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Cultura

A terapia de Marina

Psiquiatra bom é o da cantora Marina. Depois de ouvi-la, lhe prescreveu, exatamente 20 anos atrás, em 1999, a mais inusitada das terapias: posar nua, mesmo estando na época com 45 anos (hoje, portanto, com incríveis 65). Ela apareceu num estilo carrascante, com o sabor dos vinhos verdes portugueses, mostrando tudo sem adereços ou make-ups ou photoshops.

Fez tanto sucesso que o cachê da exibição lhe deu dinheiro suficiente para comprar uma cobertura na Barra, no Rio de Janeiro (qual o preço médio de hoje?). O imóvel tem piscina e uma das melhores vistas que se pode terem qualquer grande cidade do mundo, para o Cristo Redentor.

No documentário feito pelo seu ex-martido, Candé Salles (“Uma garota chamada Marina”),, agora no circuito cinematográfico, ela não revela o nome desse fantástico psiquiatra. Talvez, se ainda é paciente dele, para mantê-lo à distância das usuárias de livros e outros produtos da autoajuda e similares. A Playboy, brasileira, que apostou na audácia, acabou melancolicamente no Brasil.

Sem dúvida, dentre outros fatores, porque as beldades dos nossos dias não precisem mais de um pretexto para tirar a roupa, mostrando suas qualidades nas mídias ou numa praia prosaica e outros lugares públicos. Uma concorrência mortal para as publicações de nus, que às vezes são gratuitos.

Minha paixão por Marina foi tão imediata quanto minha recusa a admitir que o seu esforçado irmão, Antonio Cícero, é realmente o bom poeta e filósofo apregoado pela inteligência carioca, ecoada em São Paulo. Meu gosto pelas interpretações de Marina era tal que mal ela aparecia na televisão, minha filhinha, a Juliana, levantava seu dedinho autoritário e desligava a televisão. E ficava me olhando, para apreciar a reação ao seu impulso ibquisitorial.

Como eu me mantinha impassível, ela seguia em frente. Para compensar, quando Charlie Brown e sua turma entravam na programação, como uma Maiakovski mirim, ela gritava, a plenos pulmões, na avenida Nevski doméstica: Paiiii, o Snoopy. E eu corria, agradecido, lançando-me aos seus pais para desfrutar das delícias de ser família.

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