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Justiça, Política

Rei Artur

Uma coisa é ouvir falar de corrupção em tese, em abstrato. Outra é vê-la em carne e osso, na forma de um ladrão dos cofres públicos, vivendo como marajá graças ao dinheiro roubado e a uma relação promíscua com governantes, colocados em altos cargos de poder e decisão pelo voto popular, na presunção de que reverterão a escolha em benefícios para todos – e não para um ladravaz oportunista, inteligente, audacioso, cínico e inescrupuloso, como Artur Soares.

A reportagem exibida no último domingo pelo Fantástico, da TV Globo, deveria ser reproduzida em todos os locais de reunião de pessoas. Por ser o flagrante vivo e contundente de como vivem personagens da vida brasileira que se aproveitam de um Estado nefasto e de um estado de coisas propícia às ilicitudes.

O empresário Arthur Soares fugiu do Brasil para se livrar da acusação de atuar em licitações fraudadas e de pagar propinas durante a gestão do ex-governador Sérgio Cabral. Uma das acusações, dentre centenas, é de pagar propinas a membros do Comitê Olímpico Internacional para que o Rio fosse eleito sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Esperto como poucos, Artur não participou das comemorações pela vitória, comandadas pelo então presidente Lula (que de nada sabia, é claro). Sempre se manteve à distância, oculto e atento como uma víbora.

Foragido da justiça, porque a justiça demorou demais a mandar prendê-lo, dando-lhe tempo para planejar o seu futuro, ele agora reside suntuosamente em Miami, nos Estados Unidos, onde foi localizado pela reportagem do Fantástico, de volta a algumas coisas de bom jornalismo numa era de (in)cultura bolsonarista..

O empresário conquistou o título de Rei Arthur pelos três bilhões que roubou do Rio de Janeiro durante o mandato do governador Sérgio Cabral, uma das mais corruptas (e das mais cínicas) autoridades públicas da história brasileira. Apesar do pedido de extradição do governo, de 2017, ele circula livremente pelos lugares mais famosos e caros de Miami. O governo americano nem se deu ao trabalho de responder a Brasília. Parece que o rei da pilantragem estará protegido, enquanto gastar rios de dinheiro em território dos EUA de Trump & cia.

Ele dirige um automóvel no valor de 530 mil reais, frequenta restaurantes que servem pratos pelo preço médio de R$ 300 por pessoa. Possui imóveis de alto luxo nos bairros mais sofisticados da cidade, a meca do consumo doentio dos brasileiros endinheirados – pelo trabalho ou pelo roubo.

A reportagem localizou imóveis ligados ao “rei” em oito endereços diferentes. Quatro deles foram sedes de pelo menos 14 empresas. O patrimônio inclui residência em Miami, uma casa na estação de esqui de Aspen, no estado do Colorado, e um apartamento em Paris, capital da França. Ao ser abordado pela reportagem, durante uma caminhada em Miami, Arthur Soares não quis se pronunciar. O empresário permaneceu calado quando perguntado por que não se apresentou à Justiça brasileira e se comprou votos na eleição olímpica do Rio. Nem olhou para o repórter Pedro Bassan, que tentava acompanha-lo, microfone em punho, câmera ao lado.

Poder é isso. Até quando? Ninguém pode prever, diante de mais seis casos de foragidos da Operação Lava-Jato. Está mais provável que ela acabe, enquanto segue a voraz caravana dos corruptos.

Discussão

7 comentários sobre “Rei Artur

  1. Mais um escárnio contra a imagem do nosso país.
    Aliás, acabei de ler a condenação do Fernando Haddad a 4 anos e 6 meses. Recebeu $ 2.milhoes e 600 mil reais da UTV, como Caixa 2.
    Belo aluno do Lulapetismo.
    Será que ainda vai ser colunista da Folha, onde dá aulas de política e “”ética”???

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    Publicado por Ronaldo Passarinho | 20 de agosto de 2019, 18:14
  2. Só para completar:
    Lula – que de nada sabia, como de hábito.

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    Publicado por Elias | 20 de agosto de 2019, 20:28
  3. Que bom que Haddad foi condenado. Ainda bem que ele nāo tem amigos como tem o Paulo Guedes que tem o processo anulado porque o MP não fez a clássica declaração repetida nos filmes americanos em um ato de prisão: Você tem o direito de permanecer calado…etc. e tal.

    Quanto zelo pelo direito e pela justiça, não é mesmo?

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    Publicado por Alonso Lins | 21 de agosto de 2019, 07:23
  4. Caro Lúcio há muitos outros corruptores morando fora do Brasil (alguns protegidos pela dupla nacionalidade). Contudo o mais vergonhoso é saber que todos ( ou quase todos) encontram-se gozando “la doce vita” em suas fortalezas, praia, … no Brasil. Como jornalista podias pesquisar, escrever, quais são os corruptores que se encontram em “cana”. Inclui na pesquisa quais os bancos que foram chamados a explicar como, para onde, o $$$ foi drenado. No Brasil, o combate á corrupção é ainda fogo de artificio. O caso do “rei Arthur”, morando na terra do tio Sam ( ou melhor na terra do tio do filho do “capitão”, presidente, dito futuro embaixador do Brasil nos USA, é vergonhoso que o “super-homem”, ministro da Justiça, não suba na cadeira. Continuamos um país de “bananas”.
    No Brasil ser corruptor é ter tratamento “vip”, só perdendo para os corruptos que vivem no guarda-chuva da imunidade parlamentar ( sabes quando ela terminará?)
    Muda Brasil

    OBS: aconselho a leres o que o IREE-Inst para a reforma das relações entre Estado e Empresas, publicou (iree.org.br), que postei inclusive em meu face ( dia 19 ultimo)

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    Publicado por Valdemiro Gomes | 21 de agosto de 2019, 07:30

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