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Imprensa

Jornalismo chinfrim

A partir da pandemia do coronavírus, a TV Globo incrementou seus programas jornalísticos e impôs a ampliação do noticiário às afiliadas. A TV Liberal tem que preencher agora quatro horas e meia em seus três telejornais diários, apesar das restrições aos repórteres de campo. Teria que contratar mais gente, reforçar os setor e treinar a equipe, oferecendo-lhe melhores condições de trabalho. Não parece ter feito nada disso. O que se vê, em regra, é um jornalismo medíocre, resvalando frequentemente para o patético.

Além de lançar mão de material da própria matriz, a emissora alonga entrevistas além do necessário, prolonga matérias que deveriam ser apenas registros e agora não se vexa de reproduzir fotos (fotos!!!) enviadas pelos seus telespectadores dos inevitáveis e xaropados por de sol ou dos filhotes, inclusive bebês, algo impensável até mesmo quando a televisão iniciava a sua caminhada no Brasil, 70 anos atrás. É justamente para trás que a Liberal caminha. Mas diga-se: as outras emissoras trafegam por níveis inferiores.

E o que dizer dos jornais paraenses? Cada vez mais magros (o que nem seria tão ruim, se a maior qualidade compensassem a perda de quantidade), sua leitura pode ser comparada à sensação de quem anda por uma estrada e só se apercebe de que passou por um vilarejo quando ele já desapareceu. Na última página, o leitor fica com a sensação de que pouco ou nada acrescentou ao seu conhecimento com a leitura. Na maior parte das páginas há embromação com aquilo que, antigamente, se chamava de calhau, material anódino usado para preencher espaço.

Ocupar o espaço das páginas é tão difícil que as notas disponíveis para fechar a principal coluna da edição de hoje de O Liberal, o Repórter 70, deixou espaços vazios, mesmo com tamanhos de letras (os corpos) exagerados. Notas, aliás, produzidas sobre press releases ou tratando de fatos previsíveis, de agenda. A informação exclusiav e o furo” estão ameaçados de extinção.

O jornalismo talvez nunca tenha sido tão ruim quanto neste momento, exatamente numa fase de enorme importância para a humanidade, os brasileiros, os paraenses e os belenenses. Com o agravante de que, não competindo mais entre si, os veículos de comunciação se empenham mais em substituir o Diário Oficial. Como todos estão cansados de saber, a missão é impossível.

Discussão

9 comentários sobre “Jornalismo chinfrim

  1. Oi prezado Lúcio. Estou escrevendo aqui, mas não tem a ver com o tema da publicação e sim sobre um artista paraense já falecido chamado Augusto Bastos Morbach. Chegaste a conhecer ele? Vi uma obra dele esses dias e fiquei muito interessado em adquirir, mesmo não tendo lá condições de ficar adquirindo arte. Aí fui ler na internet sobre ele e encontrei algumas coisas interessantes, como sobre o Líbero Luxardo ter dado apoio a carreira dele, etc. Bom. Era isso. Se desse para escreveres sobre artistas paraenses, seria algo interessante. Abraço

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    Publicado por Adriano Oliveira Maciel | 31 de julho de 2020, 10:39
    • Obrigado pela sugestão. Mas não sei se sou a pessoa autorizada a abordar o tema. Conheci o velho Augusto Morbach, o patriarca de uma numerosa e talentosa família. Tenho uma tela dele em óleo, coisa rara na produção que ele deixou em nanquim. Tenho duas telas nesse estilo. Comprei-as muitos anos atrás num leilão em Belém. O filho, Pedro, muito talentoso, seguiu a vocação. Grande parte do que fizeram tem o Tocantins por tema, sobretudo com a extração da castanha.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 31 de julho de 2020, 10:44
      • Que bom ler a tua resposta, Lúcio. Tens muito conhecimento sobre tanta coisa deste estado rico e acho que mesmo pequenos textos já acenderiam a busca por mais informações sobre as personalidades. Pelo que vi do Augusto Morbach achei a obra dele muito “amazonicamente enternecedora”, como me vem à mente agora. Estou pensando seriamente em adquirir. abraço

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        Publicado por Adriano Oliveira Maciel | 31 de julho de 2020, 11:00
      • Você fará uma boa compra. Além de ser bom no traço, tanto Augusto quanto Pedro tinham uma sensibilidade muito grande para o drama humano e uma solidariedade natural para com o homem simples no mundo extrativo centralizado em torno de Marabá, que foi, durante esse tempo, um acampamento de transbordo de gente do Itacaiúnas para o Tocantins. Como A. B. Morbacho, Augusto também era jornalista e cronista, de olhar aguçado, que sua relação política não comprometia.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 31 de julho de 2020, 11:56
  2. muito bom! obrigado pelas informações

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    Publicado por Adriano Oliveira Maciel | 31 de julho de 2020, 12:10
  3. num “estado e num país”
    com a maioria analfabeta
    como água quente na raiz
    não deviam ser nesta terra

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    Publicado por felipe puxirum | 31 de julho de 2020, 12:55
  4. Verdade, Lúcio. Fora as repetições das matérias, com tanta coisa errada acontecendo neste Estado.

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    Publicado por Marilene Pantoja | 1 de agosto de 2020, 19:48
  5. Lúcio, infelizmente o jornalismo de verdade está em extinção. Hoje os melhores jornais são apresentados nas TVs a cabo, por exigência de seus assinantes que já não aguentam mais tantas futilidades veiculadas na tv aberta. Já desisti de tentar assistir algo interessante na tv aberta,sobretudo, neste tempo de pandemia. Para você ter uma idéia, o noticiário local,aqui no Amapá,não traz mas nenhuma notícia da pandemia, dando recado a população de que já está tudo normal,em vez de informar presta o desserviço de alienar a população com notícias de Brasília ou do Flamengo, que é isso que o povo gosta, sendo essa a mais esperada do dia. Abraço.

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    Publicado por Antonio Nascimento | 2 de agosto de 2020, 11:25

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