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Imprensa

Cadê o grande jornalista?

Jornalistas mais antigos, que são mais caros, são substituídos por jornalistas mais novos, que são bem mais baratos, quando simplesmente não são demitidos ou chamados para um acordo aviltante. Para escapar da degola, têm que aceitar a redução do que ganham, em função tanto de sua qualificação quanto do tempo de serviço. Nada comparável ao padrão do mundo do  entretenimento, que costuma transformar o jornalista em palhaço.

Em busca do máximo de economia, até certo ponto natural e inevitável diante da crise do jornalismo, sobretudo do impresso em papel, excelentes jornalistas têm que abdicar dos seus métodos e dos componentes da sua experiência que os distinguem e engrandecem.  O de Clóvis Rossi, que morreu na sexta-feira e foi enterrado ontem, em São Paulo, aos 76 anos, era viajar para cobrir os principais acontecimentos em todas as partes do mundo, como enviado especial da Folha de S. Paulo, onde trabalhou em 39 dos seus 53 anos na profissão.

Rossi foi merecidamente elogiado por todos, muitos dos quais falam mais de si do que do personagem, que serve de escada para alguns autores dos perfis subirem, saindo do seu anonimato. Ele integrava a legião dos jornalistas que chegaram às redações após a redemocratização de 1945 (e, principalmente, durante o governo de Juscelino Kubitschek, um dos períodos mais democráticos , confiantes e inventivos da república brasileira).

Foram atingidos pelos golpes de 1964 e 1968, mas os atravessaram com dignidade e competência. Ajudaram na volta à democracia, mas foram fulminados por um ambiente de sectarismos e intolerâncias, que, ao negá-la, inviabiliza o jornalismo independente. A tecnologia das mídias sociais, dando voz a todos e servindo de fio condutor da irracionalidade, arrematou a patada.

Os amigos de Rossi e meus que consultei desconheciam, como eu, que ele tinha problema cardíaco. Só soube dos cinco stents que colocaram nele no hospital Albert Einstein ao receber a notícia de que ele morrera, na madrugada de quinta para sexta-feira, por um infarto fulminante, na cama, ao lado da esposa, dias depois de ser liberado. Morte desconcertante, como o final – frequentemente melancólico, na intimidade de suas vidas – de grandes jornalistas como Rossi – e como outros tantos que estão nas coxias do palco jornalístico de má qualidade que se apresenta ao país.

Discussão

4 comentários sobre “Cadê o grande jornalista?

  1. Ele foi grande.

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    Publicado por Edyr Augusto | 17 de junho de 2019, 00:07
  2. UBER precisa estar atento para transformações:

    Nos últimos 6 meses aumentou muito a ocorrência de dois tipos de condutores no UBER: profissionais ex-taxistas e motoristas de carros escurecidos ao extremo. Os ex-taxistas não praticam a filosofia do serviço – direção defensiva, de acordo com as rotas preferidas pelo usuário; em vez disso correm muito e escolhem rotas preferidas deles. Já os “amantes do escuro” revestem todos os vidros do carro com as películas mais enegrecidas do mercado e geralmente apresentam fortes odores oriundos de alquimias diversas. Reclamam quando é solicitado viajar com as janelas abertas. Comentei com um motorista de conduta padrão (5*) e ele me contou que já viu muitas queixas de mulheres que preferiram cancelar a viagem a entrar nos carros escurecidos.

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    Publicado por J.Jorge | 17 de junho de 2019, 08:30
  3. olhem as vísceras do maior poder ideológico no brasil: a rede globo de televisão, um laboratório de alienação social

    junho de 2019, 07h17
    Ali Kamel defende cobertura do Jornal Nacional em caso Moro e reage à comparação com Zorra Total

    Número 1 do jornalismo da Globo, Kamel mostra-se indignado porque artigo diz que o Jornal Nacional teria dedicado mais tempo ao suposto crime de hackeamento dos celulares dos procuradores do que ao conteúdo das mensagens, divulgadas em reportagens pelo site The Intercept
    Ali Kamel e Sergio Moro (Reprodução)
    Por Redação

    Diretor de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel reagiu com irritação ao texto “Poupado pelo Jornal Nacional, Moro vira paródia no Zorra“, publicado pela jornalista Cristina Padiglione no portal Telepadi, especializado na cobertura de TV.

    Inscreva-se no nosso Canal do YouTube, ative o sininho e passe a assistir ao nosso conteúdo exclusivo

    Em resposta, Kamel – o número 1 do jornalismo da Globo – saiu em defesa da cobertura do JN e disse que o artigo é “injusto”. “A Globo deu amplo espaço ao assunto desde domingo, no ‘Fantástico’, quando o vazamento começou a ser divulgado pelo site The Intercept Brasil”, como pode ter poupado Moro?”, indaga, em resposta ao site.

    Leia também
    Ex-heróis: Zorra Total, da Globo, faz paródia com Moro e Dallagnol, e viraliza nas redes

    O diretor global mostra-se ainda indignado porque o texto diz que o Jornal Nacional teria dedicado mais tempo ao suposto crime de hackeamento dos celulares dos procuradores do que ao conteúdo das mensagens, divulgadas em reportagens pelo site The Intercept. “Não é verdade, o JN noticiou a apuração da PF como era o seu dever”, reage.
    Veja também: Moro diz que indicou testemunha ao MPF contra Lula “por descuido”

    Atacando a jornalista – “espanta que a autora compare humor e jornalismo” – e diz que “no JN de sábado, dia do esquete do Zorra mostrado na coluna, o JN dedicou três minutos e quarenta e cinco segundo a novos diálogos divulgados pelo Intercept e mais quarenta e cinco segundos de uma nota da defesa de Lula contra o ministro Moro. Sem nada esconder, sem poupar ninguém”.

    “O JN não é imune a críticas, mas não pode deixar sem resposta tentativa de estabelecer narrativas tão injustas”, finaliza Kamel.

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    Publicado por felipe puxirum | 17 de junho de 2019, 10:40

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