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Desmatamento, Ecologia, Floresta, Governo, Queimadas, Violência

Pará: o mais violento

Entre 2012 e 2018, o Instituto Igarapé documentou 2.540 atos violentos na Amazônia Legal. Foram 406 assassinatos, 378 tentativas de assassinatos, 33 agressões físicas, 339 suicídios, 1.303 ameaças de morte, e 81 casos de violência sexual, segundo artigo de Robert Muggah é cofundador e diretor do instituto, e Júlia Lins Franciotti, pesquisadora voluntária, publicado na edição de hoje da Folha de S. Paulo.

São dados impressionantes, mas nem são completos: grande parte dos casos não é reportada. As fontes são o Conselho Indigenista Missionário, a Comissão Pastoral da Terra, a Global Witness e a Human Rights Watch, entre outros.

A avaliação será ampliada ao longo de 2020 para abranger a totalidade da bacia amazônica, incluindo Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru. Suriname e Venezuela. “Mas as descobertas preliminares são arrepiantes”, antecipam os autores.

No geral, o Pará é o Estado de maior risco para os ambientalistas (27% dos registros), seguido pelo Maranhão (25%) e Rondônia (14%).

Entre 2015 e 2018, houve uma média de 66 a 80 assassinatos por ano. Os indígenas representam um terço dos casos, seguidos pelos sem-terra. Trabalhadores rurais são alvos mais raros, representando 5,5% dos casos. Mais de 78% das vítimas são homens e 13% são mulheres.

A maioria dos assassinatos desse período ocorreram no Pará (29%), seguido por Rondônia (23%) e Amazonas (13%). Suicídios também são um desafio —com uma incidência maior no Amazonas, Tocantins e Acre.

A estatística revela um aumento de mais de 50% nas tentativas de assassinato de ativistas na Amazônia brasileira desde 2016. O Pará é novamente o líder do ranking, com 39%, seguido pelo Maranhão (29%) e Rondônia (11%).

Os maiores alvos são líderes indígenas e sem-terra, e tudo indica que os perpetradores sejam madeireiros, agricultores e grileiros. A maioria dos assassinatos raramente resulta em condenação.

A situação pode se agravar, ampliando-se, já que agora até evidências de desmatamento baseadas em satélite são questionadas e que os cientistas estão sob ataque.

“Dado que a liderança nesta questão não surgirá do atual presidente ou de seu ministro do Meio Ambiente, os brasileiros precisarão buscar por ação e soluções em outros lugares”, argumentam os dois pesquisadores.

Eles sugerem, dentre várias medidas de apoio e proteção aos ativistas ambientais, que os deputados instalem uma CPI que inclua audiências públicas para mapear e interromper as redes criminosas que têm como alvo os ambientalistas. “Também é imprescindível que eles ratifiquem o Acordo de Escazú, que exige que os estados protejam aqueles que defendem a floresta”.

“Também é importante mais apoio financeiro a instituições como o Incra, a Funai e o Ibama. Todavia, é preciso que as comunidades indígenas sejam protegidas e a corrupção e a impunidade sejam enfrentadas —do contrário tudo será inútil”, concluem.

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