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Cultura

Morremos um pouco

Paulo Francis escreveu certa vez que se uma bomba explodisse numa sala de cinema que estivesse exibindo um filme de 007, parte da intelectualidade brasileira morreria. Se James Bond estivesse sendo interpretado por Sean Connery, o primeiro ator a encarnar o personagem de Ian Fleming, a perda seria total – acrescentava eu.

Causou impacto saber que o grande ator escocês acaba de morrer, aos 90 anos. Depois que ele aposentou o agente secreto autorizado por sua majestade britânica a matar, 007 me desinteressou. A moldura intelectual do insuperável agente só cabia em Connery. Sobrava uma nesga dessa luz “conneryana” para usufruto de criaturas enquadráveis na classificação, como os esquivos espectadores na sala de projeção de filmes.

Não faltava músculos, agilidade, determinação e sagacidade a Connery – e nesse quesito ele era a projeção dos nossos desejos mais profundos, numa utopia que nosso aparato físico não avalizava. Então atuávamos no plano psicanalítico da transferência. Saíamos felizes do cinema, preocupados apenas em passar invisíveis aos amigos, inimigos e inconfidentes em geral.

Sean Connery morreu; que viva 007.

(Vamos à próxima sessão?)

Discussão

6 comentários sobre “Morremos um pouco

  1. Vai fazer falta. Foi o pai do Indiana Jones, o 007 e o Mallone de “Os Intocaveis “. Nesse último arrebatou com merecimento o Oscar de melhor ator coadjuvante. Pena que encerrou a carreira com um filme muito ruim em 2003, o que obviamente não desabonará a sua brilhante trajetória.

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    Publicado por Rafael Araújo | 31 de outubro de 2020, 10:38
  2. 007

    Sim,vamos. Tenho ido desde o Satanico dr. No. Viva o mais simpático agente da rainha. Gostava dos temas. Músicas inesquecíveis.

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    Publicado por Agenor Garcia | 31 de outubro de 2020, 12:57
  3. Lúcio, bom dia. Não sabia que apreciavas 007. Fiquei surpreso. Em relação à sétima arte, já assististe a filmes com a temática jornalística, com o penoso ofício da reportagem servindo como proscênio de estórias roterizadas para o cinema? Gostei bastante de “Todos os homens do presidente”, um verdadeiro clássico dos anos 1970.

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    Publicado por Rafael Araújo | 1 de novembro de 2020, 06:37
  4. Também gostei bastante de “Sportlight” e nem tanto de “The Post”. Acho que o último, em que pese o ótimo elenco, não aproveitou a excelente estória da divulgação de documentos secretos relacionados à Guerra do Vietnã.

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    Publicado por Rafael Araújo | 1 de novembro de 2020, 06:46
  5. Quando vi o Satânico Dr. No, filmado nas instalações de uma mina de bauxita da Jamaica, passei a ler os livros de Fleming. O primeiro que li foi Goldfinger e o filme foi fiel ao livro. Depois de Moscou Contra 007, o melhor pra mim,batalhei uns trocados e encomendei uma pasta 007 Ecolac, na Zona Franca. Ele dizia que para fazer o 007 não precisava ser ator, bastava ser mecânico. Por isso quis mostrar e excelente ator que era e deu um banho em A Colina dos Homens Perdidos. Outro filme extraordinário foi O Homem que Queria ser Rei, em dupla com Caine. Sim, morremos um pouco.

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    Publicado por ADEMAR A DO AMARAL | 1 de novembro de 2020, 07:43

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