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Economia

A juta industrializada em Santarém

Reproduzo este meu texto, da Memória de Santarém, conforme publicado em  2008, no blog do jornalista Miguel Oliveira.

O começo da Tecejuta

A Companhia de Fiação e Tecelagem de Juta de Santarém (Tecejuta) começou a funcionar oficialmente em 10 de novembro de 1951. Seu objetivo era industrializar a juta no seu próprio centro de produção, o Baixo Amazonas. Até o final do exercício desse ano apenas havia aparelhado o seu escritório, que funcionava na rua João Pessoa, 260, e organizado sua escrita contábil.

Mas no relatório anual, a diretoria prometia que em 1952 “todos os esforços serão conjugados na construção do edifício industrial da empresa, em terreno já escolhido, como também a importação das máquinas encomendadas, necessárias ao funcionamento da fábrica”. Se essas providências fossem cumpridas, “é bem possível que em 1953 o estabelecimento fabril venha a funcionar, coroando de êxito os esforços despendidos e proporcionando os resultados esperados”. Walter Putz era então o presidente, Kotaro Tuji o diretor-gerente, Mário Mendes Coimbra o diretor comercial e Elias Ribeiro Pinto o diretor-secretário. O Conselho Fiscal era integrado por Adherbal Tapajós Caetano Correa, Vicente Malheiros da Silva e João Vieira Cardoso, tendo como suplentes Antônio Diniz Sobrinho, Manoel Cardoso Loureiro e Artur Vieira Brandão.

No início de 1952 chegou a Santarém, procedente do Japão, a planta da futura fábrica, que seria construída no bairro da Prainha, contendo, além das especificações técnicas da construção, a disposição das máquinas a serem instaladas. A estrutura metálica da fábrica pesava 200 toneladas. Embarcou no porto do Rio de Janeiro, em 1953, com destino a Santarém, num navio do Lóide. A construção ficou a cargo do engenheiro Agenor Penna de Carvalho. No dia 7 de dezembro de 1952 foi lançada a pedra fundamental da fábrica.

Em 11 de março do ano seguinte Elias Pinto e Kotaro Tuji foram recebidos pelo presidente Getúlio Vargas no Palácio Rio Negro, em Petrópolis. Informaram o chefe do governo sobre a chegada do primeiro contingente de máquinas, procedente do Japão, e o lançamento da pedra fundamental das instalações industriais.

Segundo o despacho telegráfico da agência de notícias Asapress, o presidente “mostrou-se vivamente satisfeito ao receber as notícias, e afirmando a promessa anteriormente feita de que visitará Santarém por ocasião da inauguração da referida Usina, o que devia acontecer até o final desse mesmo ano.
Abordado sobre a situação da juta, Getúlio garantiu prorrogar por mais um ano o decreto que estabeleceu o preço mínimo da fibra na safra anterior e também o seu financiamento. Elias Pinto “tratou depois da situação de Belterra, tendo o presidente Vargas demonstrado muito interesse pela situação dos trabalhadores daquela plantação, levando aquele prócer trabalhista instruções a fim de encaminhar medidas capazes de melhorar o padrão de vida dos moradores de Belterra”.

Discussão

3 comentários sobre “A juta industrializada em Santarém

  1. O suicídio do presidente se não arrefeceu mas comprometeu o sonho desenvolvimentista da cidade.

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    Publicado por Pedro Pinto | 5 de agosto de 2019, 19:29
  2. Tu te lembras em q ano transferiram para a Bahia a produção de sacos de café, não mais de uta…acabando com a vida de quemtrabalhava com juta.

    Curtir

    Publicado por Dulce Rocque | 23 de outubro de 2019, 16:17

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