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Política

A política no Pará (11)

(Dou seguimento à matéria publicada em 1982)

Praticada quase sempre apenas em função de nomes, a política sofreu uma profunda modificação, neste aspecto, após o movimento militar de 1964. Os nomes foram embaralhados, um ou outro jogado fora, e surgiu um novo quadro. O governador Aurélio do Carmo e o prefeito de Belém, Moura Carvalho. foram cassados, não sem antes ter havido grande movimentação de bastidores para uma composição mais incruenta.

O PSD ainda continuou com maioria na Assembleia Legislativa: 16 dos 37 deputados estaduais eram do partido de Barata (morto cinco anos antes); 7 eram do PSP, 5 do PTB, 4 da UDN, 2 do PR e 3 estavam sem legenda. Os pessedistas controlavam a maioria das prefeituras do interior. Mas as ameaças de novas degolas e os métodos do governo revolucionário que se implantava, levavam o partido a agir com muita cautela.

Foi o que levou o PSD a apoiar a candidatura do deputado José Maria Chaves à presidência do legislativo estadual, mesmo sem ele ser membro do partido e até integrasse o grupo “revolucionário”, que apoiava os militares desde o início. Sem suas principais lideranças, o PSD preferiu esperar um pouco antes de tentar definir o seu candidato à sucessão de Jarbas Passarinho, em 1965. Além do Pará, em mais nove Estados seriam realizadas eleições nesse ano.

Mas também não havia união entre os oito partidos (UDN, PSP, PTB, PR, PTN, PL, MTR e PDC) que apoiavam o novo governo, mesmo tendo sido atingidos pelos “revolucionários”, com a suspensão dos direitos políticos de vários parlamentares dessas agremiações. Aceitar essas perdas seria uma condição para a sobrevivência dos partidos  e eles aceitaram, embora procurando tirar vantagens da submissão.

No final de abril de 1965, o governador se reuniu com os 23 integrantes do bloco “revolucionário”. Foram examinados quatro nomes que poderiam sucedê-lo: o major Alacid Nunes, que assumira a prefeitura de Belém, deputado federal Stélio Maroja, senador Cattete Pinheiro e marechal Zacarias de Assunção, que era senador e presidente da comissão de segurança nacional do Senado.

O próprio Passarinho comunicara quais as condições que o candidato deveria preencher: estar de acordo com as tendências da “Nova Ordem” e, por isso, ser aprovado pela “linha dura” das forças armadas. O deputado José Maria Chaves, não incluído na relação discutida entre o governador e os parlamentares, se afastaria e romperia com Passarinho. O PSP queria que Ribamar Soares fosse o vice de Stélio Maroja, candidato à prefeitura de Belém, numa composição com a antiga CDP [Coligação Democrática Paraense, de oposição a Barata]. Passarinho, porém, impôs o nome de Ajax de Oliveira. O PSP se sentiu desprestigiado. O PTB, duramente atingido, recebeu o cargo de vice-governador, entregue a Renato Franco.

Os partidos aceitaram a solução revolucionária com certa relutância, quando Passarinho anunciou o nome de Alacid Nunes. Em maio, o PSP, PR, PL e MTR fizeram reunião para defender a indicação do nome de um correligionário para o governo e que apenas Passarinho e Alacid não poderiam ser candidatos. Como o governo federal pretendia chegar a uma candidatura única, o presidente Castelo Branco chegou a pensar nos nomes do senador Cattete Pinheiro e do advogado Otávio Mendonça, que lhe foram indicados pelo coronel Gustavo Moraes rego, temeroso de que uma divisão dificultaria a vitória e que o nome de Alacid não seria bem recebido. Passarinho foi ao presidente para lhe garantir que Alacid venceria.

Para enfrentar um candidato militar, o PSD foi buscar outro militar, o mesmo Assunção descartado por Passarinho. O velho marechal fora, praticamente, desde a sua chegada ao Pará, como comandante da 8ª região militar, um adversário do pessedismo e, particularmente, de Magalhães barata, a quem venceu em 1950. Durante todo esse período, disputou três eleições, sempre pela oposição ao baratismo. E agora o próprio PSD o transformava em candidato ao governo.

Discussão

3 comentários sobre “A política no Pará (11)

  1. Lúcio,,impossível comentar sobre a matéria acima.
    A internet aqui em Salinas, é da pior qualidade.
    Já tentei 3 vezes, mas o q digito desaparece perto do fim.
    Logo que possa farei comentários a respeito da matéria.

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    Publicado por Ronaldo Passarinho | 27 de julho de 2019, 17:18
  2. Lúcio, os prefeitos que aderiram foram atraídos pelo heliotropismo, como se deu no 2 turno, em 1994.
    A única exceção foi o de Santarém, Everaldo Martins.
    A cassação do dep. Benedito Monteiro foi de iniciativa da Assembleia Legislativa, por unanimidade de seus membros.
    O então dep. Hélio Gueiros, líder da bancada do PSD, fez o encaminhamento a favor da cassação.
    Jarbas não poderia concorrer à reeleição que só surgiu no Gov. FHC.
    NA reunião do Gov. JP com os deputados que o apoiavam, foram distribuídas “cédulas” com os nomes, pela ordem, de Alacid, Cattete, Stelio Maroja e um quadrinho em branco para a livre escolha dos membros da bancada.
    O nome do Assumpção não foi cogitado.
    A Folha do Norte, depois de perder os “ estipêndios” oriundos dos cofres estatuais, moveu violenta campanha contra JP.
    Miguel Lupi Martins, Theodoro Brazão e Silva, João Malato eram expoentes máximos. Até um coluna criada, “Informante Invisível “ só atacava o Governo.
    O nome do Otávio Mendonça, só foi cogitado publicamente na sucessão do Gov. Guilhon.

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    Publicado por Ronaldo Passarinho | 29 de julho de 2019, 17:31

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