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Política

E Brasília, o que é?

Dou passagem a um texto que o advogado Alcides Alcântara me mandou como comentário e que cabe como delicioso artigo neste blog.

Nos anos 1950, os Estados Unidos faziam de Cuba o seu quintal. O que os ianques não ousavam praticar em seu próprio território, esbanjavam na Ilha, carente de lei e de ordem. Nos cabarés de Havana e casas de tavolagem, conviviam em transcendental promiscuidade rufiões, proxenetas, mulheres de vida difícil, mulheres de reputação duvidosa, políticos, militares, empresários, mafiosos. Uma chusma sem igual, em permanente lassidão moral.

Uma verdadeira Sodoma caribenha, que prosperava sob o olhar enternecido do Asmodeu local, que atendia pelo nome de Fulgêncio Batista. Até que Fidel Castro, com meia dúzia de heroicos gatos pingados, desceu da Sierra Maestra e fez lá o que o Alacid faria aqui anos depois: fechou o meretrício. É certo que o major não matou ninguém. Já Fidel fuzilou alguns milhares, preço altíssimo que não estamos dispostos a pagar, suponho.

Pois bem. No quesito promiscuidade, com atores de outra cepa, Brasília dos anos 2000 é a Cuba dos anos 50: lobistas, traficantes de influência, advogados picaretas, juízes safados( nada pior), políticos achacadores, rebentos de ministros advogando descaradamente em tribunais superiores, enfim, patifes de variados calibres, que se entendem em convívio promíscuo e dividem o inesgotável butim, aos olhos de uma população que vai do aturdimento à indiferença.

Aquilo é um espaço de horror! Tudo que não presta vem de lá. Mantê-la deve nos custar um Portugal por ano. Só a conservação anual daqueles quilômetros quadrados de viçoso gramado deve corresponder, de sobra, aos recursos que o Ministério da Educação quer subtrair às universidades. Eis um bom tema para uma tese de doutorado: quanto custa Brasília para o Brasil?

Ninguém é santo (irmã Dulce foi a última), mas o padrão moral que lá vigora,  se me permitem a comparação,  parece ter a consistência elástica  e perene de um hímen complacente ( Clarindo Martins, nas aulas de medicina legal no antigo “Casarão”. Ainda se estuda isso no curso de Direito?).

Outro dia, em entrevista, Ciro Gomes, que parece ter sido educado entre Eton e Oxford, disse que Fortaleza é um puteiro a céu aberto. Não digo a mesma coisa do nosso Distrito Federal. Pelo menos aqui, nas boas casas do ramo (acho que desapareceram), havia educação, a moralidade do local, ordem, respeito. Que digam os que frequentaram a Dulce(?), a Moza(?) e quejandos, madames muito consideradas. Sei por ouvir dizer, nunca as frequentei por absoluta falta de capital.

No baixo meretrício, a zona propriamente dita, vez ou outra, é verdade, havia umas escaramuças, quase sempre provocadas por homens que, servidos, queriam dar calote nas laboriosas operárias do amor ou que, entre si, disputavam os favores de uma dama mais formosa. Também lá não estive, se alguma tentação houve quero crer que foi logo sufocada pela lembrança do Jango com aquela perna incrivelmente rígida, consequência de uma gonorreia mal curada, diz a lenda. Então, melhor não arriscar.

Seja como for, constitui abominável preconceito comparar a canalhice dos homens ao caráter das profissionais do sexo, apenas porque estas, corajosamente desprendidas, mediante paga, satisfazem às necessidades daqueles que, temporariamente desassistidos, a elas recorrem. Brasília, com o seu bolsão de iniquidades, é bem mais do que isso; no que não presta, ganha fácil do que foi a antiga Havana, da atual Fortaleza ou de qualquer casa de tolerância.

– Oh, Juscelino! Juscelino! Que fizeste tu construindo Brasília? Exclamação de Prudente de Moraes em súbita aparição na serra da Mantiqueira

Discussão

3 comentários sobre “E Brasília, o que é?

  1. Brasília apenas recebeu os maus costumes que, antes, pontificavam no Rio de Janeiro, ora pois…

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    Publicado por Elias Granhen Tavares | 23 de julho de 2019, 08:17
  2. É o puxadinho que recebe a nata política profissional da corrupta elite.

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    Publicado por Luiz Mário | 23 de julho de 2019, 10:13
  3. Muito bom.

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    Publicado por Ricardo Condurú | 23 de julho de 2019, 10:40

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