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Economia, Política

Última forma

Artigo de Álvaro Santos, geólogo especializado em projetos de engenharia e meio ambiente, para a reflexão do leitor.

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Neste 29/04/2020 os ministros Paulo Guedes (Economia) e Gen. Braga Netto (Casa Civil) apresentaram-se em uma espécie de Rede Nacional posicionando-se didaticamente e enfaticamente pelo mútuo compromisso dos dois grandes escudeiros do governo Bolsonaro com o programa econômico oficial formulado e conduzido por Paulo Guedes.

Lembrar que dias atrás, em uma apresentação ministerial ampla a pretexto da pose do novo ministro da Saúde (o leso Teich), e sem a presença de Guedes, o Gen. Braga Netto, agindo como dono da festa, apresentou o Power-point de seu programa de recuperação nacional, o Pró-Brasil, que destacava como principal fator alavancador do desenvolvimento maciços investimentos públicos efetuados pelo Estado.

O que confrontava com a coluna dorsal do programa Guedes, na qual se destacam a planejada retração do Estado, a atração de investimentos privados via larga privatização de patrimônios públicos e a redução de benefícios sociais e trabalhistas. No qual pode-se ler a intenção de uma recapitalização privada a partir da recursos retirados da base da pirâmide social.

Nos dias seguintes a essa apresentação multiplicaram-se boatos de iminente demissão do Guedes, o que, imagina-se, assustou e preocupou seu sustentador político real e verdadeiro patrocinador da eleição de Bolsonaro: o Mercado. Entendido esse como a reunião dos grandes empresários do setor financeiro, industrial, agroindustrial e comercial, nacionais e internacionais, com extensos interesses no país.

É de se imaginar o que ocorreu nos bastidores políticos e econômicos do país nesses tensos dias. Onde e quando certamente não faltaram puxões de orelha, ameaças e exigências, por parte do Mercado, de confirmação e consolidação do programa econômico pré-combinado antes ainda das eleições presidenciais de 2018.

A referida apresentação conjunta de Guedes e Braga Netto nesse último 29 de abril deixou clara e cristalina a orientação econômica oficial do governo Bolsonaro, o que envolveu um humilhante “chega pra lá” no General (com uma mais humilhante ainda subserviência desse) e o restabelecimento completo do reinado neoliberal de Paulo Guedes.

Álvaro Santos

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A valorização das ações na bolsa e a maior redução do valor do dólar nos últimos dias atestam a procedência da análise.

Discussão

Um comentário sobre “Última forma

  1. É…

    Guedes acabou confirmado como boi de cabeceira.

    Só precisa dizer que a manada — no caso, a maior parte da população brasileira — está no curral de um matadouro, e está se encaminhando pra fase final da inspeção sanitária. Aí o boi de cabeceira conduzirá a boiada pra onde já a estava conduzindo, antes da pandemia chegar: a fila de abate..

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    Publicado por Elias Granhen Tavares | 30 de abril de 2020, 17:36

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