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Política

O exército evangélico

Foi infeliz a escolha do tema das comemorações pelos 108 anos da Assembleia de Deus, a maior igreja pentecostal do Brasil, com suas raízes do Pará, tendo entre seus integrantes 10% da população do Estado: “um exército de irmãos abençoando a Nação”.

A inspiração pode parecer utilitária, oportunista e política, no momento em que o presidente da república, um capitão da reserva do exército, promove a maior militarização já realizada no poder executivo federal e estimula o uso da violência para resolver conflitos humanos, através da maior liberalidade estatal diante do uso de armas de fogo. A Bíblia recomenda que uma mão não saiba o que faz a outra se ambas se dedicam ao bem. No caso, a mão ignora o que a outra faz para que assim faça o mal sem restrições, uma dualidade bem característica do governo Bolsonaro.

O oportunismo se acentua diante do anúncio de Bolsonaro de colocar um evangélico no Supremo Tribunal Federal. É uma grave involução na constituição do STF, já desvirtuada pela interferência do executivo na seara do judiciário. É o desprezo pelos critérios de recrutamento de ministros. Qual o notório saber jurídico ou a conduta ilibada do atual presidente da corte, Dias Toffoli, que não passou em concurso para juiz em Macapá?

Ainda assim, mesmo no pior momento da história do Supremo, nunca foi sequer levantada a hipótese de se usar a religião como instrumento da escolha, o que significa plantar raízes outras que não apenas as coerentes com uma instituição civil e laica por sua própria natureza.

Ainda mais porque Jair Bolsonaro se tornou o presidente que mais cedo antecipou o nome do cidadão que indicará para ser ministro do Supremo. O que poderia significar a atribuição de grande prestígio ao escolhido se não fosse, na verdade, deixar ao relento e desabrigo o ex-juiz e seu ministro da justiça, o tão prestigiado em gestos (mas não em palavras) Sérgio Moro. O evangélico só viria depois ou essa é mais uma casca de banana bolsonarista na equivocada trajetória que Moro seguiu depois de 22 anos de carreira jurídica?

Do ponto de vista estritamente religioso, que pode ter sido o menos relevante na avaliação dos responsáveis pelo tema, os evangélicos estão assumindo uma postura agressiva contra seus irmãos de outras confissões. Mais do que isso: incorporando a agressividade dos católicos de anos atrás, quando convocavam os “soldados de Cristo”, que não nasceram “senão para a luta”, sendo a Terra “amplo campo de batalha” contra os infiéis. Não só os de religiões anatematizadas como de outras derivações do mesmo Cristo, cujo monopólio Roma reivindicava para si. Uma versão estapafúrdia e triste da péssima inquisição católica.

Os dirigentes da Assembleia de Deus, na escolha, foram mais fieis à política, que seus líderes tanto praticam, do que à sua própria religião. Ofenderam a Deus.

Discussão

8 comentários sobre “O exército evangélico

  1. indico a leitura do livro: os demônios descem do norte, de delcio monteiro de lima

    leitura que me foi necessária, para eu me dar conta do que estar por trás desse discurso “religioso” de “deus” de “salvação” de “bem” etc, entre outras monstruosidades: a satanização da chamada cultura popular em suas manifestações legitimas de identidade coletiva, do comunitarismo herdado pela resistência e sobrevivência pretas e indígenas principalmente, desde os terreiros afro-religiosos até os nossos brinquedos brincadeiras e imaginários, numa prova prática de maniqueísmo diário contra as diferenças de ser estar como direitos sociais, e, no maranhão, por exemplo, sou vitima disso como artista cujas fontes de criação telúricas, são as substâncias populares, nas comprometidas comunidades sob a mão pesada do preconceito disseminado por evangélicos e evangélicas, dia e noite, autodenominados “povo de deus”

    e assumo tudo o que estou afirmando aqui, como vitima e testemunha dessa miséria humana

    caia toda intolerância contra as diferenças, pois o belo da vida é a sua variedade, a unidade na diversidade, que não precisamos de unilateralidades “santificadas” pra viver em sociedade, a sabedoria estar aí pra alguma coisa, minha gente!

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    Publicado por felipe puxirum | 15 de junho de 2019, 12:11
  2. É preciso ser muito míope ou ter miopia seletiva, pra não enxergar o processo de domínio do Islã em curso em inúmeros países do mundo.
    O assassinato em massa de cristãos nos países dominados pelo ISIS ou pelo Boko Haran, justamente pela sua passividade histórica, faz com que sejam abatidos como gado no matadouro. A deep web está cheia de milhares de vídeos que mostram o fato. E os militantes de esquerda, todos adeptos do ateísmo marxista, apoiam esse terrorismo mundial que visa exterminar, literalmente, os cristãos e seus valores de família, ética e moral da face da Terra. Sei que és ateu, mas sugerir que nós cristãos devemos assistir a esse covarde extermínio de nossos irmãos de fé passivamente é de uma, não posso usar outro termo a não ser de uma canalhice sem quaisquer escrúpulos. Os muçulmanos estão no Brasil desde o início de sua colonização, mas agora, já deixaram entrar milhares de sectários fundamentalistas xiitas e sunitas, cujo objetivo é a famigerada guerra santa contra os cristãos. Eles(leia-se Al Quaeda) já receberam inclusive um terreno pra construir seu centro de treinamento, travestido de mesquita, se não me engano, próximo à Brasília, nos governos ptistas. E os cristãos têm que ver, passivamente, a todo esse processo de instalação e fortalecimento de seus algozes passivamente? Acho que, se tivermos que retroceder aos tempos das cruzadas, deve ser as vontades de Alá e Jeová. Que assim seja. Quanto a representação de evangélicos no STF, se facções criminosas têm seus representantes, como os famigerados e cínicos Toffoli, Gilmar Mendes e o Lewianoviski, por que não ter um representante cristão? Acredito que o que não falta é jurista evangélico que possua os atributos necessários. E, vida longa à contrarrevolução!

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    Publicado por Marcio Monteiro | 15 de junho de 2019, 12:48
    • Sua agressividade e desrespeito pelo outro são traços nada cristãos. Parece incapaz de divergir racionalmente. Sou cristão e acredito em Deus, mas nunca aceitei os dogmas e intolerâncias de fundamentalistas. Para ajudar o Bolsonaro, cite um verdadeiro e respeitável jurista evangélico, que não repita os Lewandowski, Mendes e Toffoli.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 15 de junho de 2019, 16:52
  3. Sérgio Moro é evangélico. Batista.

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    Publicado por Elias Granhen Tavares | 15 de junho de 2019, 13:12
  4. Tomara que ele indique William Douglas.

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    Publicado por jjss555js | 15 de junho de 2019, 16:05
  5. Se ser cristão é concordar com o pensamento agressivo desse Márcio Monteiro, abdico agora de minha origem cristã. Mas se ser cristão continua ser acreditar e seguir os preceitos ensinados por Jesus Cristo então continuo com a minha fé.

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    Publicado por Gleydson | 15 de junho de 2019, 20:01
  6. Viva o anarco-comunismo-ateu!

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    Publicado por Luiz Mário | 16 de junho de 2019, 07:56

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