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Desmatamento, Ecologia, Estrangeiros, Floresta, Queimadas

 “Meninos, eu vi”

Reproduzo, a seguir, uma postagem que a jornalista Cristina Serra fez no seu Face. Incluí alguns dos muitos comentários. Não tive tempo de corrigi-los. Quero aproveitar para estimular o debate.

Quantos repórteres da chamada grande imprensa estão comendo poeira na estrada para chegar aos lugares aonde a Amazônia arde em chamas neste momento? Chefias, é preciso sair do “disse me disse” chapa branca e ir a campo.
A Amazônia queima todo ano nesta época, sim, mas desta vez é diferente, é maior. O INPE já havia alertado (e isso custou a demissão do presidente do órgão), a NASA já mostrou. Mas é preciso ir lá: quem passou o “correntão” para “limpar” o terreno? Quem acendeu o fósforo? A polícia local está investigando? Tem suspeitos?

Incêndios na Amazônia não acontecem por geração espontânea, mesmo no período seco. Qual a perda em flora e fauna? Quais as populações atingidas? Não dá pra cobrir uma das maiores tragédias ambientais do mundo dos gabinetes de Brasília. E ainda tive que ouvir no Jornal das Dez que é errado referir-se à Amazônia como o “pulmão do mundo”, termo usado por alguns estrangeiros em posts nas redes sociais.

Tomado ao pé da letra, não é mesmo. A Amazônia consome quase todo o oxigênio que produz. Mas as árvores da Amazônia absorvem CO2 (dióxido de carbono) quando estão vivas. Quando mortas, porém, liberam CO2, que é um dos gases do efeito estufa. Portanto, manter as árvores de pé ajuda a reduzir o aquecimento global, sim. E isso torna o clima melhor para todos, melhora o ar que respiramos. Como força de expressão, não é errado chamá-la de “pulmão do mundo”. Precisamos dela para viver melhor, simples assim.

Então, vamos deixar a perfumaria de lado e vamos ao que interessa. Imprensa, faça o seu papel. Mande seus repórteres para a linha de frente. Como diz o grande Lúcio Flávio Pinto, o jornalista que mais conhece a Amazônia: “Repórter tem que ir no local pra poder dizer como no poema I-Juca Pirama: ‘Meninos, eu vi’ “.

COMENTÁRIOS

Antonio Netto Também não entendo, Cris. A imprensa internacional, eles farão bons documentários, nós não.

Carla Zacconi A cobertura não está a altura da gravidade dos acontecimentos. Ninguém sabe quem fez, como, porque e a morte dos animais é tratada com frieza e indiferença

Cristina Serra é isso que me choca, Carla Zacconi. parece que não se deram conta da gravidade do assunto.

Maura Fraga Todos nós, que temos contato com a realidade.

Rose Nogueira Cristina Serra Também não estou aguentando. Não consigo acreditar que, neste momento, centenas, milhares de animais morrem queimados vivos. Chorei ao ver as imagens do correntão. Ai, que dor!

Maura Fraga Parabéns, Cristina Serra. Grande pauta. Será necessário que os correspondentes internacionais entrem. A nossa dúbia imprensa irá a reboque, sem desmerecer os colegas. Também ouvi a história do pulmão. A sua análise é perfeita. Se tivessem lhe ouvido, repórter, o povo estaria bem informado. Obrigada. Muito obrigada.

Cristina Serra me dói demais ver o que está acontecendo, Maura Fraga. Sensação de impotência…

Maura Fraga Todos nós, que temos contato com a realidade.

Rose Nogueira Cristina Serra Também não estou aguentando. Não consigo acreditar que, neste momento, centenas, milhares de animais morrem queimados vivos. Chorei ao ver as imagens do correntão. Ai, que dor!

Edir Veiga Sem floresta o solo fértil da Amazônia (humus) se desfaz e as chuvas conduzem o solo ( barro) para os rios gerando o assoreamento e produzindo o aterramento dos rios, o Rio se transforma progressivamente em deserto arenoso e assim vai-se a água doce.

Tê Caroli é isto… dói na alma ver este desmando todo e a imprensa brasileira deveria estar atenta a isto e na frente da batalha… precisamos de guerreiros defendendo o que é nosso e a vida… ótimo texto.

Fábia AssumpcãoVolta para reportagem Cristina, precisamos de jornalistas conscientes como vc.

Fernando Rodrigues O Brasil não anda cobrindo nem a Argentina…

Daniella Sholl Exato!!!!!! Só vejo a imagem do aviãozinho com água Mais parece um pernilongo naquela vastidão de fumaça.

Cristina Serra não consigo entender, Daniella Sholl

Marta Magadan Jorge Pontual devia se aposentar e jogar ração pras pombas do Central Park depois dos comentários de ontem no Em Pauta da Globonews! Argh!

Cristina Serra não vi. falou sobre Amazônia?

Marta Magadan Cristina Serra , ironizou o “atributo pulmão do mundo” e ficou brabinho com a “interferência” do Macron, respondendo em inglês: “que nossa casa, cara pálida ? “. Parecia um dos 00 falando!

Cristina Serra Marta Magadan , sério??? que patético…

Marta Magadan Você viu o vídeo do Dia do Fogo que tá circulando por aí ?

Cristina Serra Marta Magadan não vi. Soube que tem, mas não vi.

Ritinha Santos Aqui em Belem é só a gente passar lá perto do museu Emilio Goeldi ou passar perto do Bosque a gente já sente a diferença e a importância da floresta para a nossa vida o nosso bem estar #SosAmazonia

Márcio Riscala Que falta faz uma repórter como você na rua !!!

Edson Luiz Cristina Serra, hoje o jornalismo é outro. Enquanto tiver dados disponível em algum canto, declaratório de autoridades ou “especialistas”, ou ainda algum relatório dando sopa por ai, ninguém vai colocar o pé na estrada para fazer reportagens. Acabou-se. E de pensar que fiquei quase um mês cobrindo aquele foi em Roraima…

Karina Sonaglio Você é incrível, Cristina! Obrigada pela sua lucidez!

Sérgio Cunha Sistema, Mana, sistema, muito barulho, pouco interesse, infelizmente, aí está a prova, é tudo um “faz de conta”, enfim, nós vamos continuar impotentes, pq o sistema quer, daqui pouco dão uma diminuída, depois voltam com força total, mas a gente não vai se calar, não!

Thays Magnólia Que grande verdade Cristina, até nos jornais locais a cobertura é minguada. Fora do Brasil parece que estão dando mais importância a isto do que no próprio Brasil. Triste…

Eliane Bardanachvili ‘New’ Journalism.

Luis Paulo Ferraz Como vc é brilhante… quanta clareza. Love you.

Nélio Palheta Lamentável, talvez nenhum.
Não existe mais a reportagem. Os correspondentes efetivos sumiram.
Nenhuma redação manda um repórter percorrer a Transamazônica. Ninguém mais se embrenha na floresta.
Os tempos do jornalismo são outros.

Sophia Bittencourt Exatamente, Cristina. Mas a quem interessa a verdade?

Isabele Bele Imprensa medrosa ordinária.

Tatiana Yazbeck Eita, aula de jornalismo!

Luciane Aquino Finalmente um voz alta expressando justamente o que tenho me perguntado. Obrigada, Cristina Serra!

Alberto Villas Contenção de despesa. É triste.

Felipe Santana Todos nós gostaríamos de estar lá, agora.

Cristina Serra Felipe Santana tenho certeza disso.

Clivia Caracciolo Há dias não se fala em outro assunto na terra das tulipas. É desconcertante. Ontem um programa de análise tocou profundamente no assunto. Espero mesmo que a tal comunidade internacional consiga facilitar ações internas de freio para sacudir a consciência pública brasileira e o povo, em conjunto, force outro comportamento de quem decide no Brasil. Sem cinismos.

Rafael Lima Muito bem colocado Cristina Serra. Bjs.

Rose Nogueira Parabéns, Cristina Serra! Precisamos de mais jornalistas como você. Um beijo, sua linda.

Fernanda Isidoro Levaremos um baile da imprensa internacional!

Patricia Libonati Muito orgulho de você, Cristina Serra, que com tanta competência expressa tão bem a realidade que a gente enxerga fora de nossa bolha. Grata a você por resgatar esse jornalismo ético, tão bem construído e necessário ante a essa guerra de informações

Patricia Meira Marcelo Canellas e Jonas Campos gostaria de ver vocês lá.

Angélica Brum Pensei a mesma coisa. Agora, na noite de sexta, vi o Álvaro Pereira sobrevoando a área numa chamada do Fantástico.

Cristina Serra Angélica Brum bom saber!

Wanda Monteiro Infelizmente a imprensa está prestando um desserviço ao país. São raros os profissionais como você e o nosso aguerrido Lucio Lúcio Flávio Pinto

Pc Guimarães Levarei.

Ana Isa van Dijk Cristina Serra não tomem a “imprensa internacional” como modelo de cobertura. Aqui fora como aí, guardadas as devidas diferenças de conjuntura, a imprensa corporativa tem lado. Quando se trata de notícias do Brasil, via de regra não fazem seus deveres de casa (estar na linha de frente) e bebem das agências de notįcias, a mesma fonte fétida que alimenta a grande imprensa nacional. Nosso ativismo internacional luta inclusive nessa frente, a de oferecer outra narrativa, no auge das crises brasileiras dos últimos anos por aqui tem dado um aperto no peito ligar a TV, ou abrir o jornal e ver reproduzidas peças jornalįsticas infames: em conteúdo e verdade (ou falta dela) factual. Neste caso, e como se trata da Amazônia a dimensão do interesse internacional (de todas as origens: seja dos que sonham em preservar, seja dos que sonham se apoderar) resolveram fazer o que vc chama de “fazer o seu papel”. Estamos de olho por aqui e quando as publicações sairem não deixaremos barato caso reproduzam matérias maniqueístas. Obrigada por ajudar a dar credibilidade a um campo profissional que se apequenou quando o Brasil mais precisou. Viva o verdadeiro jornalismo! Salve os verdadeiros profissionais!

Maninho Pacheco Chefe de reportagem de não cheia, essa menina!

Jeff Ivanicska Bons os tempos qdo era assim….né, Cristina . Pena q muitos destes guerreiros hj não estão mais na luta pq foram defenestrados …. e hj atuam em outras frentes pra sobreviver…☹

Ruth Barbosa Martins Levei, Cristina.

Lucia Helena Issa É exatamente por isso que decidi ir à Síria , ficar num campo de refugiados na fronteira, sentir o que as refugiadas sentiam para escrever sobre elas, Cristina Serra! Muitos de nossos colegas acreditam que podem escrever sobre refugiados de seus gabinetes, sem jamais terem estado no Oriente Médio! Adoro seu trabaĺho, Cris!

Cristina Serra Lucia Helena Issa admiração recíproca!

Discussão

4 comentários sobre “ “Meninos, eu vi”

  1. Lúcio,talvez a Globo cumpra essa tarefa.
    O tradicional Fantástico prometeu uma reportagem no “coração da Amazônia”. Vejamos mais tarde se a promessa será cumprida. Que falta faz um Euclides da Cunha,hein,Lúcio?

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    Publicado por Rafael Araújo | 25 de agosto de 2019, 17:09
    • É verdade, Rafael. Infelizmente, Euclides foi morto, num acidente trágico e lamentável., quando começava a escrever a versão amazônica de Os Sertões. Mas a Amazônia de hoje é pior, sem qualquer dúvida, do que a do início do século XX, por ele visitada, e de qualquer tempo anterior.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 25 de agosto de 2019, 17:30
  2. Num acidente?
    Talvez “incidente”… Bala nas costas.

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    Publicado por Elias Granhen Tavares | 25 de agosto de 2019, 18:58
  3. É difícil avaliar o governo federal em tão pouco tempo, quanto mais a politica ambiental. Os últimos anos se chega com um novo panorama e com tantas questões que também o Brasil precisa enfrentar. Politica das águas, poluição, resíduos sólidos, desmatamento, queimadas, barragens, grandes projetos, licenciamento ambiental, reservas e mitas outras. A avaliar a politica ambiental se torna ainda mais difícil a analise do governo.
    A rejeição de sediar a Coppe foi um primeiro posicionamento. Juntar a politica indígena a ambiental e dizer que não estaria mais disposto a demarcar áreas, pois já haviam muitas, sendo um discurso feito inclusive lá fora do Brasil. O governo inicia o governo pensando em fundir a pasta com a agricultura e entra um ministro condenado e com pouca receptividade dentro da instituição. Meio a isso começa com um grande acidente ambiental com a quebra da barragem de Brumadinho e a perda de milhares de vidas – nos preocupamos com ambiente só quando causam tragédias humanas? – relembrando Mariana. O governo acaba por rejeitar os recursos advindos do Fundo Amazônia e corta recursos de ONG’s. Meio a tanto tumulto a Amazônia começa a arder.
    A temática ambiental também é recorrente no governo, mesmo fora do ministério especifico da pasta. Teses antiglobalistas e que rejeitam o aquecimento global e outras ideias, co já havia dito o chanceler ao ir a uma viagem para Europa e ver o clima frio. De outro lado o Inpe, instituto de pesquisas espaciais, sempre citado pelo ministro do meio ambiente era um órgão da pastas da Ciência e Tecnologia, e que acabou por perder na queda e braço com o governo. Um final melancólico depois corroborado pela própria Nasa e pelos fatos que se seguiram e uma acusação baseada em achismo do presidente acusando as ONS’s de incêndio.
    Mas quem é este homem que comanda a pasta do meio-ambiente e por que está lá? O canal do youtube meteoro foi atrás destas respostas.
    Ricardo Salles foi secretario de gabinete do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e depois indicado a pasta de meio-ambiente do governo. A gestão desastrosa esteve ligada a corte de verbas de recursos para proteção de nascentes e áreas degradadas, adulteração de dados e uma politica de privatização de áreas ambientais. A passagem pela secretaria, pouco citada mostra uma pouco da rejeição da criação do rebento, que acabou por gerar ainda uma condenação na justiças – não diferente do ministro da Educação, também acusa a decisão de ideológica e enviesada.
    Salles era líder de um grupo politico de direita intitulado “EnDireita Brasil”. Nas ultimas eleições de candidatou pelo Partido Novo a deputado federal com uma proposta heterodoxa mostrando balas como a solução para o campo. O panfleto foi criticado e dizia que não defendia a posição do partido. Na indicação para o ministério, mais uma vez o partido dizia não interferia na escolha, dizendo que esse era uma decisão pessoas do presidente. Hoje, de alguns mais uma vez Salles recebe algumas criticas dentro do partido.Quando funcionários boicotaram a visita feita a uma unidade não indo a sua palestra o ministro prometeu instaurar processo administrativo, tudo isso começava com um mal sinal
    Ricardo Salles já aparece em algumas entrevistas em rede nacional, em geral não parece se sair muito bem. O contendor acaba por admitir que não é exatamente um técnico, mas politico.
    A entrevista no Em pauta, com Renata Lo Prete, na presença de Ricardo Galvão, o ministro não pareceu se sair mito bem. Com acusações e ataques aos diversos outros ministros que o sucederam Salles reivindicava uma politica defendida por Bolsonaro de trazer soluções capitalistas ao meio-ambiente.
    Já na entrevista ao Roda-Viva, da Tv Cultura, o ministro parece recuar nas posições – parece que não só o ministro, mas o próprio governo quando a situação se torna internacional e se tenta mostrar algum controle – chamando de crime as queimadas na Amazônia e falando que teriam mesmo madeireiros envolvidos. Rejeita as teorias conspiratórias do chanceler brasileiro e afirmando a importância do meio-ambiente e que o aquecimento global seria factual.
    Por outro lado divide responsabilidade com os estados, em especial o governo do Pará, ao falar de áreas. cada um que cuide de seu quadrado de seu quadrado que a queimada depende da área que atinge, se não é um parque federal que se responsabilize o estado. Enquanto discutimos os limites a amazônia arde.
    Em todos os fogos qual é o nome do fogo? “Queimou queimou, o que você quer que eu faça?” dizia o então candidato sobre o Palácio da Quinta da Boa Vista após um incêndio. Desde a eleição a politica a cultura parece ter sido a mesma para a Amazônia.

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    Publicado por Fabrício | 27 de agosto de 2019, 00:45

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