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Cultura

Os esquecidos da independência

Devo a Ricardo Conduru a a gentileza de enviar para o meu blog da cabanagem artigo de Bento Aranha, filho de João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha, no jornal Correio Paraense, nº 381, de 1894, já com a escrita atualizada. Foi um grande jornal, escrito por um personagem importante – e esquecido – da nossa história, impetuoso e bravo, sempre polêmico nas suas manifestações.

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Quinze de Agosto

Não somos o competente para fazer a apologia da memorável data de 15 de agosto, porque poder-nos-ão averbar de suspeito; entretanto, somos brasileiro, nascido nesta vasta região a que deu-lhe o Dr. Lauro Sodré a denominação de – pátria paraense – nos vinte dias angustiosos da república, quando agrilhoada e abatida pelo traidor e infame golpe de estado de 3 de novembro de 91.

O 15 de agosto não assinala feito algum heroico de armas, mas a realização do ideal de nossos progenitores, que, aproveitando-se da força nacional, propagaram e fizeram a independência do povo brasileiro do jugo colonial, aderindo o brado do Ypiranga – INDEPENDÊNCIA OU MORTE – aqui no majestoso vale do Amazonas!
Não houve efusão de sangue nessa data, porque o 14 de abriu poupou à família paraense de derramá-lo.

Os mais aferrados e sinceros patriotas pugnadores da liberdade, surpreendidos no exílio, vangloriaram-se de ver a pátria salva do jugo opressor da tirania colonial, em 15 de agosto, resultando daí que os louros do triunfo foram dados aos intrujões, servis e crapulosos como aconteceu agora com a ascensão da república.Os Patroni, João B. de F. Tenreiro Aranha, Romualdo Seixas, Marcos Martins, Possidônio, Camecran, Seabra, Ardasse, Soares de Azevedo e outros que tudo haviam feito para libertar a pátria em 14 de abril foram esquecidos pelo governo, que não nascera da vontade popular pelos beneméritos ignorantes, como aconteceu com um inconsciente instrumento do conego Serra que, a história escrita pelo Dr. Rayol tornou-o primus inter pares.

Entretanto, foi no Laranjal, lugar nesta capital, onde funcionava então uma associação maçônica, e do qual partiu toda a movimentação patriótica pela independência, que Tenreiro Aranha fazia a propaganda, encaminhando o povo paraense para a trilha da liberdade, de maneira a poder gozá-la um dia em toda a sua plenitude como povo livre e escolher o modo de governo que lhe conviesse.

A história contemporânea do Dr. Rayol nada diz sobre isso, para que a glória fosse dada a quem nunca passou, entre os seus coevos, de instrumento do cônego Serra, que por inconfessável pusilanimidade, fez dele senhor de seus trabalhos intelectuais e até de suas crenças, que foram conspurcadas e mentidas na prática, por esse mesmo instrumento.

Em todo caso, a época é de reivindicações; por isso, incumbe-nos o dever, como paraense simplesmente, de lembrar neste dia os nomes de Felipe Alberto Patroni, Martins Maciel Parente, Romualdo Antônio de Seixas, João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha e José Soares de Azevedo, mártires da adesão do povo paraense à independência da nação brasileira.
Salve 15 de agosto!!!

Discussão

3 comentários sobre “Os esquecidos da independência

  1. A história do pará precisa ser estudada. Os profissionais de história, antropologia, geografia e outras áreas, poderiam se dedicar e desvendar esse emaranhado de fatos que resultaram no que hoje somos.
    Triste Pará.

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    Publicado por jab | 13 de janeiro de 2020, 21:49
  2. Obrigado pela referência!

    Curtir

    Publicado por Ricardo Condurú | 14 de janeiro de 2020, 12:22

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