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Polícia

A transgressão do PM

Um processo disciplinar instaurado pela Polícia Militar para investigar transgressão disciplinar de um cabo da corporação, com sua conclusão pelo licenciamento do militar publicada na edição de hoje do Diário Oficial, fornece elementos importantes para a melhor compreensão de um acontecimento cotidiano. Por ser um documento gerado internamente, torna-se ainda mais relevante.

Por isso, decidi reproduzir a sua parte mais substancial e representativa, limitando-se a dar à linguagem burocrática maior fluência para a leitura.

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O processo foi instaurado considerando a hipótese de que o cabo da Polícia Militar Wescley Silva Sousa teria, no dia 17 de março de 2014, por volta das 10hs, quando de serviço na viatura 2024, do 20o Batalhão da PM, apropriando-se do valor de R$ 1.840,00, pertencente a Keisson Carlos Chaves de Oliveira.

Esse cidadão foi abordado e revistado pela guarnição e na ocasião teria sido acusado de ser traficante de drogas, sendo coagido a entregar o referido valor, fato ocorrido na rua Olaria, entre Gentil Bittencourt e rua Celso Malcher, bairro Montese, em Belém.

O cabo foi autuado em flagrante delito no dia 17 de março de 2014.

Havendo prova de que o militar em conluio com outros militares teriam praticado os fatos, sobreveio a sentença penal condenatória.

Disse o Ministério Público Militar que nesse dia, Keisson Carlos, que é mototaxista, recebeu uma ligação de Sérgio Júnior para pegar uma quantia em dinheiro e entregar para sua tia. Quando estava indo deixar o dinheiro, foi chamada por uma cliente.

Após deixá-la em seu destino, foi abordado por uma guarnição de policiais militares, que o revistaram e encontraram o dinheiro. A partir de então, os militares começaram a acusar o mototaxista de estar vendendo drogas.

Em seguida, o colocaram na viatura e passaram a rodar por aproximadamente 30 minutos, insinuando que deveria lhes dar o dinheiro, o que o mototaxista acabou fazendo, pois ficou temeroso de ser forjado um flagrante, tendo então sido liberado.

Ainda, conforme o Ministério Público, foi encontrado com o cabo. Silva diversas substâncias entorpecentes (maconha e cocaína, conforme laudo), dentro de seu bornal,. O militar disse que não se recordava, dizendo que deveria ter sido apreendido em outra ocasião.

Asseverou o Ministério Público Militar que a real intento dos policiais, ao portar as substâncias entorpecentes, era pressionar vítimas para conseguirem vantagens indevidas, sob a ameaça de forjar flagrante. Afirmou o MP que, apesar de a droga ter sido apreendida com o cabo, havia o aval do outros envolvidos, sobretudo como uma maneira de facilitar ação criminosa empreendida por todos os denunciados.

Ressaltou o Ministério Público Militar que os denunciados, apesar de terem abordado a vítima, a sequestrado e coagido a lhes entregar o dinheiro que possua, não fizeram a sua apresentação na delegacia da Terra Firme, deixando de cumprir os procedimentos legais, o que, concluiu, demostra a intenção inescrupulosa.

O cabo não compareceu ao quartel para tomar ciência da sentença judicial de abril deste ano nem assinou a citação no procedimento administrativo disciplinar instaurado. Também se negou a ser ouvido. Mas juntou laudo psiquiátrico particular e receituário médico.

Sobre o incidente de insanidade suscitado perante o comando foram juntadas provas que ilidem a dúvida razoável sobre a sua insanidade mental, como prints de mensagens via whatsapp, onde o militar demonstra nítido comportamento de recalcitrância a ordem judicial e discernimento da realidade dos fatos que enfrenta. Esses documentos fundamentaram o atestado lavrado de sanidade.

Discussão

3 comentários sobre “A transgressão do PM

  1. ele é doido ..doido por dinheiro kkkkkkkkkkkkkkk

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    Publicado por luiz carlos | 29 de novembro de 2019, 19:40
  2. Olá Lucio, boa noite.
    Se entendi bem o seu relato desse episódio, parece que o criminoso, bem instruído por seu advogado, está protelando o feito ao maximo: entrou com incidente de insanidade mental e foge a intimação da decisão penal condenatória para não ocorrer a interrupção da prescrição da pena.
    Pensando aqui nos danos emocionais supervenientes à pessoa da vítima, no medo que deve sentir esse rapaz trabalhador, e como consegue trabalhar rodando na cidade em seu ofício de motoboy, temendo encontrar, em cada esquina, uma viatura da polícia, e nela, aqueles que juraram nos proteger a vida… mas que representam hoje a maior ameaça à nossa integridade, como cidadãos.
    Sem palavras amigo, meu estomago dói.

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    Publicado por Marcia | 1 de dezembro de 2019, 01:18

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