector Cámpora que merece, ao som de um tango confusamente peronista e no refluxo dos 50 anos em 5 de JK para os 5 meses menos 50 de Bolsonaro, o governo que fica sem tempo para fazer o que deve porque o gasta em feitiçarias virtuais. Um governo que promete se engrandecer ao demitir para se apequenar ainda mais em seguida, agora com tamanho liliputiano, ao admitir o substituto. Voltando à rede – de algodão e de celular.

Discussão

3 comentários sobre “El brujo-ps

  1. Apesar dos pesares, tal comparação tende a humilhar o personagem de língua espanhola.

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    Publicado por Luiz Mário | 14 de junho de 2019, 19:38
  2. É desagradável voltar a comentar aqui justamente para criticar negativamente alguém, mas tentarei ser justo.

    Só tive acesso, pela primeira vez, à internet de qualidade em 2002, quando entrei na faculdade de jornalismo por causa de seus laboratórios de informática. Orkut, YouTube, a moda do ateísmo provocando os teístas e dá-lhe “ciência moderna” é isso, “hegemonia cultural esquerdista é aquilo” destruindo a família e o Ocidente e etc. Adorava participar dessas discussões! Bancando o “advogado do diabo” e um “Sócrates de meia tigela”, naturalmente, diante desses religiosos exasperados com o mundo materialista anticristão gay e etc..

    Durante essas discussões no Orkut era frequente aqueles teístas citarem um autor que nunca tinha ouvido falar: Olavo de Carvalho. Descobri que ele era muito popular no Orkut, onde havia comunidades a favor e contra ele. Com centenas de participantes. E muito popular também no então recente site YouTube, onde havia muitos vídeos dele com trechos do seu “true outspeak” e trechos de suas vídeo aulas (hoje os seus vídeos aulas não são comuns de se acharem no YouTube). Estes vídeos também tinham centenas de visualizações e de comentários. Pelo conteúdo e pelo modo como ele se expressava, apenas julgava que ele era uma figura folclórica e obscura; não conhecido no mainstream cultural brasileiro. Eu não assinava mais a Folha de S. Paulo, mas assistia TV e lia a Veja com alguma regularidade. Nunca tinha ouvido falar no Olavo.

    De 2006 a 2009 eu era muito ativo em meu blog cultural e nas redes sociais. Mantive meu gosto por discussões e percebendo a centralidade de Olavo de Carvalho para aqueles conservadores, me interessei por ele. Frequentava muito o seu site, onde li dezenas e dezenas de artigos de jornal e trechos de suas apostilas que ele publicava lá. Além de assistir aos vídeos dele no YouTube.
    Eu discordava e achava exótico e engraçado, mas, por favor acredite, eu também prestava atenção e questionava o que encontrava com seriedade.

    Não é um autor sério. Não me refiro às opiniões políticas conservadoras demais, mas à questão técnica: a sua filosofia. Não é discurso de autoridade: qualquer um pode discordar de Kant, Newton, Hume, Marx e etc. Mas se espera que a discordância esteja em harmonia com a bagagem educativa da pessoa. É um “fulano disse isso” e “por isso esta errado”. Ele não ataca frontalmente os textos dos grandes filósofos. Nem nos artigos de jornal e nem em seus textos técnicos. Eu já conhecia Nietzsche, Bacon, conhecia os textos introdutórios de Os Pensadores, e de Bryan Magee e de Reali e Antiseri (História da Filosofia). Era algo cognitivo, mas também “instintivo”: o Olavo não poderia ser um autor sério. Não tinha como! A partir de 2009 não mais prestei atenção nele.

    Aí um pouco mais de uma década ele surge como ideólogo do presidente do Brasil! É alienação minha, pois agora sei que ele sempre foi razoavelmente conhecido pelo mainstream cultural brasileiro; mas a minha impressão é que ele saiu do nada para o poder! Foi subestimado e venceu, como tantos “alpinistas sociais”. Alvo de risos, agora ri poderoso.

    Desculpa o texto grande Lúcio, é que o “Caso Olavo” mexe comigo porque eu realmente fiquei impressionado com esta lição de política e humildade que testemunhei: um autor folclórico ficar subitamente tão poderoso! É incrível! A minha perplexidade é enorme.
    Abraços e mais uma vez desculpe pelo texto grande.

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    Publicado por Aldrin Iglesias | 14 de junho de 2019, 23:23

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