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Cultura

Fellini: 100 e 1/2

O próximo dia 20 é data para comemorar o centenário de nascimento do cineasta italiano Federico Fellini. Já começou a enxurrada de análises e interpretações em torno de criações (e ulcerações) críticas em torno de temas monocórdios: Fellini é um farsante, mentiu, é um mitômano, um palhaço, um anarquista, um criador de fábulas, etc. e etc.

Há criadores que dispensam explicadores, inclusive eles mesmos, quando examinam a própria obra. Fellini é um deles. Tenho visto seus filmes como leio os poetas simbolistas ou autores contemporâneos como Therroux e Oz. Eles geram prazeres, sensações, impressões e cognições particulares, específicas e novas. A gente se transforma, se transporta e se isola lendo as palavras que cunharam ou as imagens que produziram, signos em si, significantes contidos neles. Não há muito que explicar. O conhecimento deriva da sensação, de um frescor que projeta para além da realidade, sem a bitola do surreal, e para dentro do mistério da condição humana., sem contemplação

Meu filme favorito de Fellini é Amarcord, a mais autobiográfica obra do autor. Não se trata de realismo, ultrarrealismo ou pósrrealismo. É onírico, sem regras, sem enredo: sensorial. Fui a Rimini, na Emilia-Romanha, só para percorrer as paisagens do filme. Andando por vielas e praças, me dei conta, súbito: estava em Santarém da minha infância e juventude. Dos meus encantos e fantasmas, da pureza e da morte, do que sou e do que nunca serei, ou já fui, sem ter ido.

Parei, respirei fundo, soltei as amarras e me deixei levar pela magia – e agradeci a Fellini. Que artista!

Discussão

12 comentários sobre “Fellini: 100 e 1/2

  1. Grande Fellini, o meu preferido dele também é Amacord . Gosto muito de Roma e de A Cidade das Mulheres.

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    Publicado por Ademar Amaral | 12 de janeiro de 2020, 12:18
  2. “Amarcord” (nem sei mais quantas vezes eu vi), e “Noites de Cabiria”.

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    Publicado por Elias Granhen Tavares | 12 de janeiro de 2020, 18:18
  3. Em tempo: Parabéns, Belém!

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    Publicado por bernstil | 12 de janeiro de 2020, 18:40
  4. “estava em Santarém da minha infância e juventude. Dos meus encantos e fantasmas, da pureza e da morte, do que sou e do que nunca serei, ou já fui, sem ter ido”. É curioso escreveres isso e ao mesmo tempo afirmar que não houve um choque quando vieste de Santarém para Belém.

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    Publicado por isilva | 12 de janeiro de 2020, 23:24
  5. Amarcord, meu melhor filme. Há um documentário, onde Fellini volta à cidade e reencontra personagens do filme.

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    Publicado por Edyr Augusto | 13 de janeiro de 2020, 02:18
  6. E A Doce Vida, com aquele peitão da Anita Ekberg, na Fontana de Trevi. Fui lá, joguei uma moedinha e lembrei daquela cena antológica.

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    Publicado por Ademar Amaral | 13 de janeiro de 2020, 09:16

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