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Governo, Política

Um Bolsonaro

Dez presidentes da república já passaram pela minha vida consciente. O único que não conheci pessoalmente, até cobrindo suas atividades como repórter (excetuando Getúlio Vargas, com quem meu pai se relacionou), foi o atual, o ex-capitão do exército Jair Messias Bolsonaro.

De deboche em deboche, baixando sempre o nível das suas manifestações, ele tem comandado um espetáculo de sucessivas indignidades, ele parece não se dar conta do que é ser o chefe do poder executivo, mandatário do país.

Bolsonaro parece se sentir sempre no meio de uma churrascada masculina regada a muita cerveja ou, sempre num ambiente machista, sentado na praia na posição em que a ociosidade só atrai baixarias, como as que dedicou à jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo.

O presidente que mais poderia ser assemelhado a Bolsonaro, o general João Baptista Figueiredo, jamais chegou a tanta vilania. Figueiredo, oficial tricoroado (foi o primeiro colocado nos três cursos que formam os oficiais do estado-maior), chocou por dizer que preferia o cheiro de cavalo (sua maior paixão como lazer) ao do povo ou ameaçar arrebentar quem fosse contra seu projeto de abertura política. Era um homem grosseiro e direto. Mas preservou a solenidade do cargo e impôs respeito ao seu exercício.

Jair Bolsonaro não me causa repulsa por ser de direita. Convivo muito bem com direitistas e outros tantos com os quais mantenho divergência. Ele me causa repulsa e vergonha por ser isto que ele mostra ser: um Bolsonaro.

Discussão

8 comentários sobre “Um Bolsonaro

  1. Mito pisando na bola. Eu sei que è dura essa perseguição que ele sofre mas já devia estar acostumado. De todo modo, tem vice em caso de impeachment. E em 2022, Moro neles.

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    Publicado por jjss555js | 19 de fevereiro de 2020, 09:51
  2. e com esse “povo” que eu tenho de engolir todos os dias, farão mais e mais bolsonaros quantos forem necessários para o mercado funcionar e os donos do capital lucrarem, aliás, povo que a eles se merecem e se equivalem, como já há muito reconheço!

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    Publicado por felipe puxirum | 19 de fevereiro de 2020, 11:49
  3. Boa tarde, Lúcio Flavio!
    Por que o ferro em brasa da atual cobrança em relação a frase que o presidente repetiu (erradamente), dita pelo depoente em rede mundial na comissão do legislativo, quando afirmou que quase foi usado pela nada inocente jornalista, não mereceu a mesma cobrança, a repulsa? Por que não causa horror, a maior campanha de mentiras e ocultação dos fatos que a imprensa vem cometendo desde a campanha presidencial? Por que não causa nojo nos verdadeiros jornalistas o deboche e desrespeito contínuo praticado sistematicamente pela imprensa desde a campanha eleitoral ao mentir grosseiramente ao país, em uma sanha de tentar enganar a maioria da população naquilo que era e é o seu desejo?
    O estupro contínuo da mentira em relação a verdade dos fatos está legalizado sob o disfarce de liberdade de imprensa, mas isso causa náusea, por qual razão? A avalanche de meias verdades ou mentiras deslavadas que é fabricada todos os dias pelos “competentes e éticos” colegas “oprimidos e desrespeitados” não causa o mesmo furor? O estelionato da verdades dos fatos por versões, opiniões e narrativas absurdas que a décadas a imprensa banca e passa como jornalismo verdadeiro e sério não estarrece?
    Raros são os meios e jornalistas que enojados, envergonhados e cheios de repulsa usam o mesmo ferro da cobrança em brasa e aplicam na própria imprensa. Você sabe perfeitamente que essa messa imprensa não tem a menor autoridade para cobrar absolutamente nada, e de ninguém, porque se comporta muito pior do que o presidente, e isso a muito mais tempo. Parte da atual tragédia do país é fruto incontestável da conivência criminosa desse tipo de imprensa que é pior do que qualquer prostituta que se vende por centavos.
    O presidente deve ser cobrado? Mil vezes sim! Mas na mesma medida ou mais ainda a imprensa e empresas de comunicação devem ser cobradas por todos, porque essa é uma das poucas fatias da sociedade que dispõe de privilégios e poderosos meios para trabalhar (não manipular) as informações. Essa imprensa cínica, partidária, ideológica, de extorsão ou corrupta precisa provar do mesmo ferro que a todo momento aplica nos seus desafetos.
    NÃO HÁ DESCULPA para uma imprensa que menti, age cínica e sistematicamente; que acusa levianamente sem dar o benefício da dúvida e do contraditório na mesma medida que divulga; prostitui seu ofício por dinheiro ou ideologia partidária ou não; que atira à queima roupa no desafeto e em seguida vai plantar mentiras dizendo ser a vítima do tiro; que não fez a mesma pressão e crítica quando Lula chamou certas mulheres de “grelo duro”.
    NÃO HÁ DESCULPA para um presidente que sai repetindo parte do depoimento de alguém que contou em detalhes como a “ultrajada e inocente” jornalista procurou “eticamente” o depoente para obter um furo jornalistico que confirmasse nada menos do que ela queria, segundo o depoente. Que para obter o tal furo fez, segundo o depoente, possíveis insinuações, mostrando certo interesse na saúde do inquirido, obra literária e no acesso do mesmo a um certo furo de prazer que o senhor Hans River não deixou absolutamente claro de quem ou de que espécie seria. Não há desculpa para certas falas irrefletidas, provocadas ou não, do presidente. Ele faria um bem enorme para si e para nação ao meditar melhor no alcance das sua palavras e não dar espaço para urubus.
    Essa mesma imprensa que sordidamente expõe seus desafetos ao escárnio público com seus poderosos meios de divulgação e influencia deve ser contida em suas mentiras e excessos. Parece que vale a pena lembrar as palavras que acredito ser do pai da imprensa moderna, Joseph Pulitzer: “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma.”

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    Publicado por Diniz | 20 de fevereiro de 2020, 14:09
  4. Parabéns, Lúcio. Concordo inteiramente com tuas palavras. Aliás os bolsonaristas se comportam como os petistas de outrora 😮 capitão boçal é perseguido pela imprensa. É sempre a mesma estória. Abraços,Lúcio.

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    Publicado por Rafael Araújo | 20 de fevereiro de 2020, 15:29
  5. Bolsonaro age como deve agir um genuíno capitão-do-mato. É de imperiosa necessidade atentar para a semelhança que há entre os períodos de extrema depressão capitalista nos anos de 1929 e 2008, ambos nos EUA, com a subida ao poder de dois ex-militares. O sistema capitalista necessita desesperadamente de algo de dimensões mundial que o reanime, que lhe dê fôlego.

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    Publicado por Luiz Mário | 20 de fevereiro de 2020, 17:06
  6. Vejo que quem apoia essa criatura abominável e ridícula chamado Bolsonaro, de alguma maneira possui um Bolsonaro dentro de si mesmo. E como se fosse uma “atração” que envolver o irracional, a afeição doentia q traz cegueira e o racional frio e desprovido d bem, numa relação de reciprocidade entre Bolsonaro e seus apoiadores. São semelhantes que se encontram. Este fenômeno doentio de atração a qual passa parte d população d Brasil ainda requer mais reflexões para q haja um maior esclarecimento sobre o assunto. Porém, uma coisa é certa: este fenômeno servira para desmascarar muita gente q apenas viver com a máscara da bondade, mas na realidade o que habita no coração é o Bolsonaro.

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    Publicado por José Maria | 21 de fevereiro de 2020, 00:43
  7. Bolsonaro é um cafajeste. Não há outro adjetivo que se lhe ajuste melhor.
    Cafajestes são também seus filhos, decrépitos e ignorantes. Cafajeste é também a maioria que o rodeia.
    Porém, não é só. E algo que se constata é pior. Fossem esses os únicos cafajestes, o problema seria menor.
    Mas, quantos outros cafajestes não há neste país que veem em Bolsonaro sua imagem e semelhança?
    Aquele tio idiota do churrasco, aquele vizinho pilantra, o amigo moralista e picareta, o companheiro de trabalho sem-vergonha…
    Bolsonaro, e não era segredo pra ninguém, reflete à perfeição aquele lado mequetrefe da sociedade.
    Sua eleição tirou do armário as criaturas mais escrotas, habitués do esgoto, que comumente rastejam às ocultas, longe dos olhos das gentes.
    Bolsonaro não é o criador, é tão apenas a criatura dessa escrotidão, que hoje representa não pela força, não pelo golpe, mas, pasmem, pelo voto direto. Não é, portanto, um sátrapa, no sentido primeiro do termo.
    Em 2018 o embate final não foi entre dois lados da mesma moeda. Foi, sim, entre civilização e barbárie. A barbárie venceu. 57 milhões de brasileiros a colocaram na banqueta do poder.
    Elementar, pois, a lição de Marx, sempre atual: “não basta dizer que sua nação foi surpreendida. Não se perdoa a uma nação o momento de desatenção em que o primeiro aventureiro conseguiu violentá-la”.
    Muitos se arrependeram, é verdade. No entanto, é mais verdadeiro que a grande maioria desse eleitorado ainda vibra a cada frase estúpida, cretina e vagabunda do imbecil-mor.
    Bolsonaro não é “avis rara” da canalhice. Como ele, há toneladas Brasil afora.
    A claque bolsonarista, à semelhança dos “dezembristas” de Luís Bonaparte, é aquela trupe de “lazzaroni”, muitos socialmente desajustados, aquela “coterie” que aplaude os vitupérios, as estultices do seu “mito”. Gente da elite, da classe média, do lumpemproletariado.
    Autodenominam-se “politicamente incorretos”. Nada. É só engenharia gramatical para “gourmetizar” o cretino.
    Jair Messias é um “macho” de meia tigela. É frágil, quebradiço, fugidio. Nada tem em si de masculino. É um afetado inseguro de si próprio.
    E, como ele, há também outras toneladas por aí.
    O bolsonarismo reuniu diante de si um apanhado de fracassados, de marginais, de seres vazios de espírito, uma patuléia cuja existência carecia até então de algum significado útil. Uma gentalha ressentida, apodrecida, sem voz, que encontrou, agora, seu representante perfeito.
    O bolsonarismo ousou voar alto, mas o tombo poderá ser infinitamente mais doloroso, cedo ou tarde.
    Nem todo bolsonarista é canalha, mas todo canalha é bolsonarista.
    Jair Messias Bolsonaro é a parte podre de um país adoecido.

    Paulo Brondi é promotor de Justiça em Jataí, Goiás

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    Publicado por Gleydson | 21 de fevereiro de 2020, 11:44

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