//
você está lendo...
Deesmatamento, Ecologia, Floresta, Governo, Justiça, Polícia, Política

Farsa

A versão é inverossímil, inacreditável, maluca. Segundo ela, cinco integrantes de uma brigada de voluntários contra incêndio de Alter do Chão, que se tornou o mais famoso balneário do Pará (e dos mais celebrados balneários brasileiros em todo mundo), simulavam combater o fogo, mas, na verdade, o desencadearam. De declarados bombeiros se transformaram ardilosamente em incendiários para bater fotos e espalhá-las à cata de doações para si e sua causa. Um golpe inédito nos anais desse tipo de história, além de temerário e certamente insustentável.

Com base em diz-que-disse, a polícia prendeu os acusados, jogou-os na cadeia, raspou-lhes os cabelos, vestiu-os como presidiários e os humilhou o quanto pôde. Inicialmente, o juiz estadual manteve a arbitrária prisão, voltando atrás dois dias depois, tal foi a reação ao absurdo.

O governador tirou o delegado que iniciara a investigação, mandando – novamente de Belém – outro para continuar o serviço. Trocou seis por meia dúzia, já que o relatório final sustenta as mesmas ilações do primeiro delegado. Quando se esperava por sólidas provas para sustentar a algaravia acusatória, o que se vê é ainda pior. Tudo se baseia em testemunhos, dados por pessoas sem legitimidade ou credibilidade.

Percebe-se facilmente o ânimo de incriminar e dar por definida uma culpa que não se sustenta em nenhuma prova, parecendo que a acusação, a prisão e o indiciamento servem a um enredo oculto, embora não invisível. Se é isso que a polícia civil tem para sustentar o seu procedimento, então se espera que haja um deslocamento de competência e a participação do Ministério Público para que o Pará seja poupado, mais uma vez, de se apresentar ao mundo como um lugar de abusos sem os freios do direito e da justiça. Um sítio da violência, inclusive institucional.

Discussão

5 comentários sobre “Farsa

  1. Se o novo delegado seguiu o anterior e se ambos estão equivocados, serão ambos incompetentes?

    Curtir

    Publicado por jjss555js | 23 de dezembro de 2019, 13:34
  2. O Estado de exceção se trata exatamente isso :” a ausência de separação evidente entre o âmbito jurídico e a politica , a fabricação de crises, como estados de emergência permanentes que rompem com a distinção entre os poderes , permitindo totalitarismos evidentes no cerne das sociedades pretensamente democráticas. O seu alvo é qualquer potencial de insurgência” . Definição da filosofa anarquista Camila Jourdan , professora presa e processada juntamente com mais duas dezenas de outros ativistas cariocas de diferentes frentes de luta nos anos 2012-2013, como o movimento ” Ocupa Cabral” , movimento contra as desapropriações desencadeadas pelo mega-eventos esportivos da Copa do Mundo e das Olimpíadas no RJ ..Camila, então coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UERJ ( Universidade estadual que estava sendo sucateada pelo governo Cabral …por razões politicas óbvias ..) , teve a porta de sua casa derrubada pela Policia Civil ( do então governador e hoje presidiário ) foi detida e jogada nas celas da Penitenciária do Bangu , que sabemos pelas reportagens recorrentes como é…Pois então, ” o processo dos 23″ como ficou conhecido foi uma farsa jurídica , e ao fim e ao cabo ninguém foi condenado .
    O objetivo sinistro era conter a qualquer custo o avanço da luta que levaria ao que acabou se comprovando , dando razão às denuncias dos anarquistas e movimentos sociais e coletivos de esquerda , como Ogs que atuam na periferia carioca : a pilhagem dos recursos públicos , em detrimento do pagamento dos funcionários públicos do estado – como os professores e os médicos – e da manutenção dos serviços públicos em geral e politicas publicas-estatais ..

    A maioria dos intelectuais e jornalistas calou-se a respeito deste processo kafkiano ( minado de erros grosseiros como a referência à presença de Bakunin entre os “agitadores” ) , revelando-se todo o preconceito, estigma e tabu que ainda vigora no meio intelectual brasileiro, de norte a sul, contra os anarquistas e contra o pensamento anarquista , por desinformação e ignorância … Enfim, do ” processo dos 23″ para cá , já são seis (6) , meia década em que o Estado de exceção se expandiu e se manifestou em vários outros processos como este dos brigadistas …

    Para quem quiser se informar melhor sobre como age o Estado de exceção no nosso pais eu recomendo o livro da Camila Jourdan , um testemunho vivo de uma vitima desta brutalidade .

    “2013 : memórias e resistências . Rio de Janeiro, , Circuito , 208 ( Coleção Ataque ) .

    Curtir

    Publicado por Marly Silva | 23 de dezembro de 2019, 16:21
  3. Calma no Brasil. O relatório, uma vez nas mãos do MP, é analisado pelos procuradores que, caso considerem haver provas suficientes contra os indiciados, são os responsáveis por apresentar denúncia à Justiça.
    Vamos aguardar.

    Curtir

    Publicado por bernstil | 23 de dezembro de 2019, 17:57
  4. Não tenho calma, pois na boca do povo já estão condenados os brigadistas, ongs, etc… No Brasil que elegeu Bolsonaro, rei das “fakenews”,qualquer inquérito divulgado é tido como verdade…

    Curtir

    Publicado por Adriano Maciel | 25 de dezembro de 2019, 20:36

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: