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Índios, Ecologia, Economia, Estrangeiros, Minério, Política

O nióbio de Bolsonaro

Mal chegou ao Japão, para participar da reunião (ainda em andamento) do grupo que congrega os 20 países mais ricos do mundo (na América do Sul, também a Argentina; o Chile é apenas convidado), o presidente Jair Bolsonaro foi às ruas buscar as provas que confirmariam o seu mais recente bordão: o Brasil precisa ampliar a exploração do precioso nióbio, minério do qual é o único a ter jazidas. E não pode ser apenas exportador da matéria prima: tem que beneficiá-la.

A demonstração das verdades ocupou um quarto dos 22 minutos da entrevista coletiva do presidente à imprensa, ontem, em Osaka. Como um mágico ou um camelô, o presidente foi puxando de cima da mesa e mostrando os objetos que comprou, todos contendo nióbio brasileiro. Desde uma bijuteria, passando por colher e garfo e chegando a um pingente, com os quais gastou 1,3 mil dólares (em torno de 5 mil reais).

Ironizou a bijuteria, por custar mais do que o ouro e ser tão cara quanto uma joia verdadeira, referindo-se à sua vantagem sobre o cobiçado metal dourado: tem várias cores, conforme a têmpera (a do presidente era azul), e não provoca alergia, como sofre a menina (enfatizou e repetiu a palavra) quando recebe um colar de ouro da sua mãe para usar.

Satisfeito pela exibição, o presidente admitiu que a compra vai sair ainda mais cara porque o valor ultrapassa a franquia da alfândega. Se não quiser pagar o imposto devido, deixará o objeto na aduana, talvez convencido de ter valido a contribuição para atrair os japoneses, que teriam comprado a jazida de Catalão, em Minas, onde funciona a única usina de nióbio, em Araxá.

Bolsonaro quer abrir a reserva biológica do morro dos Seis Lagos, em São Gabriel da Cachoeira, quase na divisa do Amazonas com Roraima, famosos tanto por sua beleza e significado ecológico quanto pelas “chaminés alcalinas”, testemunhos da maior concentração de nióbio do planeta (além de outros minérios). A reserva biológica se confunde com um território indígena e um parque nacional em torno do Pico da neblina, o ponto mais alto do Brasil), formando uma das áreas mais exemplares da natureza na Amazônia.

Já que Bolsonaro convidou o presidente Emmanuel Macron a visitar a Amazônia e verificar que o Brasil é o país que mais protege a natureza no mundo, poderia perguntar-lhe, ao final, se ele aprovaria a introdução da mineração naquele paraíso, se ele pertencesse à França.

Discussão

6 comentários sobre “O nióbio de Bolsonaro

  1. Todo mundo tirando sua casquinha com o “Tio do cafezinho”.

    Pura crueldade. O Bolsonaro até agora não fez nada. Logo, não fez nada de errado.

    “Eu só trafico coca…”, diria ele, como aquele primo do Aécio…

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    Publicado por Elias Granhen Tavaresl | 30 de junho de 2019, 10:44
  2. Comparável ao (des)governo da Ana, não?

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    Publicado por Bernstil | 30 de junho de 2019, 17:53
  3. Lucio, há nióbio no PA?

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    Publicado por jjss555js | 1 de julho de 2019, 06:24
  4. É… Igualzinho!

    Mas, qdo começarem a divulgar o canto do passarinho, na Espanha, muitas diferenças vão aparecer…

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    Publicado por Elias Granhen Tavaresl | 1 de julho de 2019, 08:05
  5. Esse sargento definitivamente não se encaixa no perfil de um transportador de droga por atacado: morava num apartamento barato, estava com o condomínio atrasado e andava numa moto barata e velha.

    É o protótipo do jabuti na forquilha…

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    Publicado por Elias Granhen Tavaresl | 1 de julho de 2019, 10:19

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