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Imprensa

A travessia de Dimenstein

Já não são raros, mas ainda são poucos os jornalistas que conseguem sair da bitola do texto jornalístico para a literatura ou os livros em geral. Muitos tentam e se perdem nessa travessia perigosa. São mais raros ainda os que trocam o front da notícia pela militância numa causa social, como fez Gilberto Dimenstein, paulista de origem judaica, com parte da sua família estabelecida em Belém, que morreu no dia 29, aos 63 anos, de um câncer no pâncreas, contra o qual lutou durante oito meses.

Gilberto não só passou para um novo campo de ação como conseguiu firmar seu nome internacionalmente, ligando-o à causa dos direitos humanos, sobretudo dos marginalizados. Usou com competência a sua capacidade de articulação e convencimento com dedicação plena, até deixando de lado a produção propriamente jornalística.

Da sua participação na cobertura dos assuntos amazônicos ficou pendente de esclarecimento definitivo uma celeuma provocada pela publicação de uma foto na capa da Folha de S. Paulo quando o jornal começou a publicar, em 1992, uma série de reportagens dele, “Meninas da noite”, sobre crianças escravizadas.

A foto era de uma menina debruçada com uma placa às costas na qual estava escrito “Vendo”. Seria a prova de haver no Ver-o_Peso um mercado de venda de escravas brancas. Na verdade, não era uma menina prostituída, como dizia o texto, nem estava à venda. Era uma brincadeira dos feirantes.

Dimenstein explicou que a foto não era da fotógrafa que o acompanhou na viagem, mas de outro repórter, que passara por Belém meses antes. Segundo ele, o jornal introduziu a foto sem o seu conhecimento, episódio que não é raro na cobertura dos assuntos da região, tardia – e ainda desconhecidamente – brasileira.

Discussão

4 comentários sobre “A travessia de Dimenstein

  1. Lucio, por falar em jornalista falecido. Chegaste a comentar a morte do Gengis Freire? Se pudesses falar com algo a respeito sobre ele a Província.

    (http://aprovinciadopara.com.br/a-editora-cultura-brasil-comunica-o-profundo-pesar-pelo-falecimento-do-advogado-e-editor-gengis-freire-souza/).

    Curtir

    Publicado por isilva | 1 de junho de 2020, 19:35

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