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Política

A política no Pará (13)

(Reprodução de matéria publicada em 1982)

A vitória do governo na eleição de 1965 foi absoluta. Alacid Nunes teve 163 mil votos, contra apenas 67 mil de Assunção. Foi só um pouco mais do que os 60 mil votos que tornaram Stélio Maroja prefeito de Belém. Seu adversário, Maravalho Belo, não passou de 13 mil. Alacid venceu em 78 dos 83 municípios do Estado.

Pouco depois da eleição, Passarinho mostrou que nos cinco municípios nos quais perdeu, a diferença foi de poucos votos. Foi por larga margem onde ganhou, de forma surpreendente em alguns municípios, como na Zona Bragantina, “onde a oposição não se cansou de fazer demagogia em torno da retirada dos trilhos da tradicional e histórica Estrada de Ferro Belém-Bragança”.

O governador disse que um dos principais motivos da vitória foi a distribuição de terra aos lavradores, que receberam dois mil “títulos de posse”. Ao ganharem sua propriedade, eles verificavam “que a Revolução não era o bicho de sete cabeças pintado por alguns. Antes, as terras paraenses eram vendidas aos ricaços do sul do país. Com a Revolução, o interior, além de terras, ganhou escolas, sementes, postos de saúde, financiamentos e estradas”, proclamou Passarinho.

Ele destacou ainda o espírito de tolerância dos revolucionários do Pará, que deixaram livres os cassados, “a fim de que ficassem perfeitamente caracterizadas as suas atitudes junto ao povo. Como eram contrabandistas, o dinheiro de sua campanha era oriundo do comércio ilegal. E o povo percebeu”.

Seus adversários, no entanto, argumentavam que ele se aliara a cassados, como o ex-governador do Amazonas, Gilberto Mestrinho, Nagib Mutran, Américo Silva e Alberto Nunes, e a representantes da estrutura que acusava de corrompida, como o pessedista Armando Corrêa. E que usava a ameaça de cassação para fazer correligionários.

Passarinho retrucou, lembrando os métodos usados no passado em favor do PSD: “A SPVEA fazia entrega de cheque, em público, como fez, para fim eleitoral; os SNAPP entregavam navios que possuíam para a campanha eleitora. O BCA [Banco de Crédito da Amazônia, o atual Basa] financiava à vontade, eleitoralmente, tudo a mando do poder central combinado com o podr estadual”.

Um jornalista pessedista admitiu que outros governos praticaram atos irregulares, a fim de favorecer seus partidos, mas alegou haver uma diferença, porque o governo poderia abonar essas práticas. Garantia que a vitória alcançada “é mera parte de uma rotina inalterada na história política do Pará, a mesma que fez que, no governo, o sr. Moura Carvalho elegesse o sr. Aurélio do Carmo governador do Estado com uma margem de 60 mil sufrágios, e o sr. Aurélio do Carmo, também no governo,, elegesse o sr. Moura Carvalho prefeito de Belém”.

Lupi Martins, jornalista que apoiara o movimento militar, mas não Passarinho, observou que o empenho do governador não foi tanto para derrotar o candidato oposicionista, mas derrotar o PSD: “E para então aproveitar-se dessa derrota com a cumplicidade de trânsfugas e traidores apoderar-se do PSD paraense e transformá-lo no trampolim de sua candidatura ao Senado e numa força capaz de enfrentar o governo eleito que não concorde em apoiá-lo no futuro pleito de governador do Estado”.

Discussão

6 comentários sobre “A política no Pará (13)

  1. Lúcio, O Alacid, depois do primeiro m a ndato, foi ser executivo da Cibrasa, então comsndada por Gilberto Mestrinho. Certo?

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    Publicado por Nélio Palheta | 29 de julho de 2019, 10:45
    • Não tenho essa informação. O Alacid foi para a Cibrasa depois de deixar o governo, no primeiro mandato, em 1971. Por influência do Cordeiro de Farias, seu padrinho, que trabalhava na Cibrasa, amigo que era do dono da empresa, João Santos. O Mestrinho se ligou ao Alacid na campanha de 1965, diretamente, dando dinheiro para “o boi do churrasco”, tradição de compra de votos na campanha eleitoral, e do Ocyr Proença, que comprou O Liberal e colocou o jornal, ex-porta-voz do baratismo, em instrumento da campanha. No ano seguinte o Romulo Maiorana o comprou,

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 29 de julho de 2019, 11:20
  2. Lúcio, os baratistas apoiaram o Alacid por se considerarem traição à memória de Barata, a escolha do Gen. Assumpção como candidato ao Governo.
    Lupi Martins via um “comunista” em cada esquina. Seus argumentos tinham a marca do ódio. Lembras que na eleição indireta do Alacid para Prefeito, ao ser anunciado o nome do Irawaldir Rocha, como vice, dentro do Plenário da Câmara Municipal, Lupi Martins em altos brados chamou o Irawaldir de comunista, oportunísta, etc.
    A eleição para o Senado em 1966 ocorreu em 15 de novembro
    do mesmo ano. Jarbas passou o Governo em 31/1/66.
    É público e notório que Jarbas, sem qualquer função nos dez meses e meio que antecederam sua eleição para o Senado, não recebeu qualquer apoio oficial. Seu adversário, Moura Palha, antes do término das apurações, telegrafou-lhe cumprimentando-o e desejando-lhe êxito.
    Em números redondos:
    Jarbas Passarinho: 204 mil votos.
    Moura Palha. : 36 mil votos.
    Não sou historiador mas, fui testemunha e participe daqueles tempos.
    Abraços

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    Publicado por Ronaldo Passarinho | 29 de julho de 2019, 17:58
  3. Logo depois de sair do governo do Pará, Jarbas Passarinho foi para a Fiepa, onde criou e dirigiu o EDEPI (Escritório de Desenvolvimento e Planejamento Industrial), que daria origem ao IDEPAR (Instituto de Desenvolvimento Empresarial do Pará).
    O objetivo do EDEPI era apoiar a implantação de novos projetos indudtriais no Pará e a modernização dos projetos já implantados. No limite, o EDEPI se propunha a formular uma política de industrialização para o estado.
    Uma iniciativa bonita e generosa que, infelizmente, se perdeu.

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    Publicado por Elias Granhen Tavares | 29 de julho de 2019, 19:58
  4. Parabéns pelos textos sobre a história política do Pará. Semprei te considerei,além de excepcional jornalista,um excelente historiador,independente de não teres a formação acadêmica em ambas as áreas.Quanto ao Sr.Ronaldo Passarinho,é só ele procurar escrever o que viu,ele pode ser historiador da mesma forma.
    Só para deixar claro que sou,com muito orgulho,bacharel em História pela Ufpa, além de possuir a licenciatura plena,e entendo que assim como o jornalismo,não há a necessidade da formação acadêmica para exercer o ofício de historiador.
    Abraços,Lúcio e tenha uma ótima semana.

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    Publicado por Rafael Araújo | 30 de julho de 2019, 13:54

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