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Governo, Política, Saúde

O que a imprensa não viu

Transcrevo comentário do leitor J. Jorge.

Paralisação na Santa Casa: Imprensa ausente

Centenas de servidores de preto e de luto foram às ruas protestar contra a venda, no retalho, do hospital. Trânsito interrompido, polícia cerceando manifestantes, buzinaço, mas ninguém da imprensa. Viatura de O Liberal voltava de outra cobertura mas os repórteres não desceram do carro; a Record não tinha ninguém que autorizasse (talvez ocupada demais em mostrar cara de bandido em delegacia); a RBA, por motivos óbvios, jamais iria [é de propriedade dos Barbalho].

A paralisação da Santa Casa não é por reajuste salarial, nem por melhores condições de trabalho e muito menos por privilégios. O que não está claro para muitos, pais e mães, cujos filhos estão hoje tentando uma vaga na universidade, é a desconstrução sumária de um modelo multiprofissional e multidisciplinar conquistado na Santa Casa após décadas de esforços.

O primeiro diagnóstico feito por Bruno Carmona foi de que “os não médicos estão ganhando muito” – entenda-se a isonomia salarial dos técnicos criada no governo Jatene, descontando-se o fato de que os outros trabalham 30 horas e não apenas 20, como os médicos, e nem têm no contracheque um polpudo sobreaviso, quase nunca realizado.

Pelos mesmos motivos não interessa recuperar a fala, os movimentos e o psicossocial dos traumatizados graves; basta remunerar bem o trabalho médico e depois mandam o “Homo vegetal” apodrecer em casa até morrer de tristeza e angústia. A família Barbalho há muito participa da desconstrução do multiprofissionalismo na saúde pública do Brasil. Elcione Barbalho, na presidência da CCJ da Câmara Federal, empenhou-se na aprovação célere do “ato médico”, que reduz as demais profissões a serviçais baratos.

A desconstrução do multiprofissionalismo na saúde é agravada pelo atual domínio da direita radical no país. Quem não é filho de empresário rico, nem de político ladrão, dificilmente terá um padrão de vida de classe média, e o seu futuro dependerá – como dizia o Juca Chaves lá na década de 1970 – de uma loteria, de uma herança, ou de um “golpe-do-baú”. Não se deve esperar nada de empregos cada vez mais mal remunerados e sem garantias trabalhistas. A dedicação aos estudos vai valer cada vez menos que o arrivismo político.

A imprensa brasileira no máximo manifesta certa reação epidermóide à falta de uma cosmética refinada do governo Bolsonaro. Reclamam dos gritos, das palavras desastradas e quase sempre ofensivas, mas não observam a desconstrução da classe média num país que se diz discípulo das democracias com perfil social de beterraba, mas cujos governantes adoram uma pirâmide social.

Discussão

2 comentários sobre “O que a imprensa não viu

  1. Lucio ; faltou tu colocares junto com o silêncio da imprensa o silêncio também dos deputados . Mas qual deputado ?

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    Publicado por Carlos castro | 18 de fevereiro de 2020, 18:05

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