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Cultura, Ecologia

Nosso Dom Quixote se foi

Por ora, só para registrar o impacto da morte de Camilo Martins Viana, médico, defensor da natureza, como poucos, e imensa figura humana, daquelas que deixam um espaço vazio quando nos deixam. Travamos uma boa polêmica em 1973, eu de São Paulo, ele daqui mesmo, em torno do Crutac, a primeira criação dele para chamar a atenção para a ecologia. Depois, estivemos juntos em vários debates, que ele animava com seu jeito de ser e de falar. Guardo uma intensa memória da sua figura de cavalheiro com seu estetoscópio no lugar da lança que Cervantes colocou no braço forte do seu Dom Quixote.

Discussão

4 comentários sobre “Nosso Dom Quixote se foi

  1. Certa vez fui convidado por um amigo, vereador em Marapanim, para um evento em comemoração ao dia do meio ambiente. Esperei lá no Entroncamento pelo carro que me levaria e ao chegar, o motorista avisou que o Dr. Camilo não iria conosco, uma vez que estava recuperando-se de a fratura na perna e a esposa não permitiu que ele fosse. E eu nem sabia que poderia ter a honra de sua companhia.
    Em lá chegando, ao constatar tão importante ausência, fui imediatamente intimado pelo meu bom amigo a preparar uma palestra com o tema “água”, em 15 minutos, uma vez que “o Dr. Camilo não pode vir porém enviou seu representante”, assim ele informou à platéia de aproximadamente 300 jovens estudantes e demais membros do colégio. De nada adiantaram meus protestos e de simples convidado acabei virando um “especialista em questões ambientais”.
    É cada fria em que nos metemos nessa vida…

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    Publicado por Fernando | 11 de setembro de 2019, 20:44
  2. Oi, Lúcio ,
    quando soube da morte do nosso queridíssimo Dom Quixote , pensei logo em vir aqui no teu blog porque sabia que irias escrever sobre essa pessoa muito especial para nós ; um homem cheio de ideias interessantes , apaixonado pela natureza e pela amazônia, e de iniciativas que frutificaram , literalmente .

    Além do CRUTAC ,que certamente inspirou o projeto da interiorização da UFPA , ele criou as Amazoníadas , um espaço de apresentação de trabalho acadêmicos , com especial acolhimento para os relatos de experiencias , onde os estudantes de graduação eram bem-vindos . Eram encontros anuais que se não me engano durou uns 15 anos .
    Mas , sem duvida , a ideia mais genial deste grande ecologista foi o trote ecológico , uma iniciativa que mudou os rumos desse ritual na UFPA ,atribuindo-lhe um significado novo , ao introduzir neste ritual de passagem uma espécie de ética da responsabilidade com a natureza amazônica .

    Sua ideia foi tão bacana que as arvores floresceram viçosas no Campus do Guama , e, mais tarde , encontrou eco no espirito de uma aguerrida funcionária de carreira do ITEC, Gina Calzavara . Filha do agrônomo Benito Calzavara , segundo ela, um outro apaixonado pelas plantas e matas ,Gina deu vazão a seu amor pela natureza desenvolvendo um projeto maravilhoso designado de ” Espaço de Convivência” do ITEC que esta promovendo uma verdadeira revolução em termos de paisagismo e educação ambiental às margens do Igarapé do Tucunduba . E lá se vão 8 anos que essa ideia frutificou …

    Uma curiosidade curiosa!(rs)
    lembro que no ano de 1988 , por ocasião do III Encontro estadual do sociólogos , realizado no auditório do IDESP, correu a noticia de que o Dr. Camilo estava muito doente e por isso talvez nem pudesse comparecer em um dos debates sobre a questão ambiental . Triste com a noticia por ter sido fanzona dele desde de sempre , encomendei ao artista Ubiratan Porto que fizesse uma caricatura para homenagea-lo de alguma forma , antes que partisse. Para nossa boa surpresa ele não só compareceu ao debate como emocionou-se com o quadro feito pelo Biratan , e ainda viveu mais três décadas(rs)para felicidade geral dos seus familiares , amigos e admiradores !

    A imagem que dele vou guardar é do homem que caminha ( com a sua camisa branca de manga curta), como na famosa imagem que nos legou Alberto Giacometti. Mesmo tendo ocupado cargos públicos relevante nunca o vi trancafiado em gabinetes , mas andando, sempre caminhando , circulando pelo Campus , com umas paradinhas aqui e acolá para uma boa conversa. Ah! como ele gostava de uma prosa !

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    Publicado por Marly Silva | 12 de setembro de 2019, 15:27

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