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Cultura, Imprensa

Artistas!

A crônica é o gênero literário mais tipicamente brasileiro – por ser fugaz, efêmero, um voo de pássaro ao correr da pena? Talvez, mas não tanto. Há conistas que fizeram a melhor literatura. Como o carioca Carlos Heitor Cony, do qual a Confraria dos Bibliófilos do Brasil lançou uma seleção de crônicas, 60 anos depois que saía da impressora o primeiro livro do autor, o romance O Ventre, de 1958.

A antologia não se utilizou de crônicas dos três maiores livros dessa modalidade, como hoje se diz. Pela ordem cronológica, Da Arte de Falar Mal (título da coluna de Cony no Correio da Manhã), O Ato e o Fato e (para mim, o melhor de todos) Posto 6, o primeiro e o último sem reedição alguma, ao que eu saiba.

O belo volume da confraria, de produção artesanal, traz, porém, um mimo: as maravilhosas ilustrações do paulista Bruno Liberati, que se consagrou no extinto Jornal do Brasil, quando em papel. Bruno é meu querido amigo e foi meu colega na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, quando ainda tentava ser sociólogo e já era colonista. Acho que fui o primeiro a publicar uma charge dele na imprensa, na minha página do Jornal Pessoal, em A Província do Pará, em 1973.

Liberati (o único nome usado no livro) é dos exemplares raros do cartunismo no Brasil inspirado no americano Saul Steinberg. O outro foi o mineiro Vagn, por trás do qual estava Vagner Tadeu Horta. Preso por ironizar em traços cáusticos (um cavalo com a bandeira nacional no ventre) o AI-5, mesmo solto, tão abalado estava que acabou se suicidando no hospital, onde estava se tratando, de overdose. Tinha 24 anos. Está tão esquecido que o banco de dados do jornal O Estado de S. Paulo conduz a pesquisa com o nome dele a hortas de vários tipos, menos ao brilhante e meteórico artista.

Como nao tenho à mão, ainda, os desenhos de Bruno, mostro aos leitores um pouco da curta – mas densa – obra de Vagn (que inclui uma releitura pessoal da Bíblia), a quem tive a ventura de conhecer, no Rio, aonde chegou em 1967 e viria a morrer no ano seguinte.

Bruno Liberati em plena criação e Vagn, merecendo uma redescoberta, juntos no meu blog e no meu coração.

PS – O livro é um presente de Reginaldo Cunha. Obrigado, amigo.

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Discussão

Um comentário sobre “Artistas!

  1. Santa Casa

    As maiores mazelas do serviço público são criadas pelos que mais criticam as mazelas do serviço público.

    Existe atualmente um inchaço de servidores administrativos na Santa Casa – culpa exclusiva de Simão Jatene que promoveu o empreguismo eleitoreiro, principalmente pela via do nepotismo e da peixada política. Por outro lado alguns setores da atividade fim estão operando com défict de pessoal – sendo que em alguns chega a 50%, propositalmente para abrir uma brecha para outro filão de ouro da política – o caixa 2 dos terceirizadores generosamente bem remunerados.

    O novo perfil é uma grave corrupção do que determina a constituição nacional, a moralidade e a ética, pois os órgãos passam a funcionar como reservatórios de pessoal desnecessário em atividade-meio (do nada) e perdem a atividade-fim pois nos terceirizados o caixa-2 é tentador. Carreiras públicas são preteridas em favor de desocupados mal pagos, cujo único valor é retribuirem com votos. Foi o que fez Simão Jatene durante 12 anos e é o que Helder Barbalho aparenta continuar fazendo.

    Durante reunião com servidores, o presidente Bruno Carmona justificou o cardápio de bucho e soja devido ao “alto custo da proteína na refeição dos servidores”. Vinte e nove anos atrás, ao suceder Jáder Barbalho no governo do estado, Almir Gabriel não hesitou em distratar milhares de servidores não estáveis contratados pelo seu oponente de uma penada só. Isto foi comentado por mim no blog antes da eleição, mas Helder não tomou a sugestão e agora permite-se a estupidez de mandar a conta da farra eleitoreira de Simão Jatene a todos os servidores indistintamente. Uma barbalhada.

    Para aqueles que amam a direita e odeiam a esquerda, sirvo a constatação que no governo Ana Júlia (PT) foi promovida a maior descarga de temporários do serviço público estadual, havendo redução de gasto com a folha de pagamento, concurso público, e as maiores reposições salariais desde que foi criado o plano real; e apenas para comparar com a atual gestão, a Santa Casa servia refeições decentes e de acordo com o balanceamento nutricional, e repito: com receita própria menor.

    Os políticos, principalmente os do PSD e do MDB, adorariam ver extinta a estabilidade de emprego dos servidores públicos para usar e abusar das vagas no serviço público em indicações políticas dos gabinetes dos deputados.Lá dentro poderiam colocar seus pimpolhos, suas amantes, seus cabos-eleitorais, etc e transformar órgãos públicos em um espaçoso curral eleitoral, inoperante, viciado, etc. Contam com o apoio votante de uma faixa da sociedade que acredita piamente serem eles os paladinos da cruzada contra servidores públicos.

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    Publicado por J.Jorge | 15 de agosto de 2019, 08:27

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