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Ciência, Ecologia

Alienação amazônica

Dois dias atrás perguntei: por que o Pará não mandou representante para participar da expedição científica que localizou a árvore mais alta da Amazônia justamente no interior da Floresta Estadual do Pará, de 3,6 milhões de hectares? A equipe incluiu dois representantes do Amapá, certamente porque o Estado também faz parte do corredor ecológico – o maior do mundo – no qual as 15 árvores de angelim vermelho, com mais de 70 metros, foram identificadas, a partir de uma imagem de satélite que incluía 50 delas, com o dobro da média das altas árvores em outras áreas amazônicas.

O coordenador da pesquisa é de uma universidade instalada numa das regiões mais pobres de Minas Gerais, os vales do Jequitinhonha e Mucuri. Das universidades de Helsinque, Oxford, Cambridge, das mais importantes do mundo, vieram pesquisadores para fazer a jornada. Foi um gaúcho que subiu ao topo da árvore, com 82 metros, especialista na atividade.

Ninguém do Pará foi, ninguém do Pará se apresentou para responder à pergunta sobre essa constrangedora ausência. Mas o que pensar de uma universidade rural, que mantém um dos mais antigos cursos de engenharia florestal do país, abrigando no seu campus um escritório comercial da Stihl, o maior fabricante de motosserras do mundo? O que pensar de um corpo docente e discente que não se importa com essa companhia – no mínimo, inusitada?

Para quem vive na Amazônia e não se importa com o que acontece nela, enquanto o mundo se volta novamente para  a sua história, o castigo de ignorar esses alienados é merecido.

Discussão

9 comentários sobre “Alienação amazônica

  1. Pior do que isto é ter que sustentar o José Mariano Beltrame fazendo projetos da Vale agora no Pará.

    Aquele que nada “sabia” do que Sérgio Cabral fazia.

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    Publicado por celso.. | 17 de setembro de 2019, 14:47
  2. Vergonhoso. Espero que alguém do Governo, da UFPA, possa te responder. Importante é que o UIRAPURU não deixe de cantar. Acorda Pará. Paz&saude

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    Publicado por Valdemiro A. M. Gomes | 17 de setembro de 2019, 14:49
  3. Também assisti o Programa Globo Rural, no domingo passado (15.09.19) e achei estranho que nenhum representante do Pará estivesse presente no evento. Entretanto, deve-se considerar que o Programa pertence a uma entidade privada e, portanto, é quem escolhe os participantes. Antes, deveríamos saber da Rede Globo, o que a levou a contratar ou participar da expedição somente os pesquisadores do Amapá, os pesquisadores estrangeiros, todos eles sob a batuta de uma Universidade localizada na região ais pobre o sertão mineiro para examinar um assunto de tal importância no território paraense. Parece-me que este é o caminho a seguir.

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    Publicado por Rodolfo Lisboa Cerveira | 17 de setembro de 2019, 21:29
    • Essa é uma hipótese, Rodolfo. Mas há outras. Quem concebeu a iniciativa, depois de fazer as pesquisas preliminares, foi o pesquisador de Mians Gerais. Como o trabalhou demandou um ano, será que ninguém no Pará se interessou pelo projeto? Ser da terra pode nada significar se gente de forfa tiver mais interesse, empenho e aplicação no que faz. A Amazônia é tema mundial de relevância.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 18 de setembro de 2019, 09:27
  4. Uma universidade que se diz da Amazônia precisa assumir o protagonismo do debate. Para tanto, precisa ter “ouvidos” sensíveis e “olhos” atentos.

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    Publicado por Pedro Pinto | 23 de setembro de 2019, 21:55

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