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Agricultura, Água, Economia

O arrozal de Quartiero

Dou passagem ao leitor Rodolfo Lisboa Cerveira, que enviou o texto a seguir publicado.

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Li os dois textos da jornalista Naira Hofmeister, publicado no seu Blog, nos dias 15/16 de julho/20, sobre as atividades do produtor rural Paulo Cesar Quartiero, que você denominou de “Um pioneiro bolsonarista”. Não vou me reportar sobre a sua vida pregressa, nem a respeito de sua identificação – no que tange à sua qualificação pessoal – com o atual presidente brasileiro. Também não pretendo comentar as participações dos internautas, por achar que algumas foram as mais estapafúrdias possíveis, e se chegou até a citar princípios do site 247 que, de certa forma, não tem vinculação com os atrabiliários movimentos do citado produtor.

Como tenho parentes em Salvaterra, sempre que posso visito-os e deleito-me com as belezas naturais abundantes naquela pequena fatia da Ilha do Marajó. Numa dessas visitas, no ano de 2014, tive a oportunidade de chegar até Cachoeira do Arari por via terrestre (já a conhecia por via marítima desde 1965), pela estrada de rodagem que se inicia nas margens do rio Paracari (Pa-154), com cerca de 50 Km de extensão.

Nas proximidades da sede do munícipio, acabei deparando ou topando, quase sem querer, nas porteiras do famoso projeto de arroz irrigado, de propriedade do senhor Quartiero, conforme denunciava a placa postada bem na entrada da Fazenda. Como estava de passagem resolvi aportar, com a intenção de fazer uma rápida e descontraída visita.

Infelizmente o dono não estava, o que frustrou a iniciativa, mas fui recepcionado por um servidor que me repassou alguns dados como, por exemplo, o plantio estava em torno de 1.500 ha e já caminhava para sua 3.ª safra consecutiva. Toda a água utilizada na plantação retorna a sua origem sem maiores problemas; não houve desmatamento no sentido amplo do termo, nem danos ambientais existiram.

Considerando que a área é formada por campos alagadiços, os famosos campos naturais da região, com bastante vegetação herbácea, além de pequenas palmeiras, a vegetação de grande porte é muita rarefeita. Desse modo, não vejo muita razão para a celeuma que se fez e ainda continua em torno do projeto em si, e das facilidades que dizem terem sidos oferecidas ao investidor.

Afinal, muitos outros nativos e alienígenas foram agraciados com essas “benesses”, sem oferecerem nenhum retorno para a sociedade paraense. No caso do rizicultor, com a técnica do arroz irrigado, muito comum no sul do Brasil, de onde é oriundo, ele está ocupando os nossos campos naturais que, afora uma ainda incipiente atividade pecuária (bubalinocultura), ainda estão indenes à iniciativa produtiva ou aproveitamento econômico por conta do nosso secular isolamento.

Discussão

3 comentários sobre “O arrozal de Quartiero

  1. esse verme do capital
    apenas faz a sua parte
    o pior é o todo social
    permitindo seu achaque!

    Curtido por 1 pessoa

    Publicado por felipe puxirum | 31 de agosto de 2020, 10:24
  2. Excelente comentário! Tem a minha concordância!

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    Publicado por Antonio Carlos Lobo Soares | 1 de setembro de 2020, 09:46
  3. Realmente, não devemos tratar as questões com maniqueísmo! Na vida, tudo é relativo; nada é absoluto!

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    Publicado por George Hamilton Maranhão Alves | 1 de setembro de 2020, 21:59

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