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Política

Em marcha

Concordo com Alex Fiúza de Mello: o parlamento federal está usurpando funções do executivo federal, atribuindo-se funções que não são suas e estendendo o orçamento impositivo muito além dos seus limites, para fazer política eleitoral num momento dramático da conjuntura, nacional e mundial. A iniciativa, com o endosso dos presidentes da Câmara e do Senado, viola a constituição.

O que tem que fazer o chefe do poder executivo? Negociar no próprio legislativo ou então arguir perante o Supremo Tribunal Federal a inconstitucionalidade dos atos praticados.

Ao recorrer ao povo, o presidente Jair Bolsonaro aposta no confronto direto, levando para as ruas um jogo perigoso. Ao invés de encontrar uma solução democrática, que exige diálogo e negociação, ele vai agravar a crise, transformando-a numa queda de braço entre multidões.

Se Bolsonaro não está por trás dessa convocação, ao dar o seu endosso, mesmo que num circuito particular das redes sociais, ele tornou a origem da iniciativa menos relevante – ou mesmo irrelevante. No universo da internet, uma investigação demora tempo e enfrenta incertezas.

Chancelando iniciativa alheia, de todas as formas o presidente, por mais que tenha agido por emoção ao se ver retratado no vídeo e por agradecimento aos apoiadores, conforme alegam os palacianos, aprofundou a crise, tornou-a institucional e liberou janelas, porões e subterrâneos para o imponderável. Uma espécie de marcha sobre Roma, que levou Mussolini ao topo do poder, como um novo César.

Bolsonaro não chega a tanto. É justamente aí que mora o perigo maior.

Discussão

14 comentários sobre “Em marcha

  1. Lúcio, esse tipo de gente não faz acordo sem interesse. Eles querem se apoderar de 30 bilhões e o cara tem que negociar? A gente negocia com quem nos rouba um celular? Quem não lembra do Sarney refém do Congresso? Não mexia uma palha e nossa inflação foi pra mais de 100% ao mês. Temer negociou pra salvar a pele e deu no que deu. Não vejo outra alternativa senão o enfrentamento. Fora isso é jogar a toalha e abandonar os 57 milhões de votos. Isso é inegociável, na minha opinião. Ficaremos todos com a cara do coringa.

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    Publicado por Ademar Amaral | 28 de fevereiro de 2020, 17:46
  2. Nobre Jornalista…

    Use plataformas mais modernas para se atualizar, rogo-lhe.

    Lembre de qdo Bolsonaro responder à pergunta de uma jornalista com outra pergunta: “O q é articulação? Q articulação eles querem?”

    E desde ontem está em destaque o modo como o mesmo Maia, o qual o senhor está sugerindo agora “negociar”, discute o parlamentarismo no Brasil estando em território estrangeiro.

    Maia é um marginal corrupto q está sedento pela voltas das mesmas facilidades q durante uma vida vossa senhoria sugeriu repudiar. Mudou agora, Nobre jornalista?

    E qto à Mussolini…. Bolsonaro em algum momento pediu além de mais Estado, Tudo pelo Estado? Ou pelo contrário, menos Brasília e mais Brasil?

    Nunca é tarde para mudar.

    Rezo por vós e vossa verdadeira conversão.

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    Publicado por Padre Brunus | 28 de fevereiro de 2020, 19:02
  3. Lucio, Bolsonaro não convocou o povo para manifestação nas ruas…o video compartilhado pelo presidente, e divulgado pela jornalista, é de 2015 pró impeachment de Dilma Roussef. Sobre a manutenção do veto 52, sem negociação. Como negociar com uma quadrilha instalada no Congresso?

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    Publicado por Marcia | 28 de fevereiro de 2020, 20:07
  4. Álcool de 70º

    Retomo o meu comentário sobre o desabastecimento do álcool de 70º em Belém, que ultimamente estava à venda em estabelecimentos de produtos hospitalares.

    Matéria publicada há duas horas no portal G1 e assinada por Roney Domingos contesta o que seria um video onde um homem afirma que álcool gel é ineficaz na assepsia contra o coronavírus, e chega a recomendar o uso de vinagre.

    Transcrevo esta matéria para melhor entendimento do meu comentário.

    “É #FAKE mensagem em vídeo que diz que álcool gel não funciona como forma de prevenção contra o coronavírus – Professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo, Fábio Rodrigues diz que o trecho em que o homem diz que o álcool em gel só mata fungos e não mata bactérias ou vírus não é verdadeiro. Segundo ele, o álcool consegue atacar diferentes micro-organismos.
    Também é falsa, segundo ele, a parte em que o homem fala sobre gelatinantes. “De fato, gelatinantes podem ser usados em meio de cultura na placa de Petri, mas eles agem apenas para solidificar o meio. O que vai alimentar bactérias são os nutrientes adicionados no meio. Para vírus, isso não procede de forma nenhuma”, diz o professor.
    Rodrigues diz ainda que o álcool 70 INPM contém 70% da massa de álcool e o restante de água ou espessante. Portanto, não há apenas 10% de álcool, como prega o homem na mensagem falsa.
    O professor afirma ainda desconhecer qualquer estudo que mostre que o vinagre tenha qualquer eficácia – ainda mais para que haja a recomendação de substituir o álcool por ele”.

    1º Não é “fake” dizer que o álcool gel atualmente comercializado é ineficaz na assepsia e desinfecção quando se quer evitar o contágio viral, o professor Fábio Rodrigues incorreu num descuido e o redator do G1 embarcou junto. Basta ir ao supermercado para checar que a absurda proibição da ANVISA ainda está de pé e todos os álcoois vendidos no comércio em geral são de teor 45º ou menos – não está liberada a venda de álcool líquido ou em gel de 70º no comércio.

    2º Concordo com o professor Fábio Rodrigues quando este diz que o álcool deve ter no mínimo 70º de massa de álcool, também se diz 70º Gay Lussac, para ser eficaz na assepsia viral, e discordo totalmente da ANVISA que plantou esta informação de que ambos têm a mesma eficácia. Não mesmo.

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    Publicado por J.Jorge | 28 de fevereiro de 2020, 21:38
  5. “Mais lenha”,só para correção.

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    Publicado por rafael gomes araújo | 28 de fevereiro de 2020, 22:18
  6. Já pensou 30 bi nas mãos do centrão? É o retorno da cleptocracia.

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    Publicado por jjss555js | 29 de fevereiro de 2020, 07:54
  7. Lúcio, o professor Vladimir Safatle costuma dizer que a democracia é um puro cinismo; porque antes que alguém conteste as suas mazelas e abusos sempre irá se apresentar como o melhor regime para os povos. Então…

    O professor Alex nos proporcionou um belíssimo texto, o qual já copiei e guardei em meio a outros tantos; porém há uma palavra que me traz péssimas recordações (como um simples cidadão) que é a “incongruência” do legislativo e do judiciário em relação aos meus direitos como servidor público.

    Estava fazendo os exames médicos de admissão, quando tomei conhecimento da primeira “facada” nas minhas costas: o congresso tinha eliminado o meu direito a ter depósitos recolhidos na conta PASEP. De lá para cá foram mais de 60 facadas (nas contas de um grupo de velhos amigos). Diziam que o fato de não mais receber o PASEP era uma espécie de compensação pela estabilidade do emprego. Claro que não. Foram cortando, cortando e a tal da incongruência sempre acompanhando os atos do legislativo, do executivo e do judiciário. O pior de tudo é ouvir o canalha do ministro da fazenda me chamar de parasita.

    Uma grande e cínica incongruência foi a relatoria do Ministro Teori Zavascki na súmula vinculante nº 33, onde diz que os trabalhadores privados em situação de condições que representam risco de danos a saúde fazem jus aos adicionais… e… poderão.. se quiserem… requerer a conversão deste tempo especial em tempo comum, o que lhes será acrescido em 40% quando homem e 20% quando mulher. Quanto aos servidores públicos, não lhes é dado este direito, e “parem de mandar agravos de injunção para o STF que a turma já está de saco cheio”. A mora legislativa em regulamentar o Art.40 da constituição nacional deve ser resolvida – até o dia do juízo final – pelo próprio legislativo.

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    Publicado por J.Jorge | 29 de fevereiro de 2020, 10:27
  8. Bolsonaro passou cerca de 30 anos no submundo dos bandidos políticos profissionais, certamente usou todas as regras para fazer o que bem entendesse. Hoje sabe que será trucidado se for para o confronto direto com o Congresso Nacional, por isso tenta usar a população para, mais uma vez, fazer das suas.Se fosse honesto, procuraria as vias judiciais, mas…deixa pra lá.

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    Publicado por Luiz Mário | 29 de fevereiro de 2020, 20:39

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